Homogeneização

Acho curioso quando eu ouço alguém falando algo do tipo “nos eua e na europa isso aqui tá fazendo o maior sucesso”.

Eu fico pensando: os EUA que são um país só com, mais ou menos, os mesmos costumes, já são muito diferentes. Imagina botar a europa toda (paises diferentes!) no mesmo saco.

Acho uma expressão bem besta.

Um livro sensacional

Comecei a ler esse livro e estou maravilhado. A cada seção minha cabeça explode. É leitura simples e rápida, mas impactante.

Reinvente sua empresa: Mude sua maneira de trabalhar

Para Fernando e Zeca

ou: Sobre meus cachorros.

Nunca tinha tido um cachorro. Dois cachorros já haviam passado pela minha casa, mas nunca foram meus, de minha responsabilidade.

Ai um belo dia resolvemos procurar um. Sempre quis um pincher porque acho bonito. E também acho engraçado um cachorro daquele tamanho ser bravo do jeito que normalmente é.

Mas não importava a raça. O cachorro só tinha que ser pequeno porque a casa não é tão grande assim. Não me animava muito em pagar por um cachorro, mas dependendo, poderia até considerar pagar os custos que a pessoa teve, tais como vacinas, remédios, etc. Se pudesse ser de graça, tanto melhor.

A Renata perguntou no facebook e logo indicaram um rapaz, amigo de amigos, cuja cadela acabara de parir uns 4, 5 cachorros. Marcamos e fomos lá.

Nos dias anteriores, ficou decidido que o nome seria Fernando. Sempre achei engraçado esse negócio de nome de gente em cachorro.

Quando chegamos pra pegar o Fernando ficamos encantados. Era lindo. Pequeno do jeito que a gente queria. Era exatamente o cachorro que a gente queria.

Como a gente passa a maior parte do dia fora, várias pessoas falaram que ele poderia se sentir muito sozinho e que seria ótimo se ele tivesse companhia. E começamos a pensar em ter outro cachorro. Entramos em contato com o rapaz e ele ainda tinha um cachorro sobrando, da mesma ninhada do Fernando. Vimos umas fotos e decidimos que íamos meter a cara e pegar mais outro cachorro.

A Renata deu a idéia do nome: Zeca. E duas semanas depois do Fernando, o Zeca chegava em casa. Tínhamos então dois vira-latas.

Na primeira noite, o Fernando estranhou muito. Pois de uma hora pra outra, ele não era mais o reizinho da casa. Passou a ter que dividir a atenção com o Zeca.

Lembro que o Zeca roubou quase toda a caminha do Fernando, que ficou só com uma pontinha.

Houve estranhamento da parte do Fernando, mas tudo em paz.

Nos dias seguintes, bateu um certo arrependimento, ou uma sensação de “deveríamos ter pensado um pouco mais” e conversamos sobre devolver o Zeca.

O Zeca é bem maior que o Fernando, uma diferença de uns 10kg. O nosso medo era que o Zeca ficasse grande demais e não houvesse espaço para os dois.

Zeca e Fernando

Zeca e Fernando

No fim das contas, acabamos ficando com os dois mesmo e não foi problema nenhum. O Zeca cresceu bem mais que o Fernando, e apesar de uma outra dificuldade, era possível manter os dois em casa sem maiores problemas.

Eles sempre se deram muito bem. Brincavam de se morder, dormiam se apoiando um no outro (uma cena tão linda que transborda ternura). Nunca houve briga por comida nem nada do tipo. Eles eram capazes de dividir a mesma vasilha de comida sem problema nenhum.

O Fernando é muito ciumento, toda vez que a gente ia fazer carinho no Zeca, ele vinha pra cima e o empurrava pra roubar o carinho dele. Mas nunca de forma agressiva. O Zeca sempre foi, digamos, compreensivo com isso.

Os dois sempre foram muito dóceis conosco e com os outros também. Talvez pelo tamanho e pelo latido mais grosso, o Zeca assustasse mais.

Tudo corria muito bem até que um dia tudo começou a desandar.

Tínhamos que aplicar uma injeção em cada um e caímos na besteira de fazer isso com os dois cachorros lado a lado. Assim que espetamos o Fernando, ele achou que fosse o Zeca e avançou nele. Daí começou uma briga horrível entre os dois. Nunca tinha visto uma briga de cachorro e não sabia o que fazer. A impressão que se tem é que aquilo ali só vai acabar quando um matar o outro, de tão violento que é.

Nos metemos no meio dos dois e conseguimos separá-los. Nisso, o Fernando acabou dando uma beliscada com o boca no meu braço e sangrou um pouco.

Fui me lavar e num vacilo com a porta, eles acabaram se pegando de novo, coisa de 5 minutos depois. A briga parecia ainda pior e fomos de novo pra cima deles para separá-los. Nisso, o Zeca acabou mordendo a minha mão esquerda com muita força, gritei de dor. Com o barulho, algumas pessoas que estavam no andar de baixo acabaram subindo pra ver o que estava acontecendo.

Daí fui pro hospital, onde fizeram um curativo, passaram uns remédios e preencheram todo o protocolo do Ministério da Saúde referente a mordida de animais. Como o cachorro era meu, doméstico e com todas as vacinas em dia, não havia tanto assim pra se preocupar, mas ainda era necessário observar o comportamento do Zeca por 10 dias pra ver se ele iria manifestar os sintomas da raiva. E depois desses 10 dias, eu teria que voltar lá pra reportar o que havia acontecido pra eles fecharem aquele protocolo.

Apesar de saber que não aconteceria nada, fiquei com medo porque Raiva não tem cura (há controvérsias pois há duas pessoas que conseguiram sobreviver). Curiosamente, poucas semanas antes eu havia escutado o Nerdcast 339 sobre distúrbios mentais e vi que Raiva é uma doença bizarríssima.

Assim que voltei do hospital, o Zeca me recebeu muito agitado, veio pra perto, me lambeu, balançou o rabo. Deu pra perceber que ele ficou aliviado em me ver. Nesse interim em que eu estava no hospital, a Renata até os levou pra passear e não houve desentendimento, eles se cheiraram e andaram um do lado do outro sem problema nenhum.

Horas mais tarde foi que o clima começou a ficar pesado entre os dois. A partir daí nada mais seria igual antes.

Desde o acontecido, eles ficaram separados. À noite, tentamos aproximá-los, mas não deu certo. O Fernando tava muito cabreiro com o Zeca e vice-versa. Eles até chegavam perto um do outro, mas sempre se olhando de canto de olho. Numa dessas, eles rosnaram feio um pro outro, mas felizmente eles estavam amarrados.

Ao fim e ao cabo, eu e a Renata acabamos ficando com muito medo do Zeca, pois sempre que chegávamos perto, ele olhava de canto de olho pra gente, desconfiado, parecia que ia atacar a qualquer momento. Mas o veterinário disse que isso era uma espécie de arrependimento porque ele sabia exatamente a besteira que tinha feito e tava com vergonha.

No dia seguinte, várias pessoas disseram que, dali em diante, para que os dois pudessem voltar a conviver deveríamos castrá-los, que isso acalma muito os animais. E foi o que fizemos. Mas fomos alertados de que os hormônios do Zeca só seriam completamente metabolizados em torno de 30 dias, até lá, ele poderia continuar do mesmo jeito que estava, ainda que houvesse uma diminuição gradual.

Uma coisa interessante que lemos na internet e que vimos acontecer é que quando esse tipo de coisa acontece, há uma troca no “comando”. O Zeca que sempre tinha sido mais compreensivo com tudo, passou a se impor diante do Fernando, que por sua vez, passou a obedecer. Mesmo estando separados por uma grade ou pela porta, o Zeca fazia questão de chegar perto do Fernando só pra mostrar quem que estava mandando.

Depois da castração, o Zeca foi ficando mais calmo. Mas algumas vezes os dois chegaram a se estranhar. Às vezes por descuido nosso e outras por tentar fazer as pazes entre eles. Várias vezes eles ficaram perto, se cheiraram, se lamberam, mas bastava que um olhasse feio pro outro que começava a putaria de novo.

Nesses dias, ficou tudo muito dificil porque os cachorros tinham sempre que ficar separados, a porta da sala sempre fechada, entrar e sair de casa exigia muita atenção para que um não escapasse pra fora ou pra dentro. De vez em quando tínhamos que colocar o que tava dentro pro lado de fora e vice-versa e era toda uma operação.

Era uma sensação horrível de ter que fazer tudo aquilo quando alguns dias antes eles dormiam abraçados.

Zeca e Fernando

Zeca e Fernando – essa foto é a lock screen do meu celular

A solução que foi se apontando foi a de dar o Zeca. Só pensar nisso já era doloroso. Apesar da situação, isso não nos passava pela cabeça. Até conseguimos um amigo que ficou interessado no Zeca, mas ele ficava cada vez mais dócil e meigo. Era difícil pensar em se desfazer dele.

Como última tentativa, decidimos cobrir um pedaço do pátio, onde seria possível o Fernando e o Zeca ficarem fora de casa e separados por uma grade. Essa grade, além de proteger um do outro, serviria para reaproximá-los de forma segura.

Dessa forma, quando o Fernando não estava no campo de visão do Zeca (ou vice-versa), eles latiam muito, como se um pedisse pro outro aparecer.

Assim foi até que no sábado, por um descuido no portão, eles acabaram brigando de novo. O Zeca mordeu a Renata e me beliscou com a boca, porque pra separar a briga, eu peguei o Fernando no braço.

Mesmo com isso tudo, era muito dificil ter que deixá-lo ir embora, apesar de, dessa vez, ser inevitável. Ia ser muito dificil, ou impossível, que os dois se entendessem novamente como antes. E aquela situação já estava insustentável há muito tempo, a gente que continuava insistindo.

E então que a minha mãe arranjou uma pessoa que ficou interessada no Zeca. Quando ela me ligou pra avisar que ele iria buscá-lo no dia seguinte, foi um baque. De repente, caiu a ficha que o Zeca ia embora mesmo. Nesse dia, quando cheguei em casa, sentei no sofá com ele e ficamos conversando. Falei tudo isso que eu escrevi ai em cima e que tínhamos tentado de tudo pra que ele ficasse conosco, mas que não tinha jeito. Aquela situação já não era mais segura nem pra eles e nem pra gente. E muito menos pras pessoas com quem eles não estão acostumados. A única saída era que a gente deixasse que ele fosse embora, ser criado por outra pessoa, em outra casa. Dessa forma, todos estaríamos bem.

A chance de ele ter entendido tudo o que eu quis dizer pra ele é quase nula, mas pelos gestos e pelo olhar dele, tenho certeza que ele entendeu e tava sentindo a mesma coisa que eu. Ele tava com o semblante triste e muito carinhoso, parecia que queria aproveitar os ultimos momentos que passaríamos juntos…

Eis que chegou a hora da despedida. Levamos o Zeca pra perto do amigo da minha mãe e, por incrível que pareça, ele não estranhou nada. Simpatizou imediatamente com ele. Ao ver isso, fiquei muito mais tranquilo. Curiosamente, o Zeca tava muito calmo, não estranhou nada em nenhum momento. Colocamos ele no carro e ele continuou tranquilo.

Jamais pensei que fosse me apegar tanto a cachorros como me apeguei ao Zeca e ao Fernando. Chegar em casa e vê-los pulando de alegria, com o rabinho balançado, lambendo, cheirando é um negócio que não tem preço. Cachorro faz muita besteira, roer o que não devia, fazer sujeira etc. Mas o que é um chinelo, uma peça de roupa na frente daquela carinha de danado, a linguinha pra fora e o rabinho balanaçando?

2012-12-27 08.35.09

***

Esse texto foi escrito há cerca de 6 meses. No dia anterior ou no mesmo dia em que o Zeca foi embora, não lembro bem.

Ainda hoje sentimos muita saudade do Zeca. Os dias seguintes à ida dele foram muito dolorosos, a Renata chorava muito, queria traze-lo de volta… Mas, infelizmente, não era possível mesmo. O amigo da minha mãe que o levou disse que no dia seguinte, de manhã cedo, o Zeca estava do lado do carro, como se dissesse “tá bom, já pode me levar pra casa” :~~~~

As notícias que tivemos do Zeca é que ele está bem, se adaptou à nova família. Dizem que ele é muito dócil e carinhoso com as pessoas da casa, muito ativo e alegre e muito atento com qualquer barulho.

Talvez fosse possível nós fazermos uma visita pra ele, pra matar as saudades, mas acho que não seria bom pra ele e nem pra nós.

E assim vamos indo, lembrando dele todos os dias.

 

 

Neymar é mágico

O Neymar só pode ser mágico. Mas não estou falando sobre futebol.

Como ele consegue usar o iPhone mesmo estando bloqueado!?

Confira aqui

 

Vontade de escrever

Com as redes sociais e esse super compartilhamento do dia-a-dia, é preciso tomar cuidado pra não ser contaminado pelo mau humor dos outros. É que a moda é só reclamar o tempo inteiro, ostentar disturbios piscológicos, se vangloriar de tomar remédio tarja preta, etc. Vai ver é puro conservadorismo da minha parte, mas tomar remédio tarja preta é coisa séria.

Talvez pra se sentir parte de um determinado grupo, a pessoa acabe se anulando e fazendo coisas que não faria na vida real, como puxar o saco de alguem ou diminuir alguém. E como as coisas tomam na internet tomam proporções totalmente exageradas, o que se tem são pessoas que mal se conhecem brigando por uma coisa que nem sabem o que é (na verdade, essas brigas são como rituais de iniciação nos grupos) e pessoas denegrindo outras a troco de duas ou três piadocas. Não vale a pena.

Como disse o Izzy Nobre, a internet bota uma lente de aumento no pior lado das pessoas.

Outra coisa que alguém falou também é que se você é daquelas pessoas que fala tudo o que pensa, você não é franco, é só mal educado mesmo. Tenho exercitado isso todos os dias. Há pessoas que eu morro de vontade de dizer um monte de coisas, de humilhar mesmo, mas não digo porque não fui perguntado e porque não tem o direito de deixar ninguém mal. É uma coisa tão básica, mas um pouco difícil de cumprir.

Só que quando a gente olha bem pra pessoa, a gente vê que tá tão acima em tantos níveis, que só isso já basta. Importante: o regozijo é interno. Não pode ser posto pra fora porque ai você perde o jogo. Eventualmente, tudo isso acaba se transformando numa espécie de pena. É bom e é ruim. É bom porque é bom. Mas é ruim por causa da soberba que isso causa. Não gosto desse papo de humildade, mas não dá pra ser arrogante o tempo inteiro. É um exercício diário.

Mano, quê que eu to escrevendo!?

O vazamento do Coubiz continua…

Já tá batido e etc, mas volto ao assunto só porque é importante.

Fiz dois posts onde mostrei que o site de compras coletivas Coubiz utiliza os dados de clientes para fazer spam de terceiros (Entenda como o Coubiz fornece seus dados pessoais para terceiros sem sua autorização e O silêncio do Coubiz).

Depois dos posts, os spams do Japamix pararam de chegar. Mas outro dia recebi um email do Amazonas Shopping. Nunca me cadastrei em nada de lá, acho que nunca acessei o site de lá, então não era possível que eles tivessem meus dados.

Dessa vez, o spam até que veio bem disfarçado, usaram um email com o domínio do Amazonas Shopping e tudo. Só pecaram no link pra se descadastrar (daquilo onde você nunca se cadastrou), que é da imanaus.com.br.

Meu interesse pela coleção outono inverno 2012 da Anne: -55

No final tem o link pra descadastrar o email do mailing e a revelação de como eles chegaram até você.

Aqui em cima, o endereço pra onde o link aponta

E pra fechar com chave de cocô, olha o que tem no final do email.

"Somos contra o spam" sei...

 

Disk MTV 1997

Bleed, do Soulfly, foi a primeira música (ou o primeiro single) que o Max apresentou depois de ter saído do Sepultura. O clipe é cheio de frases afirmativas (“I got my pride”, por exemplo) que eu acho que eram recados pro Sepultura (principalmente pro Iggor).

E o título do post é porque em 1997, assistir à MTV era a única maneira de ouvir músicas que não eram mainstream. O mp3 ainda era um embrião e não era a coisa mais fácil de achar. Outra opção pra ouvir essas músicas era emprestar os cds de quem tinha, comprá-los (o que não era uma opção) ou ir no site da Som Livre e ouvir um preview de alguns segundos.

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