Marrakech: a aventura

A aventura em Marrakech

Depois de bastantes horas de atraso em Madrid, mas devidamente acomadado em um hotel com direito a jantar e tudo, cheguei em Marrakech às 5 da manhã.

É, não poderia ser pior.
O pior horário pra se chegar numa cidade desconhecida quando ninguém espera por vc é a noite.

Quando eu saí do avião, o clima estava agradabilíssimo, uns 20 graus, todos passaram pela imigração tranquilamente – ser barrado no Marrocos deve ser o cúmulo -, catamos a bagagem e fui em direção ao saguão. Avistei uma fila de pessoas e deduzi que fosse pra cambiar – se é que essa palavra existe – e entrei na fila. Alguns minutos depois, vi que a fila desembocava em um caixa eletrônico e pensei:
– égua, como eu vou trocar meu dinheiro em um caixa eletrônico?

E vi que todas as pessoas, exceto eu, estavam segurando um cartão que devia ser o visa travel money. Olhei pro lado e vi que não tinha ninguém nos balcões pra fazer a troca.

Excelente, vou ter que esperar amanhecer!
E lá fui eu me sentar e esperar o sol dar o ar de sua graça. Mas, de repente, eu vi algumas pessoas em um dos balcões, fui lá ver e tinha uma pessoa lá.

Beleza, troquei 100 euros por 1000 e poucos dirhans e fui atrás de um táxi.

Eu tinha solicitado ao albergue que fosse me buscar no aeroporto, mas como o vôo atrasou, não tinha ninguém lá, mas mesmo assim eles avisaram que o serviço custaria 10 euros durante o dia e 15 euros durante a noite. O que é um absurdo porque uma corrida da praça pro aeroporto não custa nem 2 euros.

No Marrocos, ou pelo menos em Marrakech, existem dois tipos de táxi: o petit taxi e o grand taxi. Os petit taxis são pequenos (dã) e carregam até 3 passageiros e são Unos, Fiat C147 (é sério!), Peugeot 206 antigão, Clio antigão e outras velharias. No entanto, os petit taxis são mais baratos e têm taxímetro (apesar de os motoristas se recusatem veemente a ligá-lo). Os grand taxis são mercedões velhos (eu vi alguns novos também) que carregam até 5 pessoas e não têm taxímetro. Os preços são combinados antes do trajeto. Ou não. E, claro, são bem mais caros que os petit taxi. Um trajeto de 12 dirhans num petit taxi sai por uns 50 dirhans no grand taxi.

Pois bem, quando eu sai do saguão do aeroporto, fui logo assediado por um taxista que perguntou se eu queria taxi. Eu respondi que sim e disse petit taxi. E ele confirmou: petit taxi. O problema era que o petit taxi dele estava estacionado a uns 20 metros dali e na nossa frente só havia grand taxis. E claro que, como brasileiro que sou, pensei que ele queria me passar a perna, mas ele não sabia que enquanto ele ia com a menta eu voltava com o chá. E eu bati o pé e falei: petit taxi. E ele novamente confirmara petit taxi e apontara pra sua caranga lá adiante. Chegou outro cara, e eu falei que não queria um grand taxi e esse cara disse que não era grand taxi, que era petit e que era pra eu seguir o taxista com quem eu estava falando. E de repente eu entendi a situação, me desculpei e fui rumo ao petit taxi do cara. É importante observar que essa conversa se deu muito precariamente, já que os Marroquinos não são experts no inglês e eu não falo francês e muito árabe.

Entrei no táxi e fui rumo ao desconhecido. Logo na saída do aeroporto havia uma espécia de outdoor com a foto do rei. E isso é uma coisa louca. Tem foto do rei em todo lugar, do rei com a família, do rei com o filho. Essa devoção a um rei hoje em dia, é muito esquisita.

Dei o endereço pro taxista e a gente foi rumo ao albergue, eis que um momento ele pára o carro e diz: tá aqui a rua, é por aqui. A rua era muito estreita e não passava um carro aí eu tinha que seguir a pé. É, seguir a pé por aqueles labirintos e sem conhecer nada!

Desci do taxi, tirei minhas coisas e fiquei lá com aquela cara de cu, sem saber pra onde ir. Então segui em frente, desesperado, sozinho, de madrugada e com todas as minhas coisas no Marrocos.

Pausa para um drama: eu realmente estava desesperado, com o cu na mão pois eu não sabia pra onde ir e como eu moro no Brasil, estava com medo de ficar até sem as cuecas.

Segui em frente e achei um bifurcação, escolhi um lado e continuei andando, me deparei com um corredorzinho muito escuro e decidi voltar correndo e muito desesperado. Decidi que ia dar 50 dirhans pro taxista pra ele me levar até a porta do albergue. Mas quando eu ia voltando pro lugar onde ele me deixou, ele ja tava indo embora, eu ainda gritei, mas nada…

Então decidi ir pelo outro lado da bifurcação, e fui seguindo o caminho, procurando o maldito número 80, quando de repente, ele surge na minha frente. Muito agoniado, eu checo pra confirmar e tava lá a placa na porta “Equity Point”. Comecei a bater freneticamente na porta e tocar a campainha. O cara veio, abriu a porta, e uma imensa alegria invadiu meu coração! Na verdade, eu tinha decidido que se mesmo que aquele não fosse o albergue que eu tava procurando, eu ia ficar por lá de qualquer jeito.

Expliquei pro cara que eu estava muito agoniado, que tinha sido uma aventura chegar até lá e que no Brasil não se anda a noite por lugares como aquele e ele não entendia do que eu tava falando.

Comecei a preencher a ficha e etc, quando mais umas pessoas bateram na porta e entraram do mesmo jeito que eu, muito aliviadas por terem encontrado o lugar e falando: “caralho, ainda bem que a gente encontrou. Eu tava desesperada”. Mais brasileiros! E mais, estávamos no mesmo vôo!!

Na verdade, essa a primeira impressão errada sobre o Marrocos, depois eu descobri que pelo fato de ser um país islâmico, pode-se andar tranquilamente pelas ruas. Coisa que é muito boa, pois eu me perdia muito e, de vez em quando, andava por umas quebradas bem estranhas onde eu não via nenhum turista, mas não tive problema nenhum.

to be continued

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Sobre Arlen Nascimento
26 anos, Manaus.

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