Aventura em Baltimore

Cheguei em Baltimore hj pra conferência. Depois do almoço, resolvi dar uma volta pra
conhecer a cidade já que eu só fico aqui até quarta. Primeiro fui no banco trocar uns
traveler cheques e depois a minha intenção era ir até o porto, que é tipo um pier,
o inner harbour.

Blza, fui andando pra frente, em um momento eu vi um mapa no meio da rua, dei uma conferida
e conclui que eu tava no caminho certo. E continuei andando pra frente.

Depois, de algumas quadras, as ruas começam a ficar mais desertas e eu fico um pouco
cabreiro, mas de vez em quando tem umas pessoas nas ruas e etc. Blza, continuei andando.

Mais algumas outras quadras na frente, as pessoas que estão pelas ruas vão mudando. O
número de pessoas brancas vai diminuindo muito, dava até pra contar nos dedos.

E minha consciência falando: volta, arlen. Eu só dar meia volta. Mas não, continuo
andando.

Mais outras quadras depois, eu percebo que eu estou num gueto! Nas quebradas, mesmo!
Sabe aqueles cenários de filme? Pois é, era igualzinho. Dava pra contar nos dedos o número
de pessoas brancas e elas rareavam cada vez mais. E eu ficando preocupado. Vez por outra,
aparecia um rosto simpático e eu tinha vontade de chegar com a pessoa e dizer:
meu senhor, eu tô perdido, me tira daqui? Mas, não, eu inteligentemente continuava andando
pra frente.

Não é preconceito, nem racismo. E eu não tavam com medo do lugar pelo fato de as pessoas
serem pretas. Eu tava com medo por causa jeito das pessoas.

Como eu já falei era igual filme. Aqueles negões estilo gangsta conversando na frente de
uma casa e quando eu passava, eu sentia os olhares de what da fuck? Porque, melanínicamente
falando, eu sou bem diferente deles…

Daí tomei uma decisão: entraria no primeiro táxi que aparecesse. Grande idéia, Arlen!
Mas… cadê os táxis?

Mermão, não passava um táxi, não passava um ônibus, não passava nem uma melancia aberta!!
hehe

E de vez em quando, eu cruzava com um caboco altamente barra-pesada. Por umas duas ou três
vezes, eu apenas esperei ser assaltado ou coisa bem pior… mas, thanks god, era tudo
paranóia da minha cabeça doente.

Mas acompanhe comigo: eu passava por um grupo, quase que imediatamente, um outro cara la na
frente, olhava pra trás e balançava a cabeça pra alguém do grupo que eu acabara de cruzar.
Quem não pensaria no pior? Quem? E parece uma coisa, porque o cara que tinha balançado a
cabeça, meio que vinha em minha direção como se quisesse bloquear o meu caminho. E, repito,
isso não aconteceu só uma vez, não!!

É claro que todo mundo que olhava pra mim, sabia que eu tava perdido, mas na minha cabeça,
se eu desse meia volta e viesse pelo mesmo caminho, ia ser bem pior… e continuei
andando… Pegar uma rua tranversal e voltar por outra, nem pensar! Pois as ruas
transversais eram bem mais sinistras que a que eu tava andando… and keep walking…

Até que a paisagem mudou um pouco, não se tinham mais casas, apenas uns galpões e a rua
tomou proporções de uma highway e ao fundo, era possível ver uns containers.

Ah sim, durante todo esse percurso, eu ainda pretendia pegar o táxi. Mas, como, se não
passa táxi?

Pois é, como a rua era bem mais movimentada, decidi parar no ponto de ônibus
e ficar esperando. Apesar de a rua ser movimentada, o lugar era totalmente deserto.

Ah, eu falei que eu tinha ido no banco, né? Pois é, eu tinha nada menos que 400 dólares no
bolso!! E a câmera no outro! Um pouco antes disso, eu já tinha tirado o cartão de memória
da câmera e guardado num bolsinho. Agora eu peguei o dinheiro que tava no bolso e coloquei
dentro da cueca! E deixei a câmera e o celular como cortesia, mesmo…

Espera, espera, espera e de repente vem se formando no horizonte a imagem de um ônibus – o
mais glorioso obejto do universo naquele momento até então… – e quando eu, todo
serelepe, quase que ajoelho pro ônibus parar, eu leio no lugar do destino: not in service…

Espraguejei toda a geração do motorista e do ônibus, mas continuei lá, firme.
E lá vem mais dois ônibus e… not in service… pqp!

Mais alguns minutos e lá vem um táxi e logo atrás um ônibus. Claro, eu preferi pegar o
ônibus e adivinha? Mifu… o ônibus tava not in service e quando o taxista passou por mim
ainda deu uma buzinada…

Concomitantemente ao táxi e ao ônibus quem dobra a esquina que ficava a cerca de 10 metros
da parada? Um marmanjão, todo rasgado, andando naquelas bicicletinhas bmx. Neste momento,
apenas esperei ele me abordar e entregar as minhas coisas pra ele… sério…

Fiquei lá, com um olho no peixe e outro na gato, enquanto ele vinha pedalando alegremente
em minha direção. Ele, claro, deu uma olhada de what da fuck e continuou. Fiquei levemente
aliviado, até que 17,5 ms depois eu ouço o pé dele arrastar no chão parando a bicicleta.
– Game over, pensei…

Ele ficou lá parado, meio de costas pra mim, eu fiquei olhando de canto de olho pra ele
e ele pra mim. Ele colocou a mão no bolso, tirou umas paradas e começou a fazer
alguma coisa com as mãos. Fiquei manjando um pouco mais e percebi que o puto tinha parado
pra fazer um cigarro de maconha no meio da rua às 3 da tarde!!!

Aí, meu amigo, haaaaaaaja coração!!!! Vou te contar, viu?!
Quando eu percebi que parou ‘só’ pra confeccionar o seu cigarrinho do capeta, confesso
que fiquei 16% mais tranquilo, mas vá saber, né?

Só sei que foram uns 10 minutos da mais pura tensão. O mais louco era que o cabra
não se fazia de rogado. O pessoal que passava de carro dava umas olhadas sinistras, teve um
senhora que passou e ficou falando umas coisas, só deu pra ouvir ‘smoking’

Passaram mais alguns táxis que estavam ocupados e passou um corno que não parou!!

Até que veio um táxi amarelinho, lindo, maravilhoso, confortável, com um motorista
simpático. Traumatizado, disse pra ele me levar direto pra casa, a corrida custou 10
dólares e mais um tip de 3 dólares. Eu achei barato pra distância. Mas, podia custar até
50 doláres que eu nem ligava…

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Sobre Arlen Nascimento
26 anos, Manaus.

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