Consultoria para jovens de periferia

Estou lançando um serviço de consultoria para jovens de periferia. E o melhor: é de graça.
O objetivo é orientar esses jovens a ter uma postura menos periférica, contribuindo assim para a erradicação do conceito prévio em relação a essas pessoas.

No mundo de hoje, vivemos com medo e é inevitável dar aquela acelerada nos passos quando percebemos que tem uma pessoa, digamos, mal encarada muito perto. Mal encarado é um conjunto de características que vão da roupa a maneira de andar.

Muitas das vezes, nao se trata de um ladrão, mas por vários fatores, assumimos uma posição defensiva por questão de segurança.

Mas, como evitar esse comportamento pré-conceituoso das pessoas? É disso que esse post trata.

– Acredite: a sua bermuda de tactel multi-colorida e o seu abadá verde-marca-texto do Manaus folia só fazem com que as pessoas tenham medo de você. Tenha em mente que abadá é ingresso.
E o que fazer com os abadás depois da festa? Sei lá eu. Jogue fora ou utilize apenas em casa pra lavar o carro, pra carregar pedra, pra capinar o quintal. Mas jamais use na rua!!

Hoje em dia, 70% das bermudas do mercado são de tactel. E eu acho isso uma merda. Bermudas de tactel são mais fáceis de lavar, são mais leves, são mais arejadas, mas não são bermudas de verdade. Até existem algumas boas bermudas de tactel, que são aquelas que conservam apenas algumas características do tactel.

Voltando. Bermudas de tactel foram feitas para surfistas pegarem onda. E só. Mas a moda se alastrou por aqui de um jeito, que eu vou te contar. Mas como tudo pode piorar, existem umas bermudas bizarras multi-coloridas. Uma perna verde e outra perna vermelha, estampa xadrez nas cores laranja e azul-calcinha. Eu gosto de cor. Talvez eu tenha uma camiseta de cada cor do espectro visível, mas apenas uma cor por camisa. Enfim, as bermudas da seaway estão aí e não me deixam mentir. O pior é que algumas dessas bermudas chegam a custar 200, 300 reais…
O posicionamento da bermuda também é importante. A menos que você seja cantor sertanejo, você não gosta de roupa apertada. Beleza, mas não é por isso que a bermuda precisa bater no tornozelo.
A conclusão em relação as bermudas é: até use bermudas de tactel, mas esqueça as multi-coloridas.

– As camisetas também merecem um aparte. Prefira as camisetas lisas de meia ou pólos. Estamos em 2008, portanto, esqueça o listrado! Em alguns casos o listrado vertical até vai, exceto se você for gordo. Importante: se você é gordo, extinga qualquer tipo de roupa listrada do seu guarda-roupa. Calça xadrez? Os anos 80 já passaram há quase 30 anos…
As camisetas da pena são uma bizarrice só. Vários desenhos desconexos que parecem uma tribal. Evite.

– Boné
O boné deve ser usado pra frente ou pra trás. Nunca – eu disse nunca!!! – pros lados, a não ser que você seja retardado ou emo, que no fim das contas é a mesma coisa.
O posicionamento do boné também é importante. A aba do boné deve estar o mais perpendicular possível da sua testa. Formar um ângulo agudo entre o boné e sua testa e, de quebra, mostrar o topetinho é deplorável. Abaixo algumas fotos pra ilustrar.

maneira errada

boné: maneira errada

maneira correta

boné: maneira correta

mostrando o topetinho

boné, maneira errada: mostrando o topetinho

– Roupa falsificada
Usar uma camiseta de R$ 10 da Riachuelo ou C&A não é vergonha. Eu só uso dessas. Brega e ‘pobre’ é usar roupa falsificada.
Se ainda fosse uma falsificação perfeita, seria apenas feio, mas falsificações grosseiras são bizarras. Por quê usar uma Lacoste ou uma Tommy que todo mundo vai saber que é falsificada? Por status é que não é.
Usar roupa barata não é feio, feio é usar roupa falsificada.

– Modo de andar
Ande que nem gente. Mantenha uma postura ereta: peito pra fora, barriga pra dentro. Evite o andar típico do galeroso: não abane a bunda com os braços.
Levante os pés ao andar: não ande arrastando os pés, você tem força pra tirar os pés do chão completamente a cada passo, acredite em mim!

Maneira incorrenta de andar

Maneira incorrenta de andar

– Cabelo
A última moda nos salões da zona leste de Manaus é o moicano com luzes. Isso mesmo: moicano com pitadas loiras. Em priscas eras, o moicano já representou sei lá o quê, mas hoje é um forte indicativo de que você mora na zona leste. Na verdade, os moicanos não são tão populares assim, mas luzes é o que há por aqui.
Esqueça o topete: sei lá que porra de moda foi essa, mas há alguns anos a febre era pentear o cabelo pra frente e ter um topetinho na frente. Esse topete tinha o carinhoso apelido de alça de boquete. E como tudo que é ruim sempre piora, adivinha? Inventaram de pintar o topete com água oxigenada e amoníaco. Só o topete. É, lindo…
Vai pintar o cabelo? Beleza, mas pinte todo o cabelo todo. Opte por cores menos comuns: vermelho, azul, verde, sei lá.

– Acessórios
Outra febre aqui é o colar de macumbeiro. Colares com ‘bolinhas’ do tamanho de um côco. Ok, do tamanho um limão. Coisas absolutamente ridículas. Jogue fora!

– Tatuagem
Eu não tenho nada contra tatuagem, mas também não tenho nada a favor. Mas se for fazer uma, escolha bem e faça num lugar bom. Custa caro, eu sei, mas vai valer a pena. Abomine as ‘tatuagens verdes’ (copyright de uma colega de mestrado) com desenhos de coração sendo atravessado por uma flecha, suástica (eu já vi!), flores e etc.

– Coçar o saco
Coçar o saco, ao contrário do que você possa pensar, não é um sinal de que você é um macho-alfa, é sinal de que você é seboso. Ok, às vezes realmente coça e é necessário dar uma coçada, mas dê uma disfarçada, saia de canto e resolva o problema.
Ás vezes eu tenho a impressão de que a coçada no saco é um tipo de corda que a pessoa tem que dar pras suas funções vitais continuarem em ordem.
Mas, como tudo que é ruim sempre piora, existe um grupo de pessoas que simplesmente não tira a mão do saco. Tem coisa pior? Claro que tem: mão no saco e cusparada

– Tirando fotos
A inclusão digital é a principal ‘culpada’ por esse capítulo. É claro que é uma coisa boa e bla bla bla, mas basta dar uma olhada no orkut pra saber o que eu tô falando.
Prefira fotos na horizontal, no máximo na vertical. Esqueça as diagonais.
Pare já com esse negócio de tirar foto de cima pra baixo coladinho com os seus amigos.
Fotos no banheiro do shopping também não são legais.
Abro um pequeno aparte para os nicknames. Olhe para o seu teclado. Tá vendo as letras e os números? Pois é, se atenha a eles! Ignore qualquer outro símbolo que não possa ser pronunciado como estrelinhas, o símbolo copas do baralho e muitos outros que o orkut disponibiliza. Traços e underscores são toleráveis.
Esqueça os ‘inhas’, os ‘ãos’, o ‘srta’, o ‘mr’, o ‘sr’.
Se você precisa criar um login, não cogite compô-lo com sua idade ou o ano corrente, prefira seu nome e sobrenome do que leozinho_manaus_16 ou bb_gatinha_2008

– Faça a barba
Ou tire a barba inteira ou a deixe inteira. No máximo um cavanhaque. No máximo.
Mas, jamais – jamais!! – deixe o famigerado bigodinho colombiano.
Esse bigodinho acontece no início da puberdade, é composto de apenas de fiapinhos mas causam um efeito tenebroso.
Eu sei que a primeira vez que o bigodinho é tirado, fica um negócio meio esquisito, a cara fica lisa, sei lá. Mas no final do dia você já se acostumou e ainda ganhou pontos com as suas coleguinhas que você quer pegar.
Falando em pelos, mantenha-os em ordem. Raspe ou apare os pêlos do sovaco de quando em vez, não é viadagem, é higiênico. O mesmo vale pros pêlos mais abaixo.

– Aperte a mão que nem homem
Homem que é homem aperta a mão das pessoas que ele cumprimenta. Mão mole é uma merda. Mas, pior do que mão mole é a batidinha.

Aperto de mão de idiotas

aperto de mão de idiotas

Bom, eu acho que com essas singelas dicas, você vai ser melhor recebido nos lugares e vai sofrer menos com o conceito prévio que as pessoas possam fazer de você. Claro que imagem não é nada sede é tudo, mas se apresentar bem e ter uma boa postura é fundamental.

Anúncios

Até onde os velhos merecem respeito?

Hoje eu tava na parada de ônibus quando o meu ônibus chega.
Pra mim, entrar primeiro no ônibus é uma questão de honra. Quando eu sou dos últimos, eu fico deprimido, sei lá.

Enfim, quando eu estava me dirigindo a porta – e seria o primeiro, talvez o segundo -, veio uma velhota correndo e acotovelando todo mundo, dizendo: ‘peraí, peraí, que eu sou da terceira idade’.
Ok, eu faço isso, mas eu não uso a deculpa de ser da ‘terceira idade’ pra fazer isso. Eu faço porque eu sou grosso e mal educado. Ponto.

Dentro do ônibus, enquanto me dirigia ao lugar escolhido, a velharada já estava toda abancada no parte traseira e uma delas dizia pra um outro velhinho ‘senta ali, senta ali na parede. Ei, moço – falando comigo -, deixa ele sentar aí na parede’. Fiquei puto e nem olhei ao redor, simplesmente me dirigi a outro assento.

Afinal, por quê que a gente tem que respeitar os mais velhos mesmo quando os mais velhos não respeitam a gente? Por que não é uma via de duas mãos? O ‘simples’ fato de ter mais idade que eu, imputa a ele o direito de importunar outras pessoas?

Com certeza, não. Mas experimente responder pra um desses cidadãos… é pedir pra ser achincalhado, chamado de mal educado, de ‘esses jovens hoje em dia não respeitam ninguém, não…’.

Poço de sabedoria? experiência? Sem hipocrisia, por favor…

Voltando aos velhotes. Eu realmente devo respeitar uma pessoa que tem menos de 65 anos e que pega a fila pra maiores de 65 anos no banco?

É a mesma coisa que dar o lugar pra grávida. Falando sério, o que eu tenho a ver com a gravidez dos outros? Não são as próprias grávidas que alardeiam que ‘gravidez não é doença, muito pelo contrário’? Ok, eu imagino o quanto deve pesar aquela pessoinha lá dentro, mas…

Sim, é puramente egoísta. Mas eu não acredito muito em pessoas altruístas…

Chega de fru-fru

Eu, como um profissional de ciência da computação, acho esse estardalhaço todo em cima da ‘web 2.0’ uma palhaçada. É uma tentativa de transformar uma ciência exata em uma ciência humana e enchê-la de teses inúteis sobre ‘comportamento’, ‘mídias sociais’ e qualquer outra coisa que o pessoal do marketing inventou.

A primeira vez que eu ouvi falar na web 2.0 foi no ‘sun tech day’ – não vá pra esse evento – de 2006 – não tenho tanta certeza -. A ‘web 2.0’ me foi apresentada lá como apenas um conceito, e o maior representante desse novo conceito era o AJAX.

O AJAX, de fato, é uma revolução. Apesar de ter tirado um pouco da deliciosa crueza da internet (leia-se html). O bom é que a página não precisa mais ser recarregada pra coisas simples como uma consulta de cep.

O problema mesmo são os geniozinhos por trás das idéias ‘inteligentes’. Eu posso visualizar uma reunião cheia de pessoas engravatadas com gel no cabelo babando termos prolixos para as coisas mais simples do mundo como html, javascript, ip, browser e etc.

Aliás, aproveito esse post pra falar da famigerada TI. Esse termo é outra palhaçada. Jamais me xinguem dizendo que eu sou de ‘TI’. Não, eu não sou de ‘tecnologia da informação’, eu sou de computação, porra!!

TI pra mim é aquela pessoa que trabalha de roupa social e gravata criando conta no windows server e que tem que tirar 10 certificações da Microsoft pra configurar um servidor dhcp…

É claro que isso é uma visão extremamente preconceituosa da minha parte, mas TI pra mim é burocracia, é ‘metodologia’, ‘scp’, ‘iso’, ‘pqp’, ‘fdp’ e várias outras siglas que o pessoal de engenharia de software (as humanas da computação :P) inventou.

Pra mim, computação é o oposto disso. Computação é bermuda, camiseta, chinelo e fone de ouvido. Computação é sábado, domingo e ver o dia amanhecer. Computação é cortar pizza com tesoura sábado a tarde na universidade (não é mentira!) e x-salada.

Eu sei que, fatalmente, eu vou cair nesses escritórios de TI, mas que eu vou fazer todo o possível pra que não. Não tenha dúvida!
A parte da web 2.0 foi inspirada nesse post

Muito ocupado

Taí uma coisa que me irrita: o status de ocupado em instant messengers. Se o cara está realmente ocupado, por quê ele não desloga?

Mas, não. Ele vai lá e coloca o status de ocupado e ainda escreve uma mensagenzinha ‘realmente ocupado’, ‘muito ocupado mesmo’, ‘só se for muito importante’. Pra quê isso?

Se eu quero falar com a pessoa, seja o assunto que for, eu ignoro completamente o status e falo mesmo. Mas isso não significa que quem esteja online esteja desocupado, mas é que se você estivesse realmente muito, muito ocupado – na minha opinião – você não estaria online. Simples assim.

Mas tem outra coisa que me irrita mais que ficar com status de ocupado: aparecer offline. Eu acho isso de uma falta de consideração, sei lá porque, mas eu acho. É injusto o fulano poder ver as pessoas e falar com elas mas elas não poderem falar com fulano! Fica offline, oras!

Apesar de o gmail permitir que você apareça offline, ele também permite que você fale com pessoas que estão aparecendo offline. Aí, sim! É só colocar o mouse em cima do contato da pessoa e escolher ‘send offline chat’ e conversar com o mau caráter! 😛

Amazonino comeu merda

Eu não sei o que se passa com Amazonino. Deve ser o desespero de ver a prefeitura se esvaindo das suas mãos…

No primeiro turno, o Amazonino teve o dobro dos votos do Serafim. A lógica é que, no segundo turno, o primeiro colocado somente administre a vantagem (como é o caso de São Paulo. Kassab só na manha e Marta desesperada).

Mas aqui não. Quem faz o papel de segundo colocado é o Amazonino! Serafim só administra e mostra as coisas que fez.

É muita burrice do Amazonino dizer que a UTI de uma maternidade não existe e mostrar uma escola desativada por um pupilo seu (Carijó) como uma escola em pleno funcionamento.

No outro dia, claro, o Serafim foi lá e mostrou a UTI funcionando e mostrou que a escola estava desativada e que estava prestes a ser demolida. Eu imaginei a cena de o Serafim colocando uma florzinha no túmulo do Negão.

Eu não nutro nenhuma simpatia pelo Serafim – e por nenhum dos outros candidatos a prefeito -, mas convenhamos que a melhor escolha, dentre todos, é o Serafim. Eu acho que Manaus poderia estar muito melhor. Todos os viadutos já poderiam estar prontos e a cidade asfaltada. E também até hoje ninguém explica como uma pessoa não consegue 5 mil votos pra ser vereador e consegue 100 mil pra ser deputado federal…

Sobre o seqüestro em Santo André

Eu não sei porque esse seqüestro se estende por todo esse tempo. Por um motivo imbecil, o idiota lá está há 4 dias com a ex-namorada de refém. Se fosse eu no comando, já tinha mandado ‘sentar o dedo nessa porra’.

Não é possível que não exista um sniper que não consiga dar um headshot nesse rapaz, mesmo com pouca ou nenhuma visibilidade

%d blogueiros gostam disto: