Pelo direito de falar mal

O mundo passa por um processo de pussyficação cada vez mais intenso. Tudo tem que ser dito em termos politicamente corretos. Hoje não existe mais gordo, mas sim aquele que está acima do peso. Não existem mais desempregados, mas os ‘disponíveis no mercado’ (sério, eu vi na TV). Enfim não podemos mais chamar as coisas/pessoas pelo nome, sempre tem um termo mais ‘adequado’, menos ofensivo.

E nisso, também entra o direito de falar mal. Falar mal de qualquer coisa é um direito de todos. Obviamente, há de haver limites, tanto por questões de bom senso quanto por questões legais.

Vejamos, há umas semanas, uma grande polêmica tomou conta da internet. O blog Resenha em 6 publicou uma resenha (tiraram o original do ar), nada elogiosa, sobre o Boteco São Bento. Pra quê? Quase 1000 comentários (QUASE MIL COMENTÁRIOS), um deles seria do dono ameaçando o autor de processo, que foi o estopim da história toda.

Em questão de um ou dois dias, a história bombou na internet e mereceu reportagem de grandes portais, o que alavancou ainda mais a história, tirando-a do gueto da ‘blogosfera’ (que termo detestável!). Concomitantemente, criou-se, de forma não intencional (com ou sem hífen, você decide), um google bomb e uma busca por ‘boteco são bento’ retornava a resenha já nos primeiros resultados. Um tremendo tiro no pé do(s) dono(s).

E qual foi o ‘crime’ do blog? Dizer que lá não era um lugar legal, que o chope era ruim, que tudo era caro e que o atendimento era ruim. Uma opinião de quem foi e não gostou. O cara estava apenas exercendo o seu direito de falar mal. Mas se transformou no bolo fecal supracitado.

Pois bem, o assunto do post. Pelos comentários é possível encontrar coisas do tipo, ‘ah, mas vai ver você foi em um dia ruim’, ‘ah, você não sabe como é a vida de um garçom, eles trabalham muito’, ‘ah, mas você foi lá uma vez e já falou mal!’, ‘ah, você não pode sair falando mal por aí de uma coisa que você não conhece’. Imagino que a vida de um garçom seja dura e é realmente possível que aquele tenha sido um dia ruim no bar. Paciência, life sucks, já dizia o poeta. O que importa é que no dia em que eu fui, não estava bom e eu não gostei. E só sendo rico ou maluco pra gastar dinheiro de novo em uma coisa que você sabe que não gosta.

No Coma Bem Manaus (meu blog de resenhas de restaurantes), já recebi comentários desse tipo ‘ah, vai ver era troca de garçons e eles também tem direito de errar’. Ok, eles também tem direito de errar, mas os 10% na conta não falham! Repara só.

Chega dessa patrulha chata dos politicamente corretos.

ps: Tudo bem que o post e o título ficaram levemente distoantes.

 

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