A primeira vez que eu ouvi Nirvana

Não lembro a data, mas devia ser por volta de 1997. Lembro apenas que a versão do Winamp era aquela antigona, preta e verde. E que também foi na explosão do formato MP3. Eu não sou tão velho assim, tenho 25, então em 1997, eu tinha 12, 13.

Naquela época uma das únicas formas de se conseguir música era através de CDs mesmo, então havia um charme em comprar e ter a sua própria coleção de CDs. Havia todo um ciúme com os CDs, cuidado extremo ao colocar no som e colocar na capinha de volta. E cuidado extremo para não rasgar o encarte.

Pra quem não tinha tantas condições de comprar todos os CDs que dessem vontade, havia a instituição do empréstimo de CDs. Só se emprestava para amigos próximos e quem você sabia ser tão cuidadoso quanto você. Então a gente emprestava, ouvia bastante, matava a vontade e devolvia o CD! Pra ouvir de novo, só emprestando de novo! Ou então gravando uma famigerada fita K7! Um verdadeiro absurdo!

Falando em fita K7, a primeira vez que eu ouvi Megadeth foi numa fita K7 original! Com 11 ou 12 anos nem sabia o que era aquilo, mas lembro de ter ficado impressionado com o solo de Holy Wars… Anos mais tarde, quando ouvi Megadeth de novo, resgatei essa lembrança.

Mas voltando. Imagine só você poder músicas (qualquer música!) da internet e tê-la em seu computador! Era o futuro na sua frente! Ainda que a internet fosse discada e cada download demorar horas intermináveis…

Pois então, lembro que estava na casa de um grande amigo, e ele colocou ‘Smell like teen spirit’ pra tocar. Já tinha ouvido falar vagamente do Nirvana, sabia que a banda não existia mais e todo mundo que tocava violão sabia tocar o riff inicial de ‘Come as you are’, mas nunca tinha ouvido nada.

E começa aquela música com aquele riff seco. Fiquei interessado e perguntei o que era. Nirvana. Então é isso, aí… Achei o verso um pouco entendiante, mas em seguida veio o refrão. Pra quê? Explosão de cabeça! Que refrão era aquele, amigo? Como assim aquele cara conseguia gritar cantar daquele jeito? Um refrão empolgante, impactante e que me fez querer ouvir aquela música infinitas vezes.

E tive que me contenar em ouví-la somente quando eu ia na casa desse amigo, porque a música infelizmente não cabia em um disquete e nem dava pra gravar numa fita K7 :/

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O que é humildade, afinal?

Um dia desses aí, criei um formspring, a nova modinha da internet, onde você faz perguntas pras pessoas, anonimamente ou não.
Fui questionado duas vezes a cerca da minha, er…, humildade, ou melhor, da minha simplicidade. E apesar de todo mundo fingir que não liga, esse tipo de pergunta bate fundo no nosso ego…

A primeira pergunta veio minutos depois que eu criei o negócio e foi: Pq tu se acha o cú que matou o Cazuza?

Tirando a expressão ‘cu que matou o Cazuza’, que é ótima e vou adotar, fiquei meio sem graça com a pergunta. Será que eu me acho tanto assim, mesmo? É provável que sim. Mas não diria que é achismo, é pura timidez. Apesar de escrever muito no twitter, sou muito tímido quando estou com pessoas que conheço pouco e quando não há assuntos do meu interesse, simplesmente me calo. O silêncio que esse comportamento causa me irrita e me deixa sem graça, e gostaria de reverter isso, mas enfim, é como se fosse mais forte que eu. Paciência.

Em outras ocasiões, minha timidez já foi confundida com arrogância e falta de educação. Numa empresa em que eu trabalhava, se as pessoas não falassem ou me cumprimentassem explicitamente, eu não dava a mínima. É porque não tem coisa pior pra quem é tímido do que ficar no vácuo, é um mindgame consigo mesmo: e, se eu cumprimentar a pessoa e ela não responder? É um terror! Acredite.

Na resposta que eu dei, falei que essa arrogância era uma defesa minha por ser tímido demais em certas ocasiões. Talvez. Outra hipótese que levantei depois, é que isso pode ser uma defesa pra minha insegurança.

Outra pergunta que foi feita foi por quê tudo que eu escrevo tem um tom de superioridade. Nunca tinha parado pra pensar nisso, mas me disseram que é isso mesmo. Então, lascou-se… esse eu acho que é mais difícil de consertar…

Mas voltando ao título do post, o que diabos é ser humilde? É não abordar assuntos em detalhes em que eu sei que tenho propriedade só pra não mostrar soberba? É se orgulhar, mas em silêncio, da casa, carro, whatever adquiridos com o próprio trabalho? É ter vergonha de dizer de assumir que se é bom em determinado assunto? Ter humildade é dizer ‘eu sou muito humilde…’

Se for humilde e simples for isso aí mesmo, sorry, vou continuar arrogante.

ABS

Um dia de turista em Manaus

Hoje, dois amigos (um deles acompanhado da namorada portuguesa), que não moram mais em Manaus, estavam aqui e reunimos o pessoal pra dar uma volta pelo Largo de São Sebastião e redondezas, almoçar e passear.

Fomos até o Teatro Amazonas que se encontrava fechado para visitação até às 13 horas por conta dos ensaios do conserto de natal.

Fomos andando até a Emporiolândia – mas sempre atentos pra não atrapalhar nenhum motociclista que trafegava pela calçada – pra comprar pó de guaraná, cujo quilo custa 30 e poucos reais! Será que ‘fazer’ pó de guaraná é tão dispendioso assim pra cobrarem mais de trinta reais por um produto que é ‘feito’ aqui mesmo no Amazonas. Ou seja, é mais barato comprar bacalhau – que vem da Europa – do que pó de guaraná – que vem do interior do Amazonas.

Na volta, dobramos na Ramos Ferreira pra ir num museu (acho que era o Museu Amazônico). O portão estava encostado e fomos abrindo, no que de imediato, o guarda desponta rumo ao portão e diz, com aquela simpatia do seu Lunga, que ‘claro que o museu tá fechado!’. Claro, quem diabos vai a museus aos sábados? povo estranho esse… Além disso, Casa da Música e Casa Ivete Ibiapina fechadas com correntes!

De volta ao Largo, entramos numa loja de artesanato ali do lado. Já esperava que os preços das coisas fossem altos, mas não eram tão altos assim, tirando algumas coisas. Mas me assustei com o preço de uma garrafinha de licor de 30, 40 mL ser R$ 17! E o pacotinho de 50 GRAMAS de pó de guaraná custava 8 ou 12 reais (não lembro bem). E um frasco com cápsulas de pó guaraná que custava 18 reais. Em seguida, fomos a outra loja de artesanato, cujo donos são japoneses! Mas, pra ser justo, tenho que dizer que o atendimento em ambas as lojas foi bem simpático, o que não é comum por aqui.

Depois, fomos até o Rancho Bufalo pra almoçar. Aquele engarrafamento amigo ali no retorno do Vivaldão. Aliás, notei que o IMTU arregou a já abriu o retorno em frente aquela padaria.

O Rancho Bufalo tava parecendo o RU (dia de quinta, do lado que tão servindo peixe): uma fila absurda. Havia 15 senhas na nossa frente. Esse movimento é a prova de que em Manaus, qualquer coisa minimamente razoável faz um sucesso absurdo.

Desistimos e fomos até o Panela Cheia, que é uma casa que virou restaurante. E assim que vi o cardápio, me lembrei porque eu não vou em peixarias: é caro demais! A costela de tambaqui começa em 100 reais. Uma matrinxã assada custa 50 contos! Mas apesar disso e do calor, foi um almoço bem agradável e saboroso.

Depois do almoço, uma breve discussão acerca do próximo destino e adivinha no que deu? O único lugar pra onde amazonense sabe ir: shopping!
Fomos pra cachaçaria enfrentar aquele atendimento péssimo e os 10% do garçom infalíveis.

Depois, já a noite, voltamos pro largo pra ver como tava a iluminação.

Às vezes, eu me pergunto o que diabos esses europeus vem fazer aqui? Sem uma pessoa local, o turista não consegue fazer quase nada. Vai morrer na mão dos espertinhos e em fortunas de taxi. No Largo, que talvez seja o local mais turístico da cidade, não há placas informativas, não há posto de informações (não vi e se tem, tá mal identificado), não tem nada!

Essa é uma das sedes da Copa de 2014!
Parabéns aos envolvidos.

Impressões aleatórias sobre o mercado de trabalho em Computação

Ia colocar sobre o mercado de trabalho de TI, mas desculpe, tenho preconceito.

Esse é o meu primeiro emprego de verdade, de carteira assinada e etc. Já tinha feito dois estágios: um no começo da faculdade numa multinacional e outro no fim da faculdade numa empresa pequena. Mas foi nessa empresa pequena que alguns dos meus paradigmas foram quebrados, e às vezes é duro aceitar a realidade.

O primeiro desses paradigmas é que não importa se o software é pago, as empresas vão comprá-lo. São poucas as empresas que estão dispostas a substituir seus softwares por software livre, mesmo com que se tenha que pagar por eles. Eu vi uma empresa comprar centenas de licenças de anti-virus e centenas de licenças de windows. Esqueça aquele discurso bonito de liberdade e etc. As empresas vão comprar. Encerro esse tópico por aqui porque pretendo escrever um post sobre isso.

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O mercado das certificações é algo que me impressiona. No mundo corporativo, um certificado em qualquer merda pode ser a diferença entre um salário/cargo bom e um salário/cargo ruim. Chega a ser ridículo. Na verdade, mais ridículo são os cursos. Um curso de 10, 15 horas chega a custar R$ 2000!

Em áreas como redes, ter certificação é pré-requisito, infelizmente. E se você quiser trabalhar com redes no exterior e não tiver uma certificação da Cisco, esqueça.

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Que negócio é esse de todo mundo querer ser gerente? Se continuar desse jeito, daqui a poucos anos, vamos ter mais mandadores do que mandados. Você pode ter todas as certificações em todas as metodologias de gerenciamento de projetos e ser o melhor gerente do mundo, mas se você não tiver bons desenvolvedores e que gostem do que estão fazendo, esqueça. O seu gerenciamento e suas certificações serão inúteis.

Já falei em outro post que todo mundo deve programar, independente de hierarquia ou formação. Só estando envolvido pra entender os problemas pelos quais um programador pode passar. Tem vezes que as coisas simplesmente não funcionam sem explicação lógica. E quando chega essa hora, significa que é hora de desligar tudo e voltar no outro dia.

Com cada vez mais gerentes, cria-se a ‘necessidade’ de criar cargos pomposos para acomodar essa galera. Há um tempo tínhamos apenas a figura do engenheiro de software, hoje já temos o arquiteto também. Será que chega no decorador de software? Ok, o arquiteto pode até ter um papel diferente do arquiteto – que eu realmente não sei, por pura cabacisse, talvez.

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Eu tenho um certo abuso da palavra ‘projeto’. Não sei porque mas eu não gosto da palavra projeto. E o pior que não há outra palavra pra designar um… projeto. E adivinhe qual é a palavra mais utilizada no meio? Projeto!

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Por vezes, há foco e energia excessivas em coisas menos importantes. E não falo de outra coisa: documentação. Documentação é importante e quem já herdou um sistema cuja única documentação é o código, sabe como é foda. Mas não adianta, ninguém (ou pouquíssimas pessoas) se preocupa com isso quando está programando. E, convenhamos, o que é mais importante: um sistema perfeitamente documentado que não funciona ou um sistema perfeito com documentação porca?

Na cabeça de quem programa é um sacrilégio parar a codificação pra escrever passo por passo o que seu programa faz…

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O excesso de termos corporativos pra designar coisas simples. ‘Vamos ter uma reunião pra alinhar os interesses’. Alinhar é o termo da moda para ‘entrar em acordo’ ou ‘combinar’. Não me pergunte porquê.

Hoje não se tem mais funcionários, mas sim os colaboradores. Irritante, pra dizer o mínimo. Empresários, vejam bem, o funcionário só está ‘colaborando’ com você em contrapartida do salário dele. No momento em que ele sentir que isso está ameaçado, ele não vai mais colaborar com você.

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Quer motivar ou reconhecer o trabalho do seu colaborador funcionário? Simples, aumente o salário dele. O planeta não conhece outra forma de incentivo/reconhecimento mais eficaz. Pode perguntar. Claro que um elogio é sempre bem vindo, mas se ele vier com um dinheirinho, então…

Ou você acha que os jogadores da seleção brasileira jogam por amor a pátria?

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