Impressões aleatórias sobre o mercado de trabalho em Computação

Ia colocar sobre o mercado de trabalho de TI, mas desculpe, tenho preconceito.

Esse é o meu primeiro emprego de verdade, de carteira assinada e etc. Já tinha feito dois estágios: um no começo da faculdade numa multinacional e outro no fim da faculdade numa empresa pequena. Mas foi nessa empresa pequena que alguns dos meus paradigmas foram quebrados, e às vezes é duro aceitar a realidade.

O primeiro desses paradigmas é que não importa se o software é pago, as empresas vão comprá-lo. São poucas as empresas que estão dispostas a substituir seus softwares por software livre, mesmo com que se tenha que pagar por eles. Eu vi uma empresa comprar centenas de licenças de anti-virus e centenas de licenças de windows. Esqueça aquele discurso bonito de liberdade e etc. As empresas vão comprar. Encerro esse tópico por aqui porque pretendo escrever um post sobre isso.

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O mercado das certificações é algo que me impressiona. No mundo corporativo, um certificado em qualquer merda pode ser a diferença entre um salário/cargo bom e um salário/cargo ruim. Chega a ser ridículo. Na verdade, mais ridículo são os cursos. Um curso de 10, 15 horas chega a custar R$ 2000!

Em áreas como redes, ter certificação é pré-requisito, infelizmente. E se você quiser trabalhar com redes no exterior e não tiver uma certificação da Cisco, esqueça.

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Que negócio é esse de todo mundo querer ser gerente? Se continuar desse jeito, daqui a poucos anos, vamos ter mais mandadores do que mandados. Você pode ter todas as certificações em todas as metodologias de gerenciamento de projetos e ser o melhor gerente do mundo, mas se você não tiver bons desenvolvedores e que gostem do que estão fazendo, esqueça. O seu gerenciamento e suas certificações serão inúteis.

Já falei em outro post que todo mundo deve programar, independente de hierarquia ou formação. Só estando envolvido pra entender os problemas pelos quais um programador pode passar. Tem vezes que as coisas simplesmente não funcionam sem explicação lógica. E quando chega essa hora, significa que é hora de desligar tudo e voltar no outro dia.

Com cada vez mais gerentes, cria-se a ‘necessidade’ de criar cargos pomposos para acomodar essa galera. Há um tempo tínhamos apenas a figura do engenheiro de software, hoje já temos o arquiteto também. Será que chega no decorador de software? Ok, o arquiteto pode até ter um papel diferente do arquiteto – que eu realmente não sei, por pura cabacisse, talvez.

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Eu tenho um certo abuso da palavra ‘projeto’. Não sei porque mas eu não gosto da palavra projeto. E o pior que não há outra palavra pra designar um… projeto. E adivinhe qual é a palavra mais utilizada no meio? Projeto!

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Por vezes, há foco e energia excessivas em coisas menos importantes. E não falo de outra coisa: documentação. Documentação é importante e quem já herdou um sistema cuja única documentação é o código, sabe como é foda. Mas não adianta, ninguém (ou pouquíssimas pessoas) se preocupa com isso quando está programando. E, convenhamos, o que é mais importante: um sistema perfeitamente documentado que não funciona ou um sistema perfeito com documentação porca?

Na cabeça de quem programa é um sacrilégio parar a codificação pra escrever passo por passo o que seu programa faz…

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O excesso de termos corporativos pra designar coisas simples. ‘Vamos ter uma reunião pra alinhar os interesses’. Alinhar é o termo da moda para ‘entrar em acordo’ ou ‘combinar’. Não me pergunte porquê.

Hoje não se tem mais funcionários, mas sim os colaboradores. Irritante, pra dizer o mínimo. Empresários, vejam bem, o funcionário só está ‘colaborando’ com você em contrapartida do salário dele. No momento em que ele sentir que isso está ameaçado, ele não vai mais colaborar com você.

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Quer motivar ou reconhecer o trabalho do seu colaborador funcionário? Simples, aumente o salário dele. O planeta não conhece outra forma de incentivo/reconhecimento mais eficaz. Pode perguntar. Claro que um elogio é sempre bem vindo, mas se ele vier com um dinheirinho, então…

Ou você acha que os jogadores da seleção brasileira jogam por amor a pátria?

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Sobre Arlen Nascimento
26 anos, Manaus.

One Response to Impressões aleatórias sobre o mercado de trabalho em Computação

  1. Luiz Jr says:

    Porra!
    Achei esse post mto bom. Na verdade esses teus posts assim meio Super Sincero são bons de ler. Parece aquele negócio que a gente fica pensando quando tá se olhando no espelho e fazendo a barba, naquele silêncio e tudo mais.

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