Vamos perder tempo!

Hoje em dia é comum ouvir as pessoas dizerem toda vez que tem oportunidade que elas ‘não tem tempo pra nada’. Não gosto dessa expressão. Acho muito soberba, ‘desculpe, não tenho tempo’. Desculpe, você, não acredito em pessoas que dizem isso.

Sempre tive um grande prazer em fazer porra nenhuma. É um dos meus hobbies, ficar em casa, deitado na cama, olhando pro teto, só curtindo o ócio. E nem me venha com essa baboseira de ócio criativo.

Não há coisa mais saudável e divertida que perder tempo! Chega dessa obrigação moral de achar que se deve tirar proveito de tudo. Isso é chato, caceta. Legal mesmo é virar a noite, em plena terça-feira, conversando besteiras que não vão servir pra absolutamente nada! Red bull taí pra isso! Ou não?

Pessoas que nunca tem um tempinho pra perder são mais chatas. Repara. Claro, todo mundo tem suas obrigações, responsabilidades e etc. Mas caceta, quem não pode desperdiçar 30 minutinhos pra dar umas risadas tem que rever os conceitos, né?

Ou então gente que sempre pergunta qual proveito vai tirar daquela situação (certo, maninha?). O proveito é nenhum! Desculpe, mas você não vai descobrir a cura do cancer assistindo o Marcelo Adnet ou o Pânico, no entanto, você vai ganhar uns minutinhos de alegria e dar umas boas risadas.

Então, se liga, perder tempo é o canal!

(post sem pé nem cabeça)

A difícil vida do bolsista

Considerando uma pessoa que entrou na faculdade aos 18 anos e um curso de quatro anos de duração, com 22 anos é possível já estar cursando o mestrado.

Todo mundo faz faculdade procurando ter um bom emprego pra ter uma vida boa. E, obviamente, aos 22 anos, os seus desejos não são os mesmos de quando você tinha 18 anos. A fase inicial do mestrado é um pouco frustrante porque você acabou de se formar mas não pode trabalhar, já que o bolsista não pode ter vínculo empregatício nem qualquer outro tipo de renda. Vá explicar isso pra sua família…

Ganhar pouco não é o maior problema, foda mesmo é receber atrasado, o que acontece um mês sim e o outro também. A bolsa da CAPES e do CNPq deveiram sair até o quinto dia útil do mês. A do CNPq sai direitinho, mas a da CAPES… já cheguei a receber na terceira semana do mês! Segundo consta, a culpa é do competentíssimo Departamento Financeiro da UFAM, já que a CAPES repassa o dinheiro pra UFAM na primeira semana do mês. Desnecessário dizer que o aluno não recebe nenhum tipo de compensação por esse atraso. Ele que se vire pedindo emprestado, entrando no cheque especial… A parte mais legal é quando você vai atrás das pessoas ‘reponsáveis’ pelo pagamento, é aquele jogo de empurra. Ou então eles dizem: ‘ah, não saiu, não? Então vai atrasar!’

A bolsa da FAPEAM merece um capítulo a parte. Oficialmente, a bolsa sai até o 15o dia útil do mês. Mas, adivinha? A bolsa referente a dezembro (que deveria cair lá pelo dia 15 de janeiro), só cai na metade de fevereiro. E a bolsa do mês do carnaval (por causa dos dias úteis) só vai cair quase dois meses depois. E, logicamente, o aluno não recebe nenhuma compensação por esse atraso, tendo que arcar com juros, multas, empréstimos e diversos transtornos.

Essa falta de dinheiro irrita profundamente, o que acaba tirando o foco do aluno.

Isso tudo porque eu moro aqui em Manaus e toda a minha família está aqui e posso contar com o eventual apoio deles. Imagina pra quem vem de outro estado e tem que pagar aluguel, comprar comida e não tem os parentes por perto pra ajudar.

Agora imagine essa situação pra quem está no doutorado (e ganha a fábula de 1800 reais por mês) e tem que sustentar uma família…

Com o valor da bolsa, além de ter que levar a vida, eventualmente comprar livros, comer e etc, você ainda tem que arcar com eventuais custos de uma doença – e acredite em mim, elas virão. Já vi gente de 20 e poucos anos com início de derrame e problemas cardíacos causados por stress.

Os professores geralmente tem o seguinte papinho: olha só, que legal, você vai receber só pra estudar! Não deixa de ser verdade, mas na prática, não compensa tanto assim.

Falando assim, parece que fazer mestrado é a pior coisa do mundo e só tem pontos negativos. Claro que não é assim. Mas decidir seguir uma carreira acadêmica é uma decisão muito difícil, mas que pode ser respondida com uma simples pergunta: eu quero fazer isso pra quê? É sério. Foi por causa dessa pergunta que eu decidi não me candidatar pro doutorado. E essa, provavelmente, foi a decisão mais acertada dos últimos tempos.

Sobre emendar graduação, mestrado e doutorado

Hoje, eu vejo algumas coisas que eu não via antes, talvez seja a maturidade. Mas quando se é muito novo (e inexperiente) a gente não tira todo o proveito das situações. Na graduação, quando se é mais novo ainda, a gente simplesmente despreza certas coisas por achar que aquilo é inútil e depois acaba precisando daquilo. No mestrado acontece a mesma coisa. A falta de experiência profissional nos faz fechar os olhos pra vários aspectos que poderiam ser explorados. Juntando isso com várias outras, temos o retrato da academia no Brasil: cheia de ideias revolucionárias, mas de costas pro mercado e sem dinheiro pra comprar tinta pra impressora. No entanto, felizmente, há honrosas exceções.

Retomando. O meu conselho é: se sua família tem boas condições financeiras e pode bancar alguns confortos que sua bolsa não pode, vá em frente. Faça até o doutorado. No entanto, se você não tem tantas mordomias assim, dê um tempo de um ou dois anos, vá trabalhar, faça uma reserva, prepare o espiríto e aí sim faça o mestrado.

You think you know but you have no idea

Pois bem, aos trancos e barrancos, você conclui a dissertação, defende e é aprovado. Só que a bolsa é paga até você completar dois anos de curso, daí pra frente é por sua conta. O que acontece é que nos últimos meses do mestrado, você não tempo pra absolutamente nada que seja escrever a dissertação freneticamente. No entanto, você precisa voltar a se preocupar com as coisas mundanas: emprego.

A fase da procura de emprego é uma das mais angustiantes. Não que seja exatamente difícil, mas é que você se vê altamente qualificado, cheio de conhecimentos que muita gente não tem e as empresas simplesmente não ligam pra isso! E da pior forma: baixos salários. E não podemos culpar as empresas malignas por isso. Nós somos mesmo altamente qualificados, só que o mercado tem outro ritmo e preza por muitas coisas que a academia ignora.

Outro dia conversava com um colega que dizia estar arrependido de ter entrado no mestrado, apenas disse pra ele que esperasse a época de procurar emprego pra ver o quanto ele iria ganhar inicialmente.

Fazer mestrado e doutorado é um investimento de longo prazo. Você investe 10 anos da sua vida (e da sua sanidade) pra começar a ganhar razoavelmente bem mais alguns anos depois e olhe lá. Se for colocar na ponta do lápis, não vale a pena financeiramente. É muito mais rentável (a médio prazo) fazer um MBA e um curso de gerência de projetos. Mas aí vai de cada um, tem gente que nasceu pra ser abnegado mesmo. 🙂

Quando o twitter faz mal

Ontem (03.01.10), acordei, tomei banho, tomei café e fui dar uma olhada no twitter, como é de costume. Mas, de repente, aquilo tudo me deu uma preguiça, uma canseira… É gente reclamando da vida o tempo inteiro, que nunca tá bom, que tudo tá ruim, que nunca nada vai ser bom…

No twitter, eu também fico de mal humor e solto uns tweets bem aborrecidos, mas, creio que, no geral o balanço é positivo: tenho mais updates bem humorados e engraçaralhos do que updates aborrecidos, com mal humor. E até evito escrever quando eu tô desse jeito.

Ninguém é obrigado a aturar isso, naturalmente. O unfollow tá aí pra isso.  A grande sacada do twitter é ser assimétrico, ou seja, a ligação entre duas pessoas não é necessariamente recíproca, eu posso seguir você e você pode não me seguir de volta e tudo bem.

Mas mesmo assim peguei bode do twitter. E de repente percebi o quanto de tempo se gasta naquilo, o quanto de energia se gasta esperando por updates e, depois, respondendo a eles. Ontem fiz um teste e passei o dia inteiro sem usar o twitter. Lógico que no começo é difícil, afinal lá se vão meses de uso intenso, mas nada intransponível. E de repente me vi novamente com vontade de ler um livro, de assistir a um filme, de escrever posts pro blog, de dormir mais cedo…

Tava pensando ainda agora e o twitter funciona como uma espécie de catalisador, tanto pra coisas boas quanto pra coisas ruins. Se você está empolgado, entra no twitter, fala besteiras, alguém responde as besteiras e você continua animado. Mas se você está aflito, triste, meio pra baixo e vai entrar no twitter, esqueça, pode ser pior. Tem tanta gente reclamando de tanta besteira, que você rapidamente se dá conta que os seus problemas são maiores (os meus sempre são mais importantes que o dos outros…) e aí é que vai ficar pra baixo, mesmo.

Não vou fechar a conta, não é pra tanto. Os eventos que rolam com o pessoal do twitter são legais. Mas pretendo tirar uns dias de folga pra ver qual é.

Abs

Sobre sonhos, medos, ansiedade e melancolia

Esse talvez seja uns dos posts mais pessoais que eu já escrevi e isso me causa certa vergonha. Mas nem tô ligando muito pra isso agora.

Eu sempre tive uma vontade muito grande – ok, um sonho – de morar fora do Brasil e essa vontade se tornou ainda mais forte depois que eu viajei pro exterior.

O motivo pra isso é que eu simplesmente quero viver num lugar mais civilizado, mais seguro, onde eu não tenha que ficar me preocupando com qual celular comprar pra minimizar o prejuízo no caso de eu ser roubado. Esse é um exemplo extremamente besta e fútil, mas só quem já teve uma arma apontada pra si sabe que essa é uma das piores sensações do mundo.

Não que os países ditos desenvolvidos não tenham problemas de violência. Em todos há violência em maior ou menor grau, no entanto, em alguns deles, a punição pra quem comete crimes é severa e certa, o que não acontece no Brasil. Hoje, a violência é o principal motivo que me faz querer deixar o Brasil anteontem.

E então surgiu uma vaga pra um trabalho em um instituto de pesquisa em Portugal, mesmo instituto em que um amigo trabalha. Mas assim que eu soube sobre a vaga, comecei a sentir coisas que eu jamais imaginei que fosse sentir. Sair do Brasil foi uma coisa que eu sempre quis, mas quando a possibilidade real apareceu, não sei o que aconteceu.

Comecei a pensar em várias coisas. Minha mãe, minhas irmãs, meu pai, minha família… Eu ia embora e eles ficariam aqui… E se acontecesse alguma coisa e eu não estivesse aqui pra ajudar… – na época, eu namorava, e claro que eu também pensei em qual situação ficaríamos.

Pra qualquer pessoa ‘normal’, esses sentimentos seriam comuns, mas se tem uma coisa pela qual eu não sou reconhecido é pela minha delicadeza, pelo meu sentimentalismo, pela minha delicadeza. Ok, eu também não sou um monstro, mas não costumo ser tomado por esse tipo de sentimentos…

Passei alguns dias pensando nisso, mas organizei os documentos, apliquei pra vaga e fiquei esperando. Houve um pequena troca de emails e uma entrevista por telefone (nota: conversar pelo telefone com um português requer habilidades ninja). A entrevista foi marcada pra um dia, mas acabou acontecendo no dia seguinte. Nos minutos que antecederam a ligação (que não ocorreu), cheguei a ter dor de barriga de nervosismo. Não conseguia fazer absolutamente nada, quanto mais eu bebia água, mais a boca ficava seca… Pois bem, a entrevista ocorreu e no mesmo dia, fui informado de que eu fora escolhido para a vaga.

No momento em que eu li o email da notícia, uma tonelada de sentimentos esquisitos… Foi um misto de nervosismo, medo, alegria, realização, preocupação, ansiedade e muitas outras coisas que eu sequer sei nomear.

Liguei pra minha mãe pra avisar e a recepção foi a pior possível… o que me deixou ainda mais atordoado emocionalmente…

Passada essa fase do primeiro impacto. É hora de começar a cuidar da ida. Aí começa a busca frenética pelo menor preço de passagem, testando todas as combinações possíveis, saindo e chegando nas mais diversas cidades. Passar procuração. Tentar prever problemas para resolvê-los antes que não seja mais possível. Começar a vender as coisas.

Logo depois dessa fase, vem a melancolia, o momento em que você se dá conta que diversas pessoas que você gosta e convive diariamente não farão mais parte da sua vida, pelo menos de forma tão direta. Que daqui a algumas semanas, essas pessoas serão apenas avatares, fotos no orkut e lembranças agradáveis. Apesar da frase ter ficado extremamente triste, essa fase melancólica tem sido umas das coisas mais legais que me aconteceram nos últimos tempos. Esse processo foi capaz de pegar essas duas últimas semanas do ano e transformá-las em dias tão legais quanto eu jamais pude imaginar.

Papo furado em mesa de bar, conversas malucas, surpresas surpreendentes (!), encontrar pessoas legais totalmente fora do meu mundo, festas miaaaadas (mas nem por isso ruins), festas em que eu dancei pra caralho e me diverti! Celebrar a vida! (isso ficou totalmente playson) É a sensação de que um minuto que se passa ponderando se algo deve ser feito ou não, já é muito tempo desperdiçado. Chegar em casa sem o dia já ter amanhecido é imperdoável! Não há vergonha em ser ridículo, só de desperdiçar chances. É como se eu acordasse pra vida, ainda que tardiamente, e isso não poderia ser melhor!

Nesses últimos dias, não tenho pensado nem um pouco no dinheiro que vai ser gasto, somente se esse dinheiro gasto vai me proporcionar boas conversas, risadas. It is all about having fun, no matter what!

Dirigir devagar e sem rumo pela estrada da turismo, ponta negra, apreciando cada pedaço da paisagem é uma sensação indescritível. São pequenas despedidas dessas coisas, aparentemente, desimportantes mas que fazem parte de mim e que daqui a um mês, não terei mais.

Não é que a vida vá acabar, mas é como se uma etapa se encerrasse e outra totalmente desconhecida – e que me causa pânico –  se iniciasse. E por quê não aproveitar essa fase que se encerra o máximo possível? É só isso que eu tô tentando fazer.

O que é mestrado?

Vou iniciar um série de posts sobre mestrado, baseado na minha própria experiência, obviamente. Vou falar do que é, como é, dificuldades que EU enfrentei.

Nesse primeiro post vou falar sobre o que é o mestrado.

Existem dois tipos de pós-graduação: lato sensu e strictu sensu.

A pós-graduação lato sensu é famigerada ‘pós’. É aquela que se ouve muito falar por aí, ‘fulano faz pós’, ‘vou fazer a minha pós’. Essa pós-graduação é uma especialização e não muda o seu título. Exemplo, se você for formado em Administração e fizer pós-graduação lato sensu em Comércio Exterior, você vai ser ‘Fulano de tal, formado em administração e pós-graduado em comércio exterior’. O MBA é uma pós-graduação lato sensu. Outra característica é que a pós-graduação lato sensu não lhe credencia pra outros níveis. Você pode fazer 10 pós lato sensu, mas vai continuar sendo pós-graduado.

A outra linha é a pós-graduação stricto sensu, na qual se incluem mestrado, doutorado, pós-doutorado e o que houver – se houver mais alguma coisa. Essa pós-graduação vai credenciando a pessoa a níveis mais elevados, e.g., pós-doc > doutorado > mestrado. Outra diferença fundamental é que a pós scricto sensu é mais voltada para a academia (pesquisa) enquanto a pós lato sensu é mais voltada para o mercado.

E o mestrado?

Poderia dizer que é uma espécie de introdução ao mundo acadêmico. É um período de dois anos em que você propõe e desenvolve um trabalho com relevância em alguma área de pesquisa do seu interesse. Os dois anos podem ser prorrogados um pouquinho, o que não é aconselhável. É importante dizer que o interesse pela pesquisa esteja presente desde a graduação, caso contrário, fica complicado.

O tema da pesquisa do mestrado deve ser relevante, mas não necessariamente inédito. Por exemplo, alguma face inexplorada de algum assunto. Um exemplo mais claro de um tema relevante: fazer um estudo profundo e classificar algoritmos de roteamento de acordo com performance, escalabilidade e etc. Um tema inédito seria propor um novo algoritmo de roteamento para resolver os problemas encontrados no estudo anterior.

Como funciona?

No mestrado você tem um orientador e uma proposta que, no futuro, será a sua dissertação. Geralmente, durante o primeiro ano, se pagam algumas disciplinas e o segundo ano é dedicado a pesquisa.

No ato da inscrição para o processo de seleção do mestrado, você anexa a sua proposta de trabalho que será avaliada pelo colegiado. Na verdade, você não escolhe o orientador e sim o contrário. É no momento da seleção que cada professor decide quais alunos vai orientar.

Dependendo do programa, a seleção é basicamente análise de curriculum (histórico, cartas de recomendação, produção científica, etc). Outros programas além da análise curricular aplicam uma prova. Tenho uma certa reserva em se aplicar uma prova pra fazer um curso de mestrado, mas divago.

Há dois regimes: dedicação parcial e exclusiva. A dedicação parcial se aplica àqueles que dividem o estudo com o trabalho, o que exige uma carta de liberação por parte da empresa. Na dedicação exclusiva, a sua profissão é ser estudante.

Aluno de dedicação exclusiva, geralmente, ganha uma bolsa de estudos cujo valor varia um pouco de acordo com a agência de fomento, mas que fica em torno de 1200 reais. Com essa bolsa, o aluno fica proibido de ter vínculo empregatício sob pena de devolução das bolsas recebidas corrigidas e processo. E pra funcionário público, o desconto é em folha!

O problema é que não tem bolsa pra todo mundo. O número de bolsas é limitado por instituição e conseguir novas bolsas é muito difícil. Então os alunos com os melhores curriculuns terão prioridade sob os demais na hora em que tiver uma bolsa sobrando. E assim sucessivamente até que todos tenham bolsa (o que pode não acontecer). Ou seja, as bolsas vão ‘passando’ dos alunos antigos pros mais novos e graças a burocracia, o intervalo entre a implementação da bolsa até o dinheiro na conta, é de uns 3, 4 meses. Portanto, prepare-se para o inverno.

Das obrigações

Além de ter que passar nas disciplinas obrigatórias e optativas (2 reprovações = jubilamento) com média >= 7. Você tem a ‘obrigação’ de publicar artigos científicos. Os artigos são atestados de que o trabalho que você faz vale a pena, já que a avaliação é feita pelas referências da área.

Quando um artigo é aceito por uma conferência, o correto é um dos autores ir defender (apresentar) o artigo senão pega mal. No entanto, ir apresentar um artigo é tão difícil quanto publicá-lo. Considerando uma conferência realizada no exterior, fica quase impossível para o próprio aluno arcar com as despesas de passagem e estadia. A universidade, segundo contam, só paga alguma coisa para funcionários. Então restam duas opções: as agências de fomento e projetos.

A FAPEAM (Fundação de (des)Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas) tem um programa chamado PAPE (Programa de Apoio a Participação em Eventos) que periodicamente fornece passagens a alunos e pesquisadores. Mas, o PAPE tem uns critérios meio esquisitos pra seleção dos beneficiados. Por exemplo, dá centenas de passagens pra graduandos irem pro SBPC, não dá uma passagem internacional pra um mestrando ir pra conferências altamente relevantes, dá passagens pra estrangeiros irem pra conferências em sua terra natal! (aqui, tabela Eventos Internacionais) e pretere quem já está com o trabalho aceito.

Passagens por meio de projetos são as mais ‘fáceis’, caso algum professor tenha algum projeto com dinheiro sobrando e o artigo seja relevante pro projeto ou aluno que publicou participa do projeto, é quase uma obrigação do professor bancar a viagem. Ah, sim, o pagamento de diárias pro aluno também é possível.

O crescimento que a participação em uma conferência de alto nível proporciona ao aluno é incomensurável. E, de certa forma, é possível conhecer o mundo só publicando artigos. 😀

Próximo capítulo: a difícil vida do bolsista

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