A certeza da incerteza

Até certo ponto, apesar do que poderia acontecer, tudo sacramentado: casamento, filhos e um cachorro chamado Fubá.
Embora o costumeiro tom sarcástico pudesse confundir, era tudo a mais pura verdade. E mesmo nunca tenha sido levado a sério, o compromisso continuara lá, de pé, inabalável.
E de repente, um alçapão se abre embaixo dos seus pés e a queda, além de inesperada, é vertiginosa, dolorida e, até certo ponto, desnecessária. Feridas profundas.

E pra completar, aquilo que poderia acontecer, acontece. É como se, mesmo durante a queda, outro alçapão se abrisse e a queda começasse de novo, só que mais intensa. E era possível!

Mas no meio disso tudo, você acaba se encontrando. Ou se desencontrando de vez? Nunca saberemos… Mas, ironicamente, no meio dessa desconstrução, você acaba se tornando uma pessoa muito melhor, ou apenas melhor.

O marasmo de outrora é substituido por uma intensidade nunca antes vista… A queda vertiginosa, de repente, se torna menos dolorosa e passa a ser apreciada em toda a sua beleza, que nem era notada antes, mas que sempre esteve lá.

Aquele horizonte onde era possível vislumbrar anos e anos, agora não mostra nem amanhã, o que dirá semana que vem… E isso é surpreendentemente bom!

Claro que a incerteza traz medo e apreensão… mas a beleza está justamente aí. Saber que você não está amarrado e pode, de uma hora pra outra, jogar tudo fora – o que é, sim, uma atitude extramamente egoísta – e começar do zero dá uma boa sensação de liberdade. As feridas, com muito esforço, até saram, mas as cicatrizes (lembranças) vão continuar lá.

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O caminho mais dificil pra ser pobre?

Uma vez eu tava no 616 (Campus-Centro) voltando pra casa e no banco de trás, tinham dois caras conversando.
Um deles falava que acabara de voltar do doutorado na Escócia e que tinha sido muito bom e etc. Papo, vai, papo, vem, o
outro pergunta onde que o doutor estava morando. O doutor responde que tava morando em uma pensão no centro.

Lembrei disso vindo pra casa, do nada. Hoje, a minha vontade de fazer doutorado tende a zero. É claro que existe a
vaidade com a possibilidade de ser doutor (com doutorado, viu adevogados?) antes dos 30 anos, mas e aí?

O mercado, no Brasil, pra minha área (ciência da computação), é, na prática, indiferente pra quem tem doutorado, salvas
raríssimas exceçÕes. MBA dá muito mais dinheiro que doutorado, a propósito. Daí, a única opção, é seguir carreira acadêmica, que é mais uma questão de invocação do que de
vocação.

Voltando ao doutor do ônibus. É pura arrogância, mas, desculpe, eu não quero dedicar 10 anos da minha vida pra terminar
andando de ônibus e morando numa pensão no centro… É claro que isso não faz da pessoa menos doutor. O título é seu com
todo o mérito, mas…

Se eu começasse o doutorado hoje, eu terminaria com 30 anos. Ter 30 anos sem ter estabilidade financeira ou pelo menos
um pé de meia, por pequeno que fosse, é muito pra minha cabeça…

ps: péssimo título do post, mas na hora não consegui pensar em nada melhor.

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