Uma questão de poder

A culinária portuguesa é excelente. Além do bacalhau, existem diversas outras comidinhas deliciosas.
A parte ruim disso é a grande maioria dessas comidas é extremamente calórica. Muita
carne suína e muita fritura. Na parte dos doces, tome massas folheadas e todos os tipos de coisas deliciosas feitas
com ovo.

Outra coisa muito presente na culinária portuguesa, por incrível que pareça, é a batata frita. No restaurante da
universidade, onde eu almoço todos os dias, eu nunca sei o que vai ser o almoço, só sei que vai ter batata frita.
E sempre tem. Não falha! É bacalhau com batata frita, salmão com batata frita, panada de porco com batata frita,
guizado de porco com batata frita, <invente sua variação> com batata frita.

Não é saudável pra ninguém comer batata frita todo dia. Pra quem está algumas arrobas acima do peso (oi!), então …

Que se diga que você não é obrigado a comer. Apesar de os pratos serem servidos pelos funcionários, você pode pedir
pra eles não colocarem a batata no seu prato. Mas aí entra um grande dilema que irei dissecar no próximo parágrafo –
poderia começar neste mesmo – mas quero dar ´sustança´ ao meu texto. vem comigo!

Quando éramos crianças e não mandávamos nos nossos narizes, iguarias como batata frita, chocolate e refrigerantes
sempre foram reguladas, principalmente, por nossas mães. Eram uma espécie de recompensa. Só comíamos essas
delícias quando fosse merecido. E mesmo nesses momentos de apogeu, era tudo muito regulado: porções escassas que
eram comidas lentamente e sempre deixadas para serem deliciadas por último.

Mas aí a gente cresce e começa a poder fazer o que der na telha. E aí que também começa o problema. Veja, eu
poderia muito bem pedir pro carinha não colocar a batata frita no meu prato, no entanto, agora eu sou adulto, pago
minhas contas e, portanto, posso comer a quantidade de batata fritas que eu quiser. Ninguém pode me regular!
Ou seja, mesmo que eu não esteja com aquela vontade de comer batata frita, eu vou comer só porque eu posso!
E mais, eu posso comer todo dia! Me diz se não é lindo?

Mas é trágico também.

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Dos primeiros estranhamentos

O sotaque é o estranhamento imediato. Já começa no avião. Eles falam e não se entende nada. Até dá pra pescar uma ou duas palavras, mas tudo é muito complicado. Fico meio sem graça de pedir pra eles repetirem, mas fazer o que se eu não entendo?

Além do sotaque, ainda existe o problema do vocabulário. Algumas coisas são completamente diferentes, embora pareçam mais lógicas. Exemplo: parada de ônibus aqui é paragem. Faz mais sentido do que parada. Casa (residência) eles chamam de morada. Algumas letras de algumas palavras são trocadas: cafetaria, omolete e diversas outras coisa que dariam pra escrever um livro.

O outro impacto imediato que eu senti foi a falta de ar condicionado em praticamente todos os lugares. Ok, estamos na europa e etc, mas nem sempre aqui é frio. Nesse momento, a temperatura é de 14 graus. Frio. Mas quando eu cheguei e pelos 4 dias seguintes, o sol era intenso e como eu vou pro trabalho andando, chegava lá suado e quando entrava na sala, vinha aquele bafo me recepcionar. No salão gigante onde eu fico, não tem ar condicionado! O máximo que se faz é abrir as janelas, atitude que não é muito bem vista pelos colegas porque o povo aqui é muito friorento. Eu andando na rua, suando feito um porco e um monte de gente de casaco! Imagina como eles saem no inverno.

As diferenças existentes entre as nossas universidades e as daqui é até covardia falar. Cada faculdade tem o seu restaurante (ou quase isso). O preço que se paga por refeição gira em torno dos 2,5 €. Em uma cantina, a sopa, o pão e o suco (99% água e 1% corante) já estão inclusos. Na outra, a sopa, o pão e o suco são cobrados a parte.

Já comi salmão, peixe espada(!), (em)panada de carne de porco com batata frita. O interessante é que há sempre 3 ou 4 opções e dentre elas, a vegetariana e a dieta. Além disso ainda há outros pratos mais especiais que são feitos sob demanda e, claro, mais caros.

Uma grande quebra de paradigma pra mim, é que aqui se vende cerveja e vinho nas cantinas da universidade. E é comum ver uma pessoa almoçando, tomando uma cervejinha só pra rebater e voltar pra trabalhar. Depois dizem que o brasileiro é liberal.

A praxe é o que a gente chama de trote. Diferentemente do brasil em que o trote dura um dia só ou alguns dias, a praxe aqui dura o semestre inteiro e termina com a queima das fitas. A praxe é aplicada pelos veteranos, que são chamados de ´doutores´ e que devem estar usando um three piece suit preto, mas com um sobretudo no lugar do blazer. Eu não me conformo em ver aquele povo naquele calor usando sobretudo, colete e gravata. Além disso, os doutores ainda devem estar de posse de uma capa preta QUE NÃO DEVE SER LAVADA NUNCA! Agora, imagina pessoas de paletó preto e uma capa preta por cima. Eu me sinto em Hogwarts.

A foto tá uma merda

Segundo me foi dito, as atividades da praxe não chegam aos pés dos trotes mais leves do Brasil. São coisas inocentes como cânticos coletivos na madrugada, flexões e mais besteiras.

Pois é, aí tudo termina com a queima das fitas que é um evento que dura 1 semana e que pára a universidade e a cidade e que encerra a praxe e o calouro deixa de ser calouro. Existe um cortejo, um desfile, uma missa, um baile e etc. E a galera que tá se formando além do paletó ainda usa uma cartola e uma bengala das mais diversas cores.

As coisas aqui são mais baratas. O dinheiro rende mais. Claro que eu ainda tô na fase do pinto no lixo, me maravilhando com tudo, mas é isso mesmo. O dinheiro aqui rende mais. Vinhos que no Brasil custam 20, 30 reais, aqui custam 2, 3 €, até se converter fica bem mais barato

O transporte coletivo aqui não é o melhor que eu já vi mas é bem bom. Há um site em que eu vejo todos os itinerários, horários e posso dizer meu ponto de partida e onde eu quero chegar e ele diz pra mim quais autocarros e metros eu devo pegar. Ah, sim, metrô aqui é metro, sem o acento.

Hoje eu cheguei a conclusão de que Portugal é o Brasil em que as coisas funcionam. Aqui tem feijão preto, picanha, rodízio de carne, cachaça, caipirinha e tudo mais. E (quase) não tem assaltos, roubos, esperteza e etc. Ainda bem.

Mais curiosidades: o interruptor do banheiro aqui de casa fica do lado de fora; eles falam 2 mil milhões e não 2 bilhões; mais pequeno e mais grande; bunda é cu; fila é bicha e etc.

O twitter e suas múltiplas camadas de percepção

O que (talvez) começou como uma coisa em que nem os próprios criadores botavam muita fé, hoje é sucesso mundial. Não existe uma explicação plausível que explique todo esse sucesso. Como diabos um site em que eu tenho 140 caracteres pra me expressar pode fazer tanto sucesso? Não existe resposta correta.

Pra mim, a grande graça do twitter é ser reconhecido pelo que você escreve, o que vai de encontro ao orkut. Não importa se você é feio ou gordo. O que importa é o que você escreve. E isso é legal porque filtra um monte de gente que não tem nada pra falar, só pra mostrar. O ´ter alguma coisa pra falar´ não quer dizer de forma alguma ´ter alguma coisa importante ou inteligente pra falar´. Ainda bem. Afinal ninguém aguenta seguir gente que só fala coisas (supostamente) inteligentes o tempo todo. É chato. Outra faceta do twitter é mostrar o lado mais normal das pessoas. Isso pode ser visto no perfil dos famosos.

O curioso do twitter são as múltiplas formas com que ele é percebido e adotado. Pro pessoal que trabalha com computação (eu) o twitter nada mais é do que um site em que eu preencho um form com até 140 caracteres com algumas besteiras (pseudo) engraçadas. E é só isso mesmo.

Já pros publicitários, o twitter é um ´novo conceito´ em algum termo super cool criado na semana passada. São as tais das mídias sociais em que o indivíduo zzZzZzzzzzzZZzZ ops, dormi…

Já pra galera da comunicação, o twitter é um super novo canal de comunicação e interação, são as tais das mídias sociais em que cada pessoa é a parte do processo e que interage e que cria e que se comunica e que é prolixo, como só eles conseguem ser. É uma revolução no processo de comunicação da sociedade e bla bla bla. E tome mestrados, doutorados e livros e mais livros sobre… twitter. Besta quem compra… 😛

O grande problema pra mim é levar o twitter (ou qualquer outra coisa da internet) a sério. Já vi gente falando em reputação no twitter, que a gente deveria se preocupar em quem seguimos ou com quem nos segue porque isso poderia afetar a nossa imagem na internet! Olha isso!

Não poderia deixar de falar da mais nova profissão que o twitter criou: o analista de mídias sociais. Parece piada mas não é, ele existe mesmo. E ainda tem o tal do trend hunter, seja lá o que isso signifique. O divertido dos analistas de mídias sociais é querer condenar o pessoal que está no mundo a passeio (me inclua aí, por favor) e que avacalha toda e qualquer tentativa que se faça pra levar o negócio a sério.

E não poderíamos esquecer dos chatos que ficam dizendo que fulano não sabe usar o twitter, que twitter não é orkut, que twitter não é MSN… mermão, o twitter é o que eu quiser que seja e aí é que tá graça. E adivinha quem mais reclama que os outros não sabem usar o twitter? Ele mesmo, o analista de mídias sócias. Repara só.

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