Dos primeiros estranhamentos

O sotaque é o estranhamento imediato. Já começa no avião. Eles falam e não se entende nada. Até dá pra pescar uma ou duas palavras, mas tudo é muito complicado. Fico meio sem graça de pedir pra eles repetirem, mas fazer o que se eu não entendo?

Além do sotaque, ainda existe o problema do vocabulário. Algumas coisas são completamente diferentes, embora pareçam mais lógicas. Exemplo: parada de ônibus aqui é paragem. Faz mais sentido do que parada. Casa (residência) eles chamam de morada. Algumas letras de algumas palavras são trocadas: cafetaria, omolete e diversas outras coisa que dariam pra escrever um livro.

O outro impacto imediato que eu senti foi a falta de ar condicionado em praticamente todos os lugares. Ok, estamos na europa e etc, mas nem sempre aqui é frio. Nesse momento, a temperatura é de 14 graus. Frio. Mas quando eu cheguei e pelos 4 dias seguintes, o sol era intenso e como eu vou pro trabalho andando, chegava lá suado e quando entrava na sala, vinha aquele bafo me recepcionar. No salão gigante onde eu fico, não tem ar condicionado! O máximo que se faz é abrir as janelas, atitude que não é muito bem vista pelos colegas porque o povo aqui é muito friorento. Eu andando na rua, suando feito um porco e um monte de gente de casaco! Imagina como eles saem no inverno.

As diferenças existentes entre as nossas universidades e as daqui é até covardia falar. Cada faculdade tem o seu restaurante (ou quase isso). O preço que se paga por refeição gira em torno dos 2,5 €. Em uma cantina, a sopa, o pão e o suco (99% água e 1% corante) já estão inclusos. Na outra, a sopa, o pão e o suco são cobrados a parte.

Já comi salmão, peixe espada(!), (em)panada de carne de porco com batata frita. O interessante é que há sempre 3 ou 4 opções e dentre elas, a vegetariana e a dieta. Além disso ainda há outros pratos mais especiais que são feitos sob demanda e, claro, mais caros.

Uma grande quebra de paradigma pra mim, é que aqui se vende cerveja e vinho nas cantinas da universidade. E é comum ver uma pessoa almoçando, tomando uma cervejinha só pra rebater e voltar pra trabalhar. Depois dizem que o brasileiro é liberal.

A praxe é o que a gente chama de trote. Diferentemente do brasil em que o trote dura um dia só ou alguns dias, a praxe aqui dura o semestre inteiro e termina com a queima das fitas. A praxe é aplicada pelos veteranos, que são chamados de ´doutores´ e que devem estar usando um three piece suit preto, mas com um sobretudo no lugar do blazer. Eu não me conformo em ver aquele povo naquele calor usando sobretudo, colete e gravata. Além disso, os doutores ainda devem estar de posse de uma capa preta QUE NÃO DEVE SER LAVADA NUNCA! Agora, imagina pessoas de paletó preto e uma capa preta por cima. Eu me sinto em Hogwarts.

A foto tá uma merda

Segundo me foi dito, as atividades da praxe não chegam aos pés dos trotes mais leves do Brasil. São coisas inocentes como cânticos coletivos na madrugada, flexões e mais besteiras.

Pois é, aí tudo termina com a queima das fitas que é um evento que dura 1 semana e que pára a universidade e a cidade e que encerra a praxe e o calouro deixa de ser calouro. Existe um cortejo, um desfile, uma missa, um baile e etc. E a galera que tá se formando além do paletó ainda usa uma cartola e uma bengala das mais diversas cores.

As coisas aqui são mais baratas. O dinheiro rende mais. Claro que eu ainda tô na fase do pinto no lixo, me maravilhando com tudo, mas é isso mesmo. O dinheiro aqui rende mais. Vinhos que no Brasil custam 20, 30 reais, aqui custam 2, 3 €, até se converter fica bem mais barato

O transporte coletivo aqui não é o melhor que eu já vi mas é bem bom. Há um site em que eu vejo todos os itinerários, horários e posso dizer meu ponto de partida e onde eu quero chegar e ele diz pra mim quais autocarros e metros eu devo pegar. Ah, sim, metrô aqui é metro, sem o acento.

Hoje eu cheguei a conclusão de que Portugal é o Brasil em que as coisas funcionam. Aqui tem feijão preto, picanha, rodízio de carne, cachaça, caipirinha e tudo mais. E (quase) não tem assaltos, roubos, esperteza e etc. Ainda bem.

Mais curiosidades: o interruptor do banheiro aqui de casa fica do lado de fora; eles falam 2 mil milhões e não 2 bilhões; mais pequeno e mais grande; bunda é cu; fila é bicha e etc.

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Sobre Arlen Nascimento
26 anos, Manaus.

3 Responses to Dos primeiros estranhamentos

  1. Oh, meu portugaysinho, estou a sentir tua falta.

    Beijo no cu e cuidado com as bichas.

  2. Renata Gualberto says:

    E que saudade Juju..

  3. luadosolzinho says:

    Que interessante! Diversidade cultural é algo que encanta mesmo. Eu tenho um amigo “pURtuguêish” com quem sempre falo via msn. Já me acostumei com parte do vocabulário que você mencionou. Mas inicialmente achava bem engraçado. E a experiência que você está vivendo é sem dúvida riquíssima.
    Aproveite esse Brasil que dá certo.

    Atenciosamente,

    Vanessa Marruche

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