Minha implicância com as religiões

Não sou ateu, acredito em Deus, mas não o responsabilizo pelas minhas decisões certas (e nem pelas erradas) e nem fico metendo ele no meio de qualquer coisa (seja por ter conseguido atravessar a rua ou pelo meu boi ter sido campeão esse ano).

Não gosto de religiões e nem de igrejas, o overhead que essas elas acrescentam na vida das pessoas é muito alto. Não basta acreditar em deus(es) – qualquer um – tem que ir todo dia pra igreja, tem que fazer parte do coral, tem que manter as aparências pra não ser recriminado pelos irmãos, aí no fim das contas, uma coisa que, em tese, deveria trazer conforto e paz de espírito, acaba tornando as pessoas pedantes e ultra conservadoras.

O que me incomoda nas religiões é isentar as pessoas das suas responsabilidades. Ou seja, se eu acerto, foi Deus, aleluia, irmãos!, mas se eu erro, a culpa é minha, sem piedade.

Eu não consigo admitir que uma pessoa (qualquer pessoa) dite as regras para a minha vida. Que eu seja aconselhado – quando eu buscar conselho -, vá lá, mas dizerem como eu devo agir, como eu devo gastar o meu dinheiro, quais as roupas eu devo usar ou dizer que eu não posso ir ao cinema, eu não aceito.

Uma coisa curiosa que acontece com os ‘crentes’ é que eles acabam se tornando pessoas pedantes, e apesar de se guiarem pela ‘palavra’, não aplicam uma vírgula daquilo que eles passam dias aprendendo nas igrejas. Em vez de serem pessoas melhores, se tornam arrogantes com aquelas que não ‘tiveram a revelação’. Mas nesse ponto devo fazer justiça, conheço várias pessoas de diversas igrejas que não são assim e que são realmente admiráveis, que infelizmente são a exceção.

Se eu tenho a lei (a bíblia) e a conheço, tudo que eu fizer de certo ou de errado é de minha inteira responsabilidade, eu não preciso de um pastor ou de uma congregação inteira me recriminando pelas coisas que eu faço ou deixei de fazer. Aliás, por incrível que pareça, a igreja é um ambiente onde há muita fofoca (e pipinguim. tum tum tsss…), cheia de gente que fica falando mal da filha dos outros enquanto a sua filhinha virgem e casta anda fazendo coisas que até Deus duvida…

Talvez a coisa que mais me assuste nas pessoas religiosas seja o ultra-conservadorismo. Tratam os homossexuais como verdadeiros estorvos. Não conseguem admitir que duas pessoas do mesmo sexo sejam felizes e se amem além de terem aquela visão extremamente estereotipada dos gays, como sendo aquela coisa marginal, que vive em becos escuros, ‘fumando drogas’ e se prostituindo. Tá cheio de bibinha por aí que tem mais caráter que muito pastor e pai de família exemplar que vive na igreja. Não é porque a pessoa gosta de dar a bunda que lhe falta caráter.

O que mais me entristece nas igrejas é ludibriar as pessoas mais humildes. Você pega uma pessoa pobre, sem instrução, que é facilmente iludida com um discurso cheio de palavras bonitas e manipula do jeito que quiser, seja dizendo pra ela entregar todo o seu pobre salário pra igreja ou dizendo que ela deve tomar banho de roupa, pois se Deus voltar no instante em que ela toma banho, ela não vai ser salva porque está nua (!).

Isso pra não falar na transformação das igrejas em currais eleitorais. Em uma grande igreja de Manaus, que conta com algumas centenas de milhares de membros e é comandada pelos irmãos Assembleia, os fiéis são ‘orientados’ explicitamente em quais candidatos devem votar, caso contrário, estarão pecando, pois se rebelar contra o pastor é pecado.

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Sobre Arlen Nascimento
26 anos, Manaus.

8 Responses to Minha implicância com as religiões

  1. Oi bebê, saudades de ti. Queria tomar banho sem roupa com você, mas o pastor disse que é pecado…

  2. Todas as religiões pregam a mesma coisa: devemos ser bons para com os próximos e nós mesmos. Isso já é um combo que inclui o meio-ambiente também, indiretamente. O problema é a submissão e o agradecimento. Ok, se deus existe e me deu a vida, obrigado, mas precisa chorar, espernear, lamuriar, gritar e explodir os outros em nome Dele? Essa bajulação é *realmente* necessária? E se gastássemos essa energia pra acabar com as diferenças sociais? E se nos juntássemos pra melhorar o planeta como um todo, para todos? Acabando com a fome e com a miséria? Será que isso não deixaria deus mais orgulhoso do que ficar agradecendo e atribuindo a Ele tudo? Se eu fosse deus, já teria mandado um mensageiro com a seguinte mensagem: “PAREM COM ESSA CHORADEIRA! OK, JÁ SEI QUE ESTÃO GRATOS, VÃO TRABALHAR AGORA P@#$!”

  3. Adrienne says:

    Olha arlen, algumas colocações tuas pareceram muito preconceituosas. Cuidado.

    Bom, voltando ao tema do texto, tenho uma opiniao diferente com relação a boa parte dessas coisas. Tenho passado por um processo de desconstrução louco! Como tu disse, “o overhead que essas elas acrescentam na vida das pessoas é muito alto.”. Se tem uma pessoa que sabe disse NA PRÁTICA e que sofreu NA PELE, essa peso soa sou eu.

    Não acho legal, por exemplo, o marido da jornalista ficar falando de forma tao preconceituosa de uma coisa que ele nao viveu e da qual, muito provavelmente, ele sente muito medo (na igreja, a gente aprende a identificar as pessoas que tem medo de religiao).

    Claro que, concordo com boa parte das coisas que ele disse, mas a igreja, como qualquer outro ambiente, traz muitas coisas boas, sim! Existe muita gente que nao vale na igreja, é fato; mas as pessoas que sempre vem com aquele discurso pseudossocial, dizendo que os dízimos e o esforço dos crentes deveriam ser aplicados pra diminuir as diferencas sociais, sao sempre aquelas que só criticam e nunca fazem nada, além de se sentirem superiores qnd conseguem apontar um erro de um pobre cristao, que muitas vezes, é mais esforçado pra fazer o bem – ainda que seja só pra manter as aparencias – do que os eternos implicantes…

    Nao fecho meus olhos pro que há de errado na igreja (leia-se pessoas). Seria muita ingenuidade. Mas, como uma pessoa que conhece os dois lados da moeda, eu tenho mais moral pra falar.

    Prefiro, ao perceber os erros dos outros, olhar pra mim primeiro, a fim de perceber se os meus atos nao estao prejudicando a outrem, como muitas vezes acontece quando a gente só quer criticar.

    Caro Anderson, sou batizada numa igreja evangélica. Se vc nao gosta de nada dessas coisas, eu entendo. Tbm nao gosto de muita coisa (que forço a engolir), mas certamente há muitas coisas que vc faz, que outras pessoas tbm nao gostam. Autocrítica é necessário as vezes.

    Bjus maninho. Esse negocio de discutir por religiao me rendeu um namorado…. hahaha… Sem ataques. Já me desarmei.

    Bjus pra vc tbm, marido da jornalista. =)

  4. “Se você não fizer tudo, Ele não vai fazer nada.”

    – Steven Conte, desarmado.

  5. Oi Adrienne,

    Não costumo responder comentários, mas isso já me rendeu algumas dores de cabeça porque as pessoas podem ter uma imagem errada de mim. Tentarei explicar alguns pontos. 🙂
    Primeiramente, eu também já passei por isso que você está passando. Com meno intensidade, claro, mas passei. Frequentei por mais de 2 anos uma igreja evangélica e quando digo frequentar, é se envolver mesmo: ia para as aulas aos domingos antes dos cultos, ia para os retiros, saía com o povo da igreja, etc. Mas nunca me converti, sabe pq? Pq a minha crença é mais forte do que isso. Eu não preciso ter alguém para me guiar, eu consigo entender o que é bom para ser feito sem precisar de uma congregação. Mas pq eu evito isso? Justamente pra evitar esses problemas que aparecem quando você junta um monte de gente e tem algumas maçãs podres no conjunto.
    Minha educação religiosa foi rígida, graças ao colégio particular que estudei. Conheço a Bíblia como muitos evangélicos não conhecem e se faço críticas é com base nesse retrospecto.
    Eu pago meus impostos e tento gastar o meu tempo livre fazendo algo que as minhas skills permitem. Sou programador e é nessa área que vejo que posso ajudar. Não é a mesma coisa que distribuir sopa no mutirão, mas eu sou um programador e é assim que vou contribuir.
    Também dirijo de forma consciente, pago todos os impostos e não gosto de corrupção. Pode ser algo, não?
    Mas claro que eu poderia não fazer nada disso e ir pra igreja assistir um cara que se diz sacerdote interpretar a Bíblia do jeito dele ou da linha de pensamento dele, ou ainda, da forma que ele acha que aquele grupo de pessoas iria aceitar melhor.
    Não, obrigado. Eu estudei interpretação de textos e tenho capacidade de entender os ensinamentos.

    Abraços

    • Adrienne says:

      Abraços também. 🙂

  6. Clecio Jr says:

    O que me incomoda nas religiões é isentar as pessoas das suas responsabilidades. By Arlem
    Algumas pessoas pensam que pelo fato de terem se convertido, aquilo que fizeram antes vai ser apagado. Muito pelo contrário. A gente planta o que colhe. Conheço uma pessoa que pertence à uma igreja, mas está em liberdade assistida (acho que é esse o termo), pois tem que voltar todas as noites para a penitenciária. Claro que existe o preconceito por parte da maioria das pessoas, como você mesmo citou, de elas serem pedantes. Quando você fala das excessões, de conhecer pessoas admiráveis, realmente isto está acontecendo, mas a bíblia fala que no meio do trigo, existe o joio. A questão é que, aqueles que não vivem o que pregam estão se tornando maioria.
    Quanto ao homossexualismo que você falou, Deus deu o livre arbítrio para que cada um (parece até discursso do filme “Todo Poderoso”) fizesse o que desse na telha. Eu respeito os homossexuais, não concordo com o estilo de vida que levam, mas daí a eu sair tacando pedra neles já é demais. Basta ver o exemplo de Jesus e a prostituta. Um certo pregador, que agora não me recordo o nome, usa uma expressão muito interessante que é a seguinte: “Pregue o evangelho e se precisar fale”, ou seja, o seu exemplo de vida, a forma como você encara as coisas vai fazer com que as pessoas tenham ou não vontade de se converter e ai eu aproveito de deixa do Briglia quando ele fala a respeito do combo do amor ao próximo, sobre cuidar do meio ambiente, das ações sociais e etc.
    Realmente existem igrejas que não estão nem aí pra isso, quando se juntam para louvar a Deus, deixam o local parecido um “chiqueiro de porco” ou pior. Igrejas sem nenhum compromisso com o Deus verdadeiro, mas sim com o bolso do líder, do pastor. Quantas e quantas vezes já ouvi alguém falar por aí : “Tá desempregado? Abre uma igreja que resolve.” Ele esta mentindo? Infelizmente não, pois quantos pastores picaretas existem por aí, que acham que igreja é como uma taberninha e pintam a frente da casa, colocam uma placa com o nome “Ministério Internacional não sei do quê?”
    Aí entra a parte de ludibriar as pessoas humildes, mas não gostei da forma como o Arlem se expressou, ficou parecendo que TODAS as igrejas são assim, o que não é verdade.
    Eu conheço igrejas onde se prega sim a respeito de cuidarmos do meio ambiente, ajudar um necessitado com uma cesta básica, pegar um drogado e levar pra casa, cuidar dele, mostrar que ele tem sim como sair daquele vício e por ai vai. Ninguém me contou isso que estou relatando, eu faço parte de uma igreja assim, não que ela seja perfeita, muito pelo contrário, tem muita coisa pra melhorar, mas a vida é assim, a gente vai tentando melhorar dia após dia.
    A Adrienne falou a respeito de manter as aparências e isso realmente é uma coisa ridícula. Vejo muita gente na igreja que tá passando por necessidade, mas não dá o braço a torcer, ta sempre querendo mostrar que está tudo bem quando na verdade tá tudo mal e mente, descaradamente, dizendo que: “Tá tudo uma benção”; prefere mentir à dizer a verdade. Falar a verdade é um dever de qualquer pessoa, mais ainda daquela que se diz cristã, que faz parte de alguma igreja. Quantas vezes já vi casais aconselhando outros casais sobre como fortalecer o casamento, sendo que aquele que aconselhava estava traindo a mulher…Tremenda arrogância, para não dizer outra coisa.
    Briglia, você falou “Eu não preciso ter alguém para me guiar, eu consigo entender o que é bom para ser feito sem precisar de uma congregação.” Mas eu me pergunto, se lá existirem pessoas que relamente possam lhe ajudar com determindadas coisas, não seria arrogância deixar de pedir essas ajuda? Por exemplo, se eu vou viajar por uam estrada desconhecida, não será uima medida prudente que eu peça conselhos de alguém que já passou por aquela estrada? Eu compreendo o seu ponto de vista, mas falando assim, fica parecendo que você sabe tudo, que nunca precisou nem vai precisar de ninguém (ou será que entendi errado?).
    E para finalizar (acho que já falei muito), o Arlem falou, em seu último parágrafo, a respeito da transformação da igreja em currais eleitorais, citou o exmeplo da Assembléia, da qual eu faço parte, e disse que os irmãos são orientados a votar em candidato A ou B e que se não votar no mesmo etsrá pecando, estará se rebelando. Falo por mim, pois o pastor que dirige a igreja onde congrego, já chamou sim um certo candidato à comparecer paa ser sabatinado pelos irmãos e quando essa sabatina terminou, ninguém achou que seria bom votar nele. O motivo? Todos perceberam que se tratava de uma pessoa sem nenhuma qualificação e preparação para ser representativo. Mais uma vez você acha que TODAS as igrejas são iguais e não é assim. Essa é minha opnião.

  7. Clecio Jr says:

    etsrá=estará

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