O amor de quem prega o amor

Outro dia no almoço, a gente conversava sobre dogmas, crenças, casamento na igreja e etc. Uma vez, uma colega me disse que se a pessoa acreditasse em Deus, era sua obrigação casar na igreja. Nem falei nada, só fiquei calado.

E o assunto foi parar em adoção, alguém falou que se não pudesse ter filhos, adotaria com certeza. Aí eu perguntei: o que você prefere, uma criança ser adotada por um casal de homessexuais ou que ela cresça num orfanato? A resposta-carola-padrão é que homossexuais “não podem” adotar uma criança. Onde já se viu? Imagina dois homens sendo pai e mãe, o que essa criança vai ser quando crescer? Um absurdo isso!

Ok, e se essa criança, que deixou de ser adotada por dois pais ou duas mães e que também deixou de ter todas as condições
que um criança “normal” teria, se tornar um bandido?

A resposta imediata é: mas e quem disse que a pessoa que cresce num orfanatoo sempre vira bandido? Essa resposta também acompanha um ar de satisfação.

Mas rebater é simples: e quem disse que só porque a criança vai ter dois pais ou duas mães, ela vai ser homossexual?

– Bom, mas ela também não vai ser bandida só porque cresceu num orfanato…
– Certo, mas também não vai ser gay só porque cresceu entre dois gays.

Que a criança precise de uma figura paterna e materna, eu concordo, é o ideal. Mas e quando não é possível?

Aí é que se vê os religiosos que tanto pregam o amor. Preferem deixar uma criança inocente crescer num orfanato a sua própria sorte a entregá-la pra um casal homossexual que tenha todas as condições de dar um futuro pra essa criança.

É claro que essa discussão toda passa por caráter e etc. Mas é óbvio que eu só estou considerando pessoas com caráter. Que não tem nada a ver com ser católico, evangélico, viado ou hetero.

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YASP – Yet Another Stupid Post

Como eu tenho bastante tempo livre (agosto será meu quarto de férias esse ano, vai que você queria saber…), eu fico pensando em muitas besteiras. Uma dessas coisas é em comidas regionais. Mas calma que eu explico. Exemplo: sorvete napolitano, pão-de-ló de Ovar, bacalhau à braga e etc.

O que eu fico pensando é que se um dia eu chegar em Napoles e disser: tio, me dá um sorvete? Ele vai me dar um sorvete… napolitano, afinal eu estou em Napoles! Não sei pra você, mas pra mim isso faz muito sentido. Senão, qual seria o objetivo de dar esses nomes específicos pras comidas?

Eu tenho uma certa vontade de fazer essas coisas. Chegar em Braga e dizer “um bacalhau, por favor” só pra ver o que vai acontecer.

Bom, é tudo.

Na minha cabeça esse post tava engraçadíssimo, mas acabou ficando sem graça. Mas é assim mesmo.

Esse disco novo do Avenged Sevenfold, Nightmare, tá muito, muito foda! Vá lá ouvir.

Umas palavras sobre Radiohead

Coloquei Oasis pra tocar. Começou a tocar wonderwall. E resolvi procurar por performances ao vivo dessa música. Achei umas muito boas, procura lá.

Aí nos vídeos relacionados apareceram dezenas de vídeos do Radiohead. O thumbnail de um vídeo me chamou atenção, High and Dry da época em que o Thom Yorke tinha o cabelo laranja. Cliquei no vídeo e asssiti.
É muita diferença. Muita mesmo. Naquela época, o Radiohead era apenas estranho. Hoje em dia, eles são super estranhos. Mas apesar de a estranheza ter aumentado, até que o Thom Yorke ficou mais apresentável. Hoje ele tem menos cara de retardado. O Jonny Greenwood, no entanto, continua freak.

Na época do The Bends, eles até que pareciam mais normais Creep, Black Star, Street spirit (fade out). São tantas emoções, bicho…

E enquanto eu ia navegando por vídeos e mais vídeos, eu vi o Johnny Depp num thumbnail com o título de Creep e fui ver do que se tratava. Não sei se gosto do Johnny Depp. Acho que não. Se duvidar, ele nem sabe mais quem é. Acho ele muito caricato, muito personagem, mas divago.

Deve ser algum filme cuja triha sonora é essa. É uma versão acústica de Creep, muito bonita. http://www.youtube.com/watch?v=oFtw8G5nSI4

Não sei bem quando o Radiohead passou de estranho pra muito estranho. Acho que foi depois de Ok Computer. O Kid A ainda é aceitável, do ponto de vista de uma pessoa não tão normal, mas menos esquisita que eles (bom, é o que eu acho…), mas há de se ter paciência. É no Kid A que as músicas esquisitas começam a aparecer.

Já no Amnesiac, eles tocaram o foda-se. Fizeram um disco (taí um dos meus grandes conflitos. Não sei como chamar uma obra fonográfica. “Album” soa pedante, muito pseudo-intelectual. “Disco” soa datado, assim como “cd” e ainda me passa a idéia da coisa física mesmo (o vinil e o cd, respectivamente) e hoje em dia é muito estranho pensar em música e associar com coisas como vinil e cd). Mas isso foi apenas uma digressão.

Pois bem, fizeram um disco/cd/album que ninguém entendeu porra nenhuma. E eu acho de verdade que quem diz que entendeu tá fazendo média. Músicas estranhíssimas (estranhas até pro nível Radiohead de esquisitice).

No entanto, Hail to the thief é foda. 2 + 2 = 5 é absurdamente foda! Aquela parte depois do refrão é muito divertida, não sei explicar. O ritmo, a levada. Ficar deslizando no braço da guitarra com aqueles acordes esquisitos e ainda sair um som legal é, na falta de uma palavra melhor, recompensador.
O mais legal é que dá pra descer o braço na guitarra e fica parecido com o original. Bom, só vai entender essa maluquice quem sabe tocar algum instrumento.

E assistindo à esse vídeo, eu vi como aquele barulhinho do início é feito: batendo no captador. Que coisa…

Pois é, no hail to the thief ainda tem Go to sleep. Eu acho o refrão dessa música muito foda. Passa uma leveza, uma paz (I’m gonna go to sleep; let this wash all over me). Aquela levada da bateria é muito gostosa. A introdução com aqueles acordes que vão crescendo, crescendo e depois vão diminuindo, diminuindo é muito interessante. Ih, alá eu chamando música de ´interessante´… pqp… Assista ao clipe, que pode até não ter sentido nenhum, mas é plasticamente bonito.

E ainda tem There There. Uma música sombria, com um clipe bizarro, mas que não é menos legal por isso. Aliás, fui escrever a palavra bizarro e notei algo recorrente, sempre escrevo bizzaro e em seguida corrijo. Mas bizzaro sempre sai primeiro.

Aí depois de 4 anos veio In rainbows. Certamente é o disco mais normal em tempos. Já começa 15 step que dá uma vontade absurda de dançar, ou no meu caso, se mexer descompassadamente. Apesar de essa música parecer absurdamente eletrônica, as versões dela ao vivo ficam muito boas. Algumas bandas tem esse sério problema, fazem excelentes músicas em estúdio mas não conseguem executá-las com dignidade ao vivo, o que é triste.

E nem vou me alongar muito descrevendo as músicas senão ia ter que falar sobre todas.

No entanto, não poderia deixar de falar sobre Jigsaw falling into place (versão de estúdio e ao vivo). Que música é essa, meu amigo? Tem um clima sombrio, mas no final se abre de um jeito que eu não consigo expressar em palavras. Aquele som que fica “subindo e descendo” durante música dão sensação de inquietação que misturado com o ritmo acelerado me faz ouvir essa música não menos que cinco vezes todas as vezes que eu a ponho pra tocar.

Simplesmente espetacular

Se você vive em outro mundo e nunca viu o discurso do Steve Jobs em uma formatura em Stanford. Assista. Agora.

Link para o vídeo

Ma engrish is to bed? Clique no link e aperte no CC para legendas em inglês (algumas palavras trocadas mas quebra um galhão)

Já havia visto há muito tempo. Assistindo novamente, lágrimas vieram aos meus olhos em vários momentos. A história da vida dele é espetacular. Já imaginou ser demitido da empresa que você criou? E depois criar outra empresa e ser comprado pela empresa (a sua!) da qual você foi demitido? E ainda criar o maior estúdio de animação do mundo, responsável pelo primeiro filme totalmente feito em computador da história? E não satisfeito, ainda ser o maior acionista individual da Disney (com mais ações que o herdeiro de Walt Disney!)?

Pois é, esse aí e o Steve Jobs.

Não deixa de ser inusitado que uma pessoa que não tem curso superior seja convidado pra fazer um discurso em uma formatura de um curso superior… Mas adivinhe o país onde isso jamais aconteceria? No Brasil, claro. Lá, chamariam um catedrático chato, com experiência prática zero e cheio de coisas desinteressantes pra falar.

Pra continuar, leia esse texto: Sem doutorado? Então fora!

Alcorão reloaded

Bem que Alá (ou Maomé, sei lá) podiam voltar à terra e fazer um patch pro Alcorão.
– Filho meu, tomai banho todos os dias e trocai de roupa também.

Are baba!
oh, wait, essa é outra novela…

Post em homenagem ao paquistanês que senta na minha frente e que, desde segunda-feira, está com a mesma camisa. Nem quero pensar na cueca.

Investir em Ciência & Tecnologia não é só dar bolsa

É muito comum ver as propagandas dos governos anunciando que um determinado ano foram oferecidas centenas de bolsas de estudo de mestrado e doutorado e que também no mesmo ano centenas de doutores foram formados, tudo com o incentivo de determinada agência de fomento.

Tudo isso é anunciado, com muito alarde, no pacote de investimentos de Ciência & Tecnologia. E é – seria – uma prova de que tal governo está preocupado com o desenvolvimento tecnológico e que por isso está investindo 1 kilometro de asfalto em C&T.

É verdade que se não fosse esse investimento, esses mestres e doutores não se formariam porque é muito difícil conciliar uma ativadade profissional com um mestrado, com um doutorado, então, beira o impossível. Só que dar bolsa é apenas o começo de um investimento sério em C&T.

De que adianta o Amazonas formar 100 doutores por ano (é um chute), se esse povo não tem onde trabalhar? E pior, se eles não vão ganhar um salário compatível com a formação? Não adianta de quase nada.

Mas o problema não está só no Amazonas, está no Brasil inteiro, que não tem como absorver todo esse contigente de doutores. Aí o que vai acontecer é que esses doutores, formados a peso de ouro, vão acabar prestando um concurso público qualquer que só exija graduação pra serem analistas de sistemas (caso real). Absolutamente nada contra, cada um sabe onde o seu calo aperta, mas é foda!

Dar bolsas e formar doutores é apenas o primeiro passo pra investir verdadeiramente em C&T. Primeiro de tudo, tem que tornar a academia atraente. Não conheço nenhuma pessoa que se sinta atraída a ganhar uma bolsa de 1800 reais pra tomar na cabeça durante quatro anos fazendo doutorado. Depois, deve haver oferta de emprego com salários compatíveis. Ninguém quer ganhar R$ 3000 depois de passar quatro anos ganhando R$ 1800.

E o principal, e também o mais difícil: que esse pessoal faça alguma coisa de útil pra pelo menos tentar pagar de volta o que foi investido neles. Esse é um problema grave. Essas bolsas pagas pelo governo, são dinheiro público, proveniente de impostos. Não é justo que depois de obter uma formação de excelência, doutores voltem pras suas universidades e iniciem viagens lisérgicas que não vão dar em lugar nenhum, que nunca vão mostrar nenhum resultado.

No entanto, aí já entramos em outra questão. Não tenho dados concretos, mas tenho certeza de que muitas descobertas já aconteceram pelo mais puro acaso, em coisas em que não necessariamente relacionadas. Ou seja, por pura ciência, estava se pesquisando uma coisa sem pé nem cabeça e acabou se descobrindo outra de fundamental importância. E é esse tipo de coisa que me mostra que essas duas vertentes (a ciência ‘de resultados’ e a ciência ‘lisérgica’) devem ser ponderadas.

Uma análise da seleção brasileira por quem não entende porra nenhuma de futebol.

O lado bom de eu colocar logo no título que eu não entendo porra nenhuma de futebol é que inibe, de imediato, que alguém coloque nos comentários que eu não entendo nada de futebol. So, move on.

Não gosto muito de futebol. Em 2002, não perdi meu sono pra assistir a nenhum jogo do Brasil. Não acompanho nada. Só fico sabendo das coisas pelos jornais e sites de notícias em geral. Acho as Olímpiadas algumas ordens de magnitude mais legal que a Copa.

Em 2006, eu tinha a absoluta convicção de que o Brasil não ganharia a copa. Esse ano, eu não conseguia chegar a uma conclusão. Eu acho que até dava, mas sei lá. Mas não ia fazer qualquer diferença na minha vida ou na minha conta bancária.

Desde a estréia, eu achei os jogos da seleção lentos, chatos… Os jogadores não corriam, se a bola não viessem nos pés deles, eles não eram capazes de esticar a perna pra pegá-la. Se eu tivesse assistido à qualquer um dos jogos deitado, tenho certeza que teria cochilado. A única exceção é o Lúcio, que era o único que mostrava um pouco mais de garra.

Aliás, esse é a diferença imediata que eu vejo entre o futebol brasileiro e o europeu. Neste, há mais vontade, os jogadores interceptam mais as jogadas.

Apesar das vitórias, era aquele jogo chato, monótono, cansado, em que os únicos lances – supostamente – bonitos eram os lances dos gols mesmo.

No jogo contra Portugal, a monotonia chegou a níveis inacreditáveis. Eu tava vendo a hora de os jogadores começarem a trocar receitas de bacalhau em campo ou de pegar um bolinho de fubá e um cafezinho pra colocar as fofocas em dias.

Uma coisa que eu realmente não entendo é o que diabos (tá amarrado 3x!) o Kaká estava fazendo em campo. Só atrapalhou. Não corria, perdia bolas, se atrapalhava com as jogadas. No jogo contra o Chile, eu tenho certeza que ele estava com prisão de frente, o bicho tava pesado! E se viu o lado bad boy do Kaká, ele conseguiu até ser expulso! Mas nesse jogo contra a Holanda ele jogou melhor, deu dois chutes a gol e etc, mas agora Inês já é morta…

Isso me fez pensar numa coisa: Se ele sabia que tava jogando mal e atrapalhando o time, por quê ele não pedia pra não jogar? Ou será que ele quis fazer isso e não deixaram? Nunca saberemos.

Confesso que eu não fazia a mais puta ideia de quem era Felipe Melo. Descobri que ele jogava futebol quando ele levou aquela ownada bonita do PVC. Em campo, foi um anti-atleta. Entradas violentas sem necessidade, pisão de propósito no adversário e etc.

E o Dunga. Não questiono os métodos dele. Acho que em 2006 faltou seriedade, ninguém que tenha o corpo e o preparo físico como instrumentos de trabalho deve estar dando entrevista às 2, 3 da manhã. Mas o comportamento do Dunga com a imprensa foi infantil. Que ele não goste deste ou daquele canal, é um direito dele, mas isso não dá a ele o direito de ser desrespeitoso com ninguém.

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