Condescendência

Esses dias aí, a Amy Winehouse tá no brasil pra fazer uns shows. Muitos duvidaram que ela sequer viria mesmo pro brasil. Depois, se ela iria dar as caras nos shows. Até onde eu sei, ela compareceu aos shows marcados e, vá lá, fez os shows. Meio capengas, mas fez.

Li em algum lugar, que em um dos shows, ela cantou apenas 7 músicas no total. Cantou umas 2, saiu do palco, voltou, cantou mais 3, saiu do palco… e assim por diante. As reações do público são as mais diversas. Gente indignada com a falta de compromisso da cantora e gente condescendente justificando que esses artistas são assim mesmo…

Eu me alinho aos indignados. Desculpe, mas um artista contratado a peso de ouro que não mostra profissionalismo, não merece crédito, por mais talentoso que seja. Sempre achei que shows com menos de 1,5h de duração são, nada menos, que falta de respeito com o público, que muitas vezes passa anos esperando e é brindado com uma apresentação sem vergonha de 50 minutos.

Veja, não estou pedindo pro artista ser simpático e dizer que sempre é um prazer imenso tocar na cidade X (até acho isso cafona), só quero que o artista faça o serviço dele direito. Se puder curtir o show e fazer dele um espetáculo, tanto melhor, mas o mínimo que eu espero é que as músicas sejam executadas da maneira mais regular possível. Uma coisa que me irrita é o cantor pegar o microfone, apontar pra galera e dizer: VOCÊS! Amigo, eu paguei o ingresso pra ver você cantar, então, deixe de graça.

O grupo dos condescendentes é curioso. Muitos deles acham normal que as apresentações da Amy sejam um desastre. A justificativa é que ela passou muitas dificuldades com o comportamento kamikaze que ela adotou e é assim mesmo. Como se houvesse algum charme nisso. Atenção: não há.

Se o Amy não estava apta a fazer shows, por quê se meteu a fazê-los? O público, que pagou ingressos caríssimos, não tem nada a ver com os problemas dela. Nesse texto do Zeca Camargo, um insider do show biz justifica o comportamento dela nos shows dizendo que é isso mesmo que o público quer ver, um show de horrores. Porra, Zeca, mas que cara de pau, hein? Só não conseguiu ser mais cara de pau que o Paulo Henrique Amorim.

Aposto o dedo mindinho do pé (que até hoje nunca me teve muita serventia) que muito desse pessoal que acha que a Amy tem, na verdade, atitude por fazer isso e mostrar who’s the boss, não perdoa a menor falha dos seus subordinados.

Gostaria muito de ver a atitude dessa galera se um dia a empregada doméstica (aliás, vamos parar com isso de chamar de secretária ou de “pessoa que trabalha comigo”) de algum deles chegar e disser que não fez a faxina em todos os comodos da casa. Duvido muito que eles diriam que é assim mesmo ou se aplaudiriam.

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Sobre Arlen Nascimento
26 anos, Manaus.

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