Acabem com o futebol amazonense

Existe uma espécie de força-tarefa, que é composta somente pela Rede Amazônica, para promover o futebol amazonense.

Em todos os telejornais do canal, o Eduardo Monteiro de Paula fala empolgadíssimo de como foi a rodada do campeonato amazonense. Mostra os gols, a (falta de) vibração da torcida e etc.

O problema é que nada disso existe. A precariedade dos jogadores, da torcida e dos estádios chega a dar dó. Os jogos ocorrem em campinhos mezzo grama mezzo barro com uma grade em volta. A torcida fica empoleirada em arquibancadas de madeira (apodrecida com certeza).

As imagens dos treinos mostram clubes sem qualquer infraestrutura. Muitos não tem nem sede, treinam em campos emprestados. Outro em campinho de bairro, mesmo.

Em qualquer outro lugar do mundo, um negócio desse jeito nem existiria mais. Mas estamos no Brasil. E como manda a tradição por aqui, tem que ter dinheiro público no negócio. O governo torra sabe-se lá quantos milhares de reais com esses clubes precários. O retorno é zero, claro. Os clubes de Manaus estão na série D do campeonato brasileiro (salvo engano, algum clube conseguiu subir pra série C) e talvez alguns nem estejam aptos a participarem da série D, por serem extremamente amadores.

Os dirigentes vão a publico pedir ajuda do governo sem o menor pudor, como se fosse obrigação do estado ajudar time de futebol decadente. Quando o governo se dispõe a “ajudar” (o que já está, de saída, errado) e exige uma contrapartida (como em qualquer negócio), como um plano de metas bem definidas pra ver se o futebol amazonense ganha alguma expressão, os dirigentes se sentem ofendidos. Afinal, é um absurdo mesmo receber dinheiro e dar resultado em troca. Onde já se viu isso!?

Sempre se ouve histórias de que até existem empresas dispostas a patrocinar os times daqui, desde que esses clubes deem um passo, mínimo que seja, rumo a profissionalização. Mas aí é pedir demais.

Se dependesse apenas de mim, o futebol amazonense já teria acabado. E nem é preciso muito esforço, basta deixar de morrer por inanição. É extremamente constrangedor ver aqueles jogadores capengas, naqueles campos de barro com meia dúzia de gatos pingados fingindo que estão gostando de alguma coisa ali.

Pra mim, um negócio (qualquer um) que não consiga se sustentar deve fechar. Se o futebol amazonense é incapaz de atrair público e patrocinadores, não há razão para o futebol amazonense existir.

Vez por outra, algum ex-jogador de expressão nacional é contratado pra jogar em algum time daqui. Viola e Túlio, por exemplo. O último deles foi o Jardel, que chegou aqui mais gordo que eu (não é pouca coisa). No entanto, esses jogadores, quando chegam a entrar em campo de fato, não passam nem 2 meses aqui.

E como zuera pouca é bobagem, em Manaus será construído um dos estádios mais caros de todos os tempos para a Copa do mundo.

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Sobre Arlen Nascimento
26 anos, Manaus.

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