Guia não veja manaus

Update: a ideia já está implementada e funcionando aqui http://www.comerebebermanaus.com/

Esses dias saiu o guia comer e beber da veja manaus.
Já acompanho faz uns anos e sempre é a mesma coisa. Raríssimas são as variações.

Tem jurado ali que só pode ter achado a boca no lixo. Teve voto de melhor chopp no Mercato. O mercato tem chopp kaiser!
Ai eu fiquei pensando, será que todos os jurados de uma categoria vão em todos os lugares? A única explicação pro sujeito escolher o chopp do mercato ao inves de um lugar que tenha chopp Brahma, por exemplo, é ele ter ido somente no mercato. Não há outra justificativa.

Você pode até alegar que é questão de gosto. Mas não é o caso de ser gosto pessoal. É o caso de falta de gosto mesmo. Suspeito que o sujeito sequer tenha papilas gustativas pra fazer uma escolha daquelas.

Lendo a lista, a hipótese de lobby fica muito patente por dois motivos. O primeiro é que tem bar/restaurante bem questionáveis que não saem da lista. E o segundo é que já tem lugar que acabou de abrir e já figura na lista como tradicional. Mas espero que seja apenas maldade minha e competência deles.

Como diabos o bar do armando (imundo, sem estrutura, onde se senta dentro do esgoto) pode sequer ser indicado a alguma coisa que não seja pejorativa?

E como pode a peixaria do Jokka Loureiro esta na categoria bom e barato? Sem dúvida nenhuma, o peixe lá é ótimo, mas não é barato de jeito nenhum. Fui lá com mais dois colegas de trabalho e a conta ficou em R$ 100. Ao passo que em outras peixarias, o mesmo consumo fica na casa dos R$ 50.

Claro que não quero que a veja pare de fazer o guia (nem que eu quisesse eles iriam parar, diz ai). Pelo contrário, acho que a iniciativa é muito boa. Só acho que eles deveriam fazer alguns ajustes e filtros. Poderiam, por exemplo, escolher lugares onde se vai, de fato, para comer e não pra ser visto. O problema é que um filtro desse derrubaria 80% da lista…

Enquanto lia o guia, uma antiga ideia me veio a tona novamente, retomar o blog Coma Bem Manaus, mas de maneira diferente.

Criar uma espécie de “guia não veja manaus”, com lugares mais simples e baratos (gastar R$ 100 pra comer 4 costelinhas de tambaqui com farofa soa pornográfico).
A lista iria desde lugares pé sujo (porém limpos) até lugares mais arrumados – ou, vá lá, chiques – mas mantendo sempre o foco em ser simples. O problema de uma empreitada dessas são os custos que sairiam do meu próprio bolso, já que nenhum empresário iria pagar pra alguém, eventualmente, falar mal do produto dele.

Como você já percebeu, tô dando a idéia aqui.
Se você tem interesse em fazer um negócio desses, entre em contato comigo (sério).
arlen.nascimento at gmail com

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Redes anti-sociais

0 – Depois de apagar o twitter, apaguei também o facebook.

Já tava muito maistream, e não era mais um lugar pra mim.

Mentira, claro. Mas acontece que aquilo me tomava tempo e me causava problemas, então era hora mesmo de apagar. No começo é doloroso, mas não nasci com aquilo, e hoje já superei.

No entanto, preciso de um lugar pra fazer meus comentários. E vai ser aqui nesse diário virtual, claro.

1 – A chormização do firefox.

Não gosto do google chorme. Não tem explicação, mas simplesmente não gosto. Não simpatizo com programas que querem tomar todas as decisões por mim, sou eu que tenho que ter controle sobre o software e não o contrário. E o chrome faz muitas coisas que eu quero fazer de outro jeito e, pior, não me deixa mudar isso.

O firefox trouxe na versão 6 uma atualização que não me agradou.

Esse negócio de destacar o domínio principal e meio que esconder o restante é ruim.

2 – Marcelo Adnet

Marcelo Adnet é gênio. Gênio mesmo. Apesar da orkutização da palavra, utilizo aqui da forma mais pura. Outro dia assisti ao programa de entrevistas que ele tem na MTV, o Adnet ao vivo, e fiquei impressionado com o domínio e rapidez que ele tem.

Veja esses dois vídeos e me diga se o rapaz não é um genio.

 

 

3 – Outro dia resolvi comprar Brahma Extra. E, surprise, surprise, é muito boa! Parece muito com a super bock. E não é cara, é mais barata que a heineken, a propósito.

4 – Fim

Manaus em castas

Ser rico em Manaus

Tomar Veuve Clicquot, comer queijo brie (se oferecer num petit comité na pérgula de casa, então, vai sair na coluna social como milionário), ter uma pajero e morar num condomínio mais ou menos.

Sonho de consumo: ir pra Las Vegas e ir pelo menos uma vez por ano pra Fortal.

Ser novo rico em Manaus

Assim que chega na ~balada~, mandar logo descer um red label com red bull, usar camisa com brasão da England, ter uma Hilux, tirar onda em Fortal em janeiro com a família, morar numa puta casa, mas no meio da favela onde cresceu e estacionar no Carrefour pra não pagar estacionamento no Manauara.

Sonho de consumo: tirar onda em Fortal todo mês.

Ser hipster em Manaus

Não frequenta shoppings porque é muito mainstream, prefere ir pro Largo de São Sebastião curtir um pouco da arquitetura e apreciar o por do sol, curtir um Ze Cabaleiro, ir no sarau da Saraiva ???, frequentar galerias, gostar de intervenções artisticas, gostar de Mezatrio e sempre que pode, curtir um temaki ou hot phila no Fast.

Sonho de consumo: um Starbucks na cidade, ir pra New York, mas pro Brooklin, claro (Manhattan, nem pensar!). Ou pra Budapeste, no outono.

Ser hipponga em Manaus

Cursar Ciências Sociais, Filosofia, Agronomia, Engenharia Florestal ou de Pesca, “curtir um natural”, escrever poemas, tomar corote na Praça do Congresso, ir acampar na Porteira e ir pra feira da Eduardo Ribeiro aos domingos.

Sonho de consumo: abraçar uma Samaúma e ir pra Fortal, mas pra uma comunidade de pescadores a 400km da capital, onde nem tem luz elétrica.

Ser galerito em Manaus.

Sentar na última cadeira do ônibus, abrir a janela até onde não der mais e botar o braço pra fora like a boss, usar sandália Kenner, bermuda Seaway e camiseta Quicksilver (não necessariamente originais), ir pro Cala a boca e beija logo, usar abadá e tururi como vestimenta, ouvir música no celular sem fone de ouvido em todos os locais, fazer luzes no cabelo

Sonho de consumo: uma CG 125, ir pro Samba Manaus de área VIP e ir pra Fortal tirar muita onda.

Ser classe média em Manaus

Comprar roupa na Granada Beach, tomar Stella Arthois, ir pra algum flutuante domingo, morar num apto de 50m2 e se achar barão, reclamar do “transito caótico dessa cidade”, fazer retornos e conversões proibidas no transito e beber Galioto achando que é vinho.

Sonho de consumo: uma Tucson e ir pra Fortal tirar muita onda nas férias de janeiro.

Há 1 ano

Há exatamente um ano, eu estava em Coimbra, forever alone, morando meio que de favor (na verdade, na brodagem). Tava na transição de um emprego pro outro, então tava sem computador, pois o que eu usava era do trabalho. E também tava meio sem dinheiro. Eu tinha dinheiro, mas não podia ficar gastando, tinha que racionalizar, então ficava em casa mesmo.  Minhas saídas eram pra almoçar ou jantar fora de vez em quando.
O meu computador era o meu celular e, claro, era super limitado. Então assistia muita televisão e lia a auto-biografia do Eric Clapton (que aliás, nem terminei de ler). Agosto, no hemisfério norte, é o auge do verão e, na Europa, férias quase gerais. O calor era infernal, coisa de cerca de 40 graus Celsius.

Mas acho que no dia 15 de agosto do ano passado, eu ja tinha comprado um computador, acho que comprei no dia 14. Mas mesmo assim foram 14 dias sem computador. Ruim demais.

Eu tinha apenas a tv aberta com 4 canais (e era uma tv de 14″).

Acordava por volta de meio dia, tomava café e deixava pra almoçar lá pelas 16hrs. Ligava a tv e ficava “assistindo” a Volta a Portugal em Bicicleta. Que coisa idiota. Nada contra, mas porra, transmitir isso todo santo dia é de fuder. Mas os caras são foda, diga-se. Correr de bicicleta com 40 graus na cabeça não é facil.

O curioso das corridas de bicicleta é que, invariavelmente, quem lidera a prova inteira não ganha. Quando falta 1km pra linha de chegada, sai um cara la de trás (muitas vezes, um que nem estava no pelotão) rasgando tudo e fica em primeiro. Imagina que merda deve ser pra quem liderou o resto da prova inteiro!

Mas o post não é pra isso. Como acordava muito tarde, dormia muito tarde também, lá pelas 3, 4 da manhã. E deixava a tv ligada, claro.

Certa vez, tava lá fazendo sudoku ou lendo, quando começa a passar na tv, nada menos, que CARGA PESADA!

Quem diria que as aventuras de Pedro e Bino passavam na tv aberta portuguesa em plena madrugada. E digo mais: curti carga pesada. Nunca tinha assistido aqui, mas até que tinha umas histórias bem loucas. E não é aquele negócio de valorizar o brasil quando se está longe, não. Nada a ver. Era falta de coisa melhor mesmo.

Outra coisa curiosíssima eram os programas que antecediam Carga Pesada.

Primeiro passava “Alerta Cobra”, um seriado policial Alemão muito bom! Mas muito bom mesmo! Recomendo demais. O mais louco é que passava legendado, então conseguia captar uma ou duas palavras em alemão e me achar o fodão. Uma cena inesquecível desse seriado é quando um dos policiais atirou em um carro com a intenção de fazê-lo explodir e dar aquele sobrevoo. E tudo isso pra que? Pra atingir um helicoptero! Impossível não me apaixonar por uma cena dessas.

Alias, enquanto escrevia o paragrafo acima, lembrei que não era exatamente um seriado de policiais comuns. Os protagonistas eram policiais da autobahn que se metiam em resolução de crimes de todo o tipo. Em um dos episódios, eles pararam um motorista bebado e acabaram descobrindo um esquema de vendas de armas. Ou alguma coisa assim. Mas era bem louco.

Na sequência vinha The Unit. Já tinha ouvido falar mas nunca tinha visto. O seriado é legal apesar de parecer muito fake.

E para manter o nível de excelência, nada menos que Carga Pesada na sequência.

Alias, olha que spinoff foda acabei de imaginar: Carga Pesada e Alerta Cobra!
Se realizam isso, nem cobro pela ideia.

Um balão de ensaio ao vivo e em cores

Acompanho meio bestificado o mais recente balão de ensaio lançado pelo governo: o pedágio da ponte.

Qualquer pessoa minimamente informada sabe que uma ponte daquelas tem que ter pedágio. Os custos de manutenção são muito altos pro governo arcar. E não é só arcar com os custos em si. É contratar pessoal especializado e etc. É mais barato terceirizar essa responsabilidade.

Mas como no Amazonas não estamos acostumados a esse modelo de pedágio, achamos estranho.

Cobrar por algo que endividou o estado pelas próximas 50 gerações não é uma decisão popular. Mas alguem vai ter que arcar com esse ônus.

Sempre soube que iria haver pedágio na ponte. A minha dúvida era apenas quanto tempo depois o pedágio iria ser implementado.

Já faz umas duas semanas que surgiu o “boato” de que o Governo já decidira que haveria pedágio.

A notícia, claro, não foi bem recebida e o Governo veio a público dizer não vai ter pedágio, não. É tudo intriga.

Mas o “boato” persistiu, as fontes de dentro do Governo insistiam em dizer que ia ter pedágio, sim.

Aí chegou o momento dos “formadores de opinião”. O papel deles é analisar, de forma rasa, claro, a questão. O argumento utilizado (perdão, argumento, por utilizá-lo dessa forma…) é de que o pedágio serviria pra ajudar a pagar o empréstimo e, assim, desonerar a população dos longíquos interiores que não utilizarão a ponte e, que por isso, não devem pagar por ela.

Colocando assim, realmente a idéia do pedágio fica mais digerível, pena que é mentira. O pedágio, e arrisco dizer que pedágio nenhum, vai servir pra pagar a obra, vai ser pra manter a ponte em perfeito estado.

Agora o Governo já começa a admitir que “é… achamos que vai ter pedágio, sim… mas pra pagar o empréstimo que contraímos pra construí-la, que fique claro, hein!”

A única coisa que vai atrasar essa cobrança é a construção da praça de pedágio.

Idolatria por CDs

(texto sem revisão, estou com sono)

Quando eu fui descobrir o que era um cd, acho que era 1992 ou 1993, não lembro bem.

Lembro que fomos eu, meu pai e minha madrasta comprar um aparelhinho de som no Amazonas Shopping nessa época aí. Era um som simples, daqueles que tinham cd, fita e rádio. Aí meu pai comprou o som e dois cds, “As quatro estações” do Legião Urbana e algum cd do Tom Petty. Não conhecia nenhum dos dois artistas.

Aquilo era tudo novidade pra mim. Nem sabia da existência daquele disquinho que tinha música dentro. Era uma loucura.

Lembro do cuidado extremo pra pegar no cd, tinha que lavar as mãos antes. Eu nem mexia no som. E cd era um negócio caro e nem se vendia em qualquer lugar.

O primeiro cd que eu ganhei foi dos Mamonas Assassinas. Aí eu só podia escutar na casa do meu pai, pois na casa de mamãe não tinha tocador de cd. O som que tinha lá era Aiko, todo de metal com toca fita, rádio e amplificador e duas caixinhas de som.

Com o passar do tempo, fui ganhando mais cds e fazendo uma pequena coleção.

Naquela época pré-internet o único jeito de consumir música era pelo rádio ou pelos cds. A melhor rádio que havia naquela época era a Transamérica, que depois fora substituída pela Jovem Pan. Substituída, mesmo. Saiu a Transamérica e entrou a JP na frequência 104,1.

Por uma questão de mercado, as lojas não vendiam as músicas que a gente queria escutar e a única forma de ouvir essas músicas era através de cds. E como eu não era rico (e não sou até hoje, aliás), não podia comprar os cds das bandas que eu queria ouvir.

Ter algum cd incomum lhe conferia status. Exemplo: cds do nirvana, sepultura, metallica. Quem tinha esses cds era visto com certa reverência. “Caceta, o cara tem todos os cds do nirvana!”. Se fosse uma pessoa próxima, você poderia emprestar por uns dias, ouvir o máximo possível e devolver. Se você tivesse o maquinário, você poderia gravar uma fita cassete, mas isso era um privilégio para poucos.

E era assim que se consumia as músicas que não tocavam nas rádios. Convencendo os donos dos cds a lhe emprestar algum, ouvir e devolver.

O empréstimo de cd era coisa muito séria. Só se emprestava pra pessoas de absoluta confiança, casos de extravio (o horror! o horror!) eram tratados com penas que eu nem sei quais, pois nunca passei por isso, mas as sançõesn eram horríveis.

É daí que vem a idolatria, a paixão pelos cds. Quando a gente descobria que o fulaninho tinha algum cd que você estava desejando há tempos, a gente tratava de arrumar alguma amizade com ele, só por causa do cd, claro.

Mas hoje em dia, a maneira de como se consome música é outra. Em questão de minutos, você baixa a música, vê o clipe, vê o show, aprende a letra, vê os covers, trocentas versões ao vivo, bootlegs, aprende a tocar todos os solos e pode até bater um papo com o artista pelo twitter.

Hoje, a idolatria pelos cds é uma coisa muito bocó. Os cds se tornaram obsoletos e, pior,  desnecessários. Cd, hoje, é só um negócio que além de ocupar espaço e poeira, vai ser destruído pelos fungos em algum tempo.

Eu não consigo descrever o que eu sinto quando eu vejo alguém na tv mostrando sua coleção de cds, mostrando que tem ciúmes dos cds, mostrando os cds raros, os cds preferidos. Botando o cd pra tocar na vitrola. É um ritual que perdeu o sentido. Quem ainda põe um cd pra tocar, senta e vai ouvir? É um negócio que não faz mais sentido hoje em dia. Passou. Move on.

Pior que tudo isso é comprar cd. Gastar dinheiro com um negócio que eu vou utilizar por apenas 10, 20 minutos (o tempo que leva pra ripar o cd) e vai ficar lá ocupando meu espaço e pegando sujeira. É claro que sou a favor de que o artista seja recompensado pelo seu trabalho e já há algumas soluções pra isso. E comprar cds é a menos eficaz de todas.

Lembro do dia em que peguei todos os meus cds (não são muitos, menos de 50) – que já estavam me atrapalhando, pois só pegavam sujeira e eu tinha que limpá-los sempre – e os guardei numa caixa. E desde lá, nunca mais precisei deles. Senti uma pontinha de tristeza pois o que tem ali é dinheiro. Claro que não é só dinheiro, são lembranças também. Lembranças dos momentos que eu vivi e que foram acompanhados por aqueles cds que, de alguma maneira, fizeram parte daquilo.

Como o acústico do Nirvana, o primeiro cd de “rock” que eu tive. De entender o que aquele cd representava na carreira do Nirvana, que foi a despedida do Kurt. Que naquele cd quase não havia hits, justo no momento em que eu mais queria ouvir os hits. “Porra, esse cd não tem Lithium, Smells like teen spirit e etc”. Mas é um disco absolutamente foda, que termina de forma visceral com “Where did you sleep last night”.

Ou o “Angels Cry”, do Angra, que eu ganhei de um grande amigo. O cd que tinha “Carry on”! Não havia alegria maior no mundo do que poder ouvir Carry on a hora que eu quisesse. E ainda poder conhecer todas as outras músicas fantásticas desse disco maravilhoso (falando sério, baixem e vão ouvir. Meu filho vai ouvir esse disco desde a gestação).

Hoje, eu tenho ao meu alcance qualquer música, de qualquer lugar do mundo, em qualquer lugar que eu esteja. O ritual se perdeu, mas a emoção não (estou em dúvida se há vírgula ou não aqui). A satisfação e o prazer de escutar uma música que se gosta permanecem. Apenas o meio que se perdeu, ou mudou.

A única exceção para essa regra de que é possível encontrar qualquer música do mundo na internet é para o F. Cabocante, não tem em lugar nenhum! Eu tinha mas apaguei. Peguei com um ex-colega de trabalho que foi à serviço para o delicioso município de Benjamin Constant. Quem tiver aí, por favor avise, vou buscar em qualquer lugar.

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