Para Fernando e Zeca

ou: Sobre meus cachorros.

Nunca tinha tido um cachorro. Dois cachorros já haviam passado pela minha casa, mas nunca foram meus, de minha responsabilidade.

Ai um belo dia resolvemos procurar um. Sempre quis um pincher porque acho bonito. E também acho engraçado um cachorro daquele tamanho ser bravo do jeito que normalmente é.

Mas não importava a raça. O cachorro só tinha que ser pequeno porque a casa não é tão grande assim. Não me animava muito em pagar por um cachorro, mas dependendo, poderia até considerar pagar os custos que a pessoa teve, tais como vacinas, remédios, etc. Se pudesse ser de graça, tanto melhor.

A Renata perguntou no facebook e logo indicaram um rapaz, amigo de amigos, cuja cadela acabara de parir uns 4, 5 cachorros. Marcamos e fomos lá.

Nos dias anteriores, ficou decidido que o nome seria Fernando. Sempre achei engraçado esse negócio de nome de gente em cachorro.

Quando chegamos pra pegar o Fernando ficamos encantados. Era lindo. Pequeno do jeito que a gente queria. Era exatamente o cachorro que a gente queria.

Como a gente passa a maior parte do dia fora, várias pessoas falaram que ele poderia se sentir muito sozinho e que seria ótimo se ele tivesse companhia. E começamos a pensar em ter outro cachorro. Entramos em contato com o rapaz e ele ainda tinha um cachorro sobrando, da mesma ninhada do Fernando. Vimos umas fotos e decidimos que íamos meter a cara e pegar mais outro cachorro.

A Renata deu a idéia do nome: Zeca. E duas semanas depois do Fernando, o Zeca chegava em casa. Tínhamos então dois vira-latas.

Na primeira noite, o Fernando estranhou muito. Pois de uma hora pra outra, ele não era mais o reizinho da casa. Passou a ter que dividir a atenção com o Zeca.

Lembro que o Zeca roubou quase toda a caminha do Fernando, que ficou só com uma pontinha.

Houve estranhamento da parte do Fernando, mas tudo em paz.

Nos dias seguintes, bateu um certo arrependimento, ou uma sensação de “deveríamos ter pensado um pouco mais” e conversamos sobre devolver o Zeca.

O Zeca é bem maior que o Fernando, uma diferença de uns 10kg. O nosso medo era que o Zeca ficasse grande demais e não houvesse espaço para os dois.

Zeca e Fernando

Zeca e Fernando

No fim das contas, acabamos ficando com os dois mesmo e não foi problema nenhum. O Zeca cresceu bem mais que o Fernando, e apesar de uma outra dificuldade, era possível manter os dois em casa sem maiores problemas.

Eles sempre se deram muito bem. Brincavam de se morder, dormiam se apoiando um no outro (uma cena tão linda que transborda ternura). Nunca houve briga por comida nem nada do tipo. Eles eram capazes de dividir a mesma vasilha de comida sem problema nenhum.

O Fernando é muito ciumento, toda vez que a gente ia fazer carinho no Zeca, ele vinha pra cima e o empurrava pra roubar o carinho dele. Mas nunca de forma agressiva. O Zeca sempre foi, digamos, compreensivo com isso.

Os dois sempre foram muito dóceis conosco e com os outros também. Talvez pelo tamanho e pelo latido mais grosso, o Zeca assustasse mais.

Tudo corria muito bem até que um dia tudo começou a desandar.

Tínhamos que aplicar uma injeção em cada um e caímos na besteira de fazer isso com os dois cachorros lado a lado. Assim que espetamos o Fernando, ele achou que fosse o Zeca e avançou nele. Daí começou uma briga horrível entre os dois. Nunca tinha visto uma briga de cachorro e não sabia o que fazer. A impressão que se tem é que aquilo ali só vai acabar quando um matar o outro, de tão violento que é.

Nos metemos no meio dos dois e conseguimos separá-los. Nisso, o Fernando acabou dando uma beliscada com o boca no meu braço e sangrou um pouco.

Fui me lavar e num vacilo com a porta, eles acabaram se pegando de novo, coisa de 5 minutos depois. A briga parecia ainda pior e fomos de novo pra cima deles para separá-los. Nisso, o Zeca acabou mordendo a minha mão esquerda com muita força, gritei de dor. Com o barulho, algumas pessoas que estavam no andar de baixo acabaram subindo pra ver o que estava acontecendo.

Daí fui pro hospital, onde fizeram um curativo, passaram uns remédios e preencheram todo o protocolo do Ministério da Saúde referente a mordida de animais. Como o cachorro era meu, doméstico e com todas as vacinas em dia, não havia tanto assim pra se preocupar, mas ainda era necessário observar o comportamento do Zeca por 10 dias pra ver se ele iria manifestar os sintomas da raiva. E depois desses 10 dias, eu teria que voltar lá pra reportar o que havia acontecido pra eles fecharem aquele protocolo.

Apesar de saber que não aconteceria nada, fiquei com medo porque Raiva não tem cura (há controvérsias pois há duas pessoas que conseguiram sobreviver). Curiosamente, poucas semanas antes eu havia escutado o Nerdcast 339 sobre distúrbios mentais e vi que Raiva é uma doença bizarríssima.

Assim que voltei do hospital, o Zeca me recebeu muito agitado, veio pra perto, me lambeu, balançou o rabo. Deu pra perceber que ele ficou aliviado em me ver. Nesse interim em que eu estava no hospital, a Renata até os levou pra passear e não houve desentendimento, eles se cheiraram e andaram um do lado do outro sem problema nenhum.

Horas mais tarde foi que o clima começou a ficar pesado entre os dois. A partir daí nada mais seria igual antes.

Desde o acontecido, eles ficaram separados. À noite, tentamos aproximá-los, mas não deu certo. O Fernando tava muito cabreiro com o Zeca e vice-versa. Eles até chegavam perto um do outro, mas sempre se olhando de canto de olho. Numa dessas, eles rosnaram feio um pro outro, mas felizmente eles estavam amarrados.

Ao fim e ao cabo, eu e a Renata acabamos ficando com muito medo do Zeca, pois sempre que chegávamos perto, ele olhava de canto de olho pra gente, desconfiado, parecia que ia atacar a qualquer momento. Mas o veterinário disse que isso era uma espécie de arrependimento porque ele sabia exatamente a besteira que tinha feito e tava com vergonha.

No dia seguinte, várias pessoas disseram que, dali em diante, para que os dois pudessem voltar a conviver deveríamos castrá-los, que isso acalma muito os animais. E foi o que fizemos. Mas fomos alertados de que os hormônios do Zeca só seriam completamente metabolizados em torno de 30 dias, até lá, ele poderia continuar do mesmo jeito que estava, ainda que houvesse uma diminuição gradual.

Uma coisa interessante que lemos na internet e que vimos acontecer é que quando esse tipo de coisa acontece, há uma troca no “comando”. O Zeca que sempre tinha sido mais compreensivo com tudo, passou a se impor diante do Fernando, que por sua vez, passou a obedecer. Mesmo estando separados por uma grade ou pela porta, o Zeca fazia questão de chegar perto do Fernando só pra mostrar quem que estava mandando.

Depois da castração, o Zeca foi ficando mais calmo. Mas algumas vezes os dois chegaram a se estranhar. Às vezes por descuido nosso e outras por tentar fazer as pazes entre eles. Várias vezes eles ficaram perto, se cheiraram, se lamberam, mas bastava que um olhasse feio pro outro que começava a putaria de novo.

Nesses dias, ficou tudo muito dificil porque os cachorros tinham sempre que ficar separados, a porta da sala sempre fechada, entrar e sair de casa exigia muita atenção para que um não escapasse pra fora ou pra dentro. De vez em quando tínhamos que colocar o que tava dentro pro lado de fora e vice-versa e era toda uma operação.

Era uma sensação horrível de ter que fazer tudo aquilo quando alguns dias antes eles dormiam abraçados.

Zeca e Fernando

Zeca e Fernando – essa foto é a lock screen do meu celular

A solução que foi se apontando foi a de dar o Zeca. Só pensar nisso já era doloroso. Apesar da situação, isso não nos passava pela cabeça. Até conseguimos um amigo que ficou interessado no Zeca, mas ele ficava cada vez mais dócil e meigo. Era difícil pensar em se desfazer dele.

Como última tentativa, decidimos cobrir um pedaço do pátio, onde seria possível o Fernando e o Zeca ficarem fora de casa e separados por uma grade. Essa grade, além de proteger um do outro, serviria para reaproximá-los de forma segura.

Dessa forma, quando o Fernando não estava no campo de visão do Zeca (ou vice-versa), eles latiam muito, como se um pedisse pro outro aparecer.

Assim foi até que no sábado, por um descuido no portão, eles acabaram brigando de novo. O Zeca mordeu a Renata e me beliscou com a boca, porque pra separar a briga, eu peguei o Fernando no braço.

Mesmo com isso tudo, era muito dificil ter que deixá-lo ir embora, apesar de, dessa vez, ser inevitável. Ia ser muito dificil, ou impossível, que os dois se entendessem novamente como antes. E aquela situação já estava insustentável há muito tempo, a gente que continuava insistindo.

E então que a minha mãe arranjou uma pessoa que ficou interessada no Zeca. Quando ela me ligou pra avisar que ele iria buscá-lo no dia seguinte, foi um baque. De repente, caiu a ficha que o Zeca ia embora mesmo. Nesse dia, quando cheguei em casa, sentei no sofá com ele e ficamos conversando. Falei tudo isso que eu escrevi ai em cima e que tínhamos tentado de tudo pra que ele ficasse conosco, mas que não tinha jeito. Aquela situação já não era mais segura nem pra eles e nem pra gente. E muito menos pras pessoas com quem eles não estão acostumados. A única saída era que a gente deixasse que ele fosse embora, ser criado por outra pessoa, em outra casa. Dessa forma, todos estaríamos bem.

A chance de ele ter entendido tudo o que eu quis dizer pra ele é quase nula, mas pelos gestos e pelo olhar dele, tenho certeza que ele entendeu e tava sentindo a mesma coisa que eu. Ele tava com o semblante triste e muito carinhoso, parecia que queria aproveitar os ultimos momentos que passaríamos juntos…

Eis que chegou a hora da despedida. Levamos o Zeca pra perto do amigo da minha mãe e, por incrível que pareça, ele não estranhou nada. Simpatizou imediatamente com ele. Ao ver isso, fiquei muito mais tranquilo. Curiosamente, o Zeca tava muito calmo, não estranhou nada em nenhum momento. Colocamos ele no carro e ele continuou tranquilo.

Jamais pensei que fosse me apegar tanto a cachorros como me apeguei ao Zeca e ao Fernando. Chegar em casa e vê-los pulando de alegria, com o rabinho balançado, lambendo, cheirando é um negócio que não tem preço. Cachorro faz muita besteira, roer o que não devia, fazer sujeira etc. Mas o que é um chinelo, uma peça de roupa na frente daquela carinha de danado, a linguinha pra fora e o rabinho balanaçando?

2012-12-27 08.35.09

***

Esse texto foi escrito há cerca de 6 meses. No dia anterior ou no mesmo dia em que o Zeca foi embora, não lembro bem.

Ainda hoje sentimos muita saudade do Zeca. Os dias seguintes à ida dele foram muito dolorosos, a Renata chorava muito, queria traze-lo de volta… Mas, infelizmente, não era possível mesmo. O amigo da minha mãe que o levou disse que no dia seguinte, de manhã cedo, o Zeca estava do lado do carro, como se dissesse “tá bom, já pode me levar pra casa” :~~~~

As notícias que tivemos do Zeca é que ele está bem, se adaptou à nova família. Dizem que ele é muito dócil e carinhoso com as pessoas da casa, muito ativo e alegre e muito atento com qualquer barulho.

Talvez fosse possível nós fazermos uma visita pra ele, pra matar as saudades, mas acho que não seria bom pra ele e nem pra nós.

E assim vamos indo, lembrando dele todos os dias.

 

 

A decisão racional de não participar de amigo oculto

Sou novo no trabalho – menos de 1 mês – e resolvi participar do amigo oculto. Que erro.

Não tinha obrigação nenhuma, mas quando vieram me perguntar, achei que seria uma boa idéia pra me integrar com o pessoal, sei lá. Aceitei.

A primeira “dificuldade” foi escolher um presente entre 20 e 30 reais. As opções nessa faixa de preço são, basicamente, CDs. Não tenho nada contra CDs, mas já estamos em 2011 e comprar CD é uma coisa muito bocó. DVD cai na mesma categoria do CD, com o agravante de que achar um dvd entre 20 e 30 reais é mais difícil. Por uma providência divina da indústria, existem várias opções de blu-rays por 30 reais e até por menos (por acaso, esse foi meu presente, o blu-ray de Tropa de Elite 2. Mas ainda não tenho o player de blu-ray. Risos).

Encontrar livros até 30 reais é possível, mas não tão simples.

Como eu conheço pouquíssimas pessoas, o amigo oculto foi muito desagradável pra mim. Intermináveis momentos de vergonha alheia, piadocas e etc. Talvez isso tenha ocorrido por pura antipatia da minha parte pois, repito, não conheço ninguém.

E enquanto estava lá torcendo praquele momento passar logo, fiquei pensando nesse post.

Teve um ano em que devo ter participado de 2 ou 3 amigos ocultos, se cada um deles tinha presentes na faixa de 30-40 reais, devo ter gastado uns 100, 120 reais pra comprar os presentes.

Como cada um escolhe o presente que quer ganhar – o que não tem lógica nenhuma mas é uma forma de evitar surpresas desagradáveis – eu tinha que escolher três presentinhos que coubessem dentro da cota. Isso é uma idiotice sem tamanho porque eu poderia pegar o dinheiro que eu gastei comprando presente pros outros e comprar alguma coisa que eu realmente quisesse e com o valor que eu pudesse pagar e não escolher apenas uma lembrancinha só pra fazer o social.

Dessa vez, minha amiga oculta pediu um cd da Adele. Fiquei surpreso ao descobrir que esse cd estava esgotado nas lojas e não havia tempo hábil pra pedir pela internet. Mas acabei achando na Saraiva. Em seguida, veio a vergonha imensa de um heterossexual (no caso, eu) ir comprar um cd da Adele. Depois, a estranha sensação de enfrentar uma fila pra comprar um cd. Foi como se eu tivesse tivesse sido transportado de volta para 1999.

E pra encerrar. Uma vez teve um amigo oculto com o pessoal da faculdade e eu comprei pra dar de presente o cd acústico do Charlie Brown Jr (se você viveu em 2003/2004, você entende). Como eu tinha que sair pra um compromisso, não pude ficar pra receber meu presente. No dia seguinte, entregaram a caneca de 10 reais que meu amigo oculto me deu.

Sem esquecer de mencionar o amigo oculto entre familiares, onde os presentes variam entre tolhas de banho, jogo de vasilhas, meias, chinelos e etc.

É isso aí, não participo mais de amigo oculto nenhum.

Velhos hábitos

Essa semana tava fazendo backup dos meus arquivos. Tinha um hd externo de 400GB e diversos dvds com espalhados por ai. Comprei mais um de 750GB (que já está com 100GB ocupados).

Guardo muita coisa inútil. Tenho uma pena imensa de apagar arquivos que eu tenho certeza que eu não vou mais precisar. Filmes e séries já assistidos, principalmente.

Esse comportamento foi herdado da minha época offline.

Eu comecei a usar a internet de forma hardcore em 2003, quando eu entrei na faculdade. Não tinha internet em casa, nem discada. Tive apenas dois meses de internet em 2005, eu acho. Depois disso, só fui ter internet de novo em 2008, pelo plano de dados do meu celular.

Quando eu não tinha internet, eu passava os fins de semana offline. Não via nada no fim de semana. Depois de sexta, só via meu email de novo na segunda. Eu tinha que fazer um planejamento minuncioso pro fim de semana, se faltasse algum arquivo ou programa, eu, provavelmente, não conseguiria fazer algum trabalho importante. Várias vezes perdi um fim de semana porque esqueci de baixar um pacote pro linux.

E herdei esse comportamento dessa época. Até pouco atrás, eu gravava em dvd todos os filmes e episódios de séries. Ainda tenho muitos comigo.

Fazendo esse backup me peguei salvando temporadas completas em HD de séries que já assisti há 3, 4 anos. E, de certa forma (e com certo exagero) sofri pra apagar. E me perguntava o porqu, pois no meu computador tenho 1, 2 GB livres no hd.

Hoje, que finalmente, temos internet decente em Manaus, eu tenho um link de 20Mbps em casa (que, ok, às vezes me deixa na mão), que realmente baixa a 20Mbps, e posso baixar séries e filmes em questão de minutos! Do contrário do tempo em que baixar um episódio de 350MB levava 3,5 horas no velox!

Fim do post.

 

 

 

 

 

 

 

Há 1 ano

Há exatamente um ano, eu estava em Coimbra, forever alone, morando meio que de favor (na verdade, na brodagem). Tava na transição de um emprego pro outro, então tava sem computador, pois o que eu usava era do trabalho. E também tava meio sem dinheiro. Eu tinha dinheiro, mas não podia ficar gastando, tinha que racionalizar, então ficava em casa mesmo.  Minhas saídas eram pra almoçar ou jantar fora de vez em quando.
O meu computador era o meu celular e, claro, era super limitado. Então assistia muita televisão e lia a auto-biografia do Eric Clapton (que aliás, nem terminei de ler). Agosto, no hemisfério norte, é o auge do verão e, na Europa, férias quase gerais. O calor era infernal, coisa de cerca de 40 graus Celsius.

Mas acho que no dia 15 de agosto do ano passado, eu ja tinha comprado um computador, acho que comprei no dia 14. Mas mesmo assim foram 14 dias sem computador. Ruim demais.

Eu tinha apenas a tv aberta com 4 canais (e era uma tv de 14″).

Acordava por volta de meio dia, tomava café e deixava pra almoçar lá pelas 16hrs. Ligava a tv e ficava “assistindo” a Volta a Portugal em Bicicleta. Que coisa idiota. Nada contra, mas porra, transmitir isso todo santo dia é de fuder. Mas os caras são foda, diga-se. Correr de bicicleta com 40 graus na cabeça não é facil.

O curioso das corridas de bicicleta é que, invariavelmente, quem lidera a prova inteira não ganha. Quando falta 1km pra linha de chegada, sai um cara la de trás (muitas vezes, um que nem estava no pelotão) rasgando tudo e fica em primeiro. Imagina que merda deve ser pra quem liderou o resto da prova inteiro!

Mas o post não é pra isso. Como acordava muito tarde, dormia muito tarde também, lá pelas 3, 4 da manhã. E deixava a tv ligada, claro.

Certa vez, tava lá fazendo sudoku ou lendo, quando começa a passar na tv, nada menos, que CARGA PESADA!

Quem diria que as aventuras de Pedro e Bino passavam na tv aberta portuguesa em plena madrugada. E digo mais: curti carga pesada. Nunca tinha assistido aqui, mas até que tinha umas histórias bem loucas. E não é aquele negócio de valorizar o brasil quando se está longe, não. Nada a ver. Era falta de coisa melhor mesmo.

Outra coisa curiosíssima eram os programas que antecediam Carga Pesada.

Primeiro passava “Alerta Cobra”, um seriado policial Alemão muito bom! Mas muito bom mesmo! Recomendo demais. O mais louco é que passava legendado, então conseguia captar uma ou duas palavras em alemão e me achar o fodão. Uma cena inesquecível desse seriado é quando um dos policiais atirou em um carro com a intenção de fazê-lo explodir e dar aquele sobrevoo. E tudo isso pra que? Pra atingir um helicoptero! Impossível não me apaixonar por uma cena dessas.

Alias, enquanto escrevia o paragrafo acima, lembrei que não era exatamente um seriado de policiais comuns. Os protagonistas eram policiais da autobahn que se metiam em resolução de crimes de todo o tipo. Em um dos episódios, eles pararam um motorista bebado e acabaram descobrindo um esquema de vendas de armas. Ou alguma coisa assim. Mas era bem louco.

Na sequência vinha The Unit. Já tinha ouvido falar mas nunca tinha visto. O seriado é legal apesar de parecer muito fake.

E para manter o nível de excelência, nada menos que Carga Pesada na sequência.

Alias, olha que spinoff foda acabei de imaginar: Carga Pesada e Alerta Cobra!
Se realizam isso, nem cobro pela ideia.

Idolatria por CDs

(texto sem revisão, estou com sono)

Quando eu fui descobrir o que era um cd, acho que era 1992 ou 1993, não lembro bem.

Lembro que fomos eu, meu pai e minha madrasta comprar um aparelhinho de som no Amazonas Shopping nessa época aí. Era um som simples, daqueles que tinham cd, fita e rádio. Aí meu pai comprou o som e dois cds, “As quatro estações” do Legião Urbana e algum cd do Tom Petty. Não conhecia nenhum dos dois artistas.

Aquilo era tudo novidade pra mim. Nem sabia da existência daquele disquinho que tinha música dentro. Era uma loucura.

Lembro do cuidado extremo pra pegar no cd, tinha que lavar as mãos antes. Eu nem mexia no som. E cd era um negócio caro e nem se vendia em qualquer lugar.

O primeiro cd que eu ganhei foi dos Mamonas Assassinas. Aí eu só podia escutar na casa do meu pai, pois na casa de mamãe não tinha tocador de cd. O som que tinha lá era Aiko, todo de metal com toca fita, rádio e amplificador e duas caixinhas de som.

Com o passar do tempo, fui ganhando mais cds e fazendo uma pequena coleção.

Naquela época pré-internet o único jeito de consumir música era pelo rádio ou pelos cds. A melhor rádio que havia naquela época era a Transamérica, que depois fora substituída pela Jovem Pan. Substituída, mesmo. Saiu a Transamérica e entrou a JP na frequência 104,1.

Por uma questão de mercado, as lojas não vendiam as músicas que a gente queria escutar e a única forma de ouvir essas músicas era através de cds. E como eu não era rico (e não sou até hoje, aliás), não podia comprar os cds das bandas que eu queria ouvir.

Ter algum cd incomum lhe conferia status. Exemplo: cds do nirvana, sepultura, metallica. Quem tinha esses cds era visto com certa reverência. “Caceta, o cara tem todos os cds do nirvana!”. Se fosse uma pessoa próxima, você poderia emprestar por uns dias, ouvir o máximo possível e devolver. Se você tivesse o maquinário, você poderia gravar uma fita cassete, mas isso era um privilégio para poucos.

E era assim que se consumia as músicas que não tocavam nas rádios. Convencendo os donos dos cds a lhe emprestar algum, ouvir e devolver.

O empréstimo de cd era coisa muito séria. Só se emprestava pra pessoas de absoluta confiança, casos de extravio (o horror! o horror!) eram tratados com penas que eu nem sei quais, pois nunca passei por isso, mas as sançõesn eram horríveis.

É daí que vem a idolatria, a paixão pelos cds. Quando a gente descobria que o fulaninho tinha algum cd que você estava desejando há tempos, a gente tratava de arrumar alguma amizade com ele, só por causa do cd, claro.

Mas hoje em dia, a maneira de como se consome música é outra. Em questão de minutos, você baixa a música, vê o clipe, vê o show, aprende a letra, vê os covers, trocentas versões ao vivo, bootlegs, aprende a tocar todos os solos e pode até bater um papo com o artista pelo twitter.

Hoje, a idolatria pelos cds é uma coisa muito bocó. Os cds se tornaram obsoletos e, pior,  desnecessários. Cd, hoje, é só um negócio que além de ocupar espaço e poeira, vai ser destruído pelos fungos em algum tempo.

Eu não consigo descrever o que eu sinto quando eu vejo alguém na tv mostrando sua coleção de cds, mostrando que tem ciúmes dos cds, mostrando os cds raros, os cds preferidos. Botando o cd pra tocar na vitrola. É um ritual que perdeu o sentido. Quem ainda põe um cd pra tocar, senta e vai ouvir? É um negócio que não faz mais sentido hoje em dia. Passou. Move on.

Pior que tudo isso é comprar cd. Gastar dinheiro com um negócio que eu vou utilizar por apenas 10, 20 minutos (o tempo que leva pra ripar o cd) e vai ficar lá ocupando meu espaço e pegando sujeira. É claro que sou a favor de que o artista seja recompensado pelo seu trabalho e já há algumas soluções pra isso. E comprar cds é a menos eficaz de todas.

Lembro do dia em que peguei todos os meus cds (não são muitos, menos de 50) – que já estavam me atrapalhando, pois só pegavam sujeira e eu tinha que limpá-los sempre – e os guardei numa caixa. E desde lá, nunca mais precisei deles. Senti uma pontinha de tristeza pois o que tem ali é dinheiro. Claro que não é só dinheiro, são lembranças também. Lembranças dos momentos que eu vivi e que foram acompanhados por aqueles cds que, de alguma maneira, fizeram parte daquilo.

Como o acústico do Nirvana, o primeiro cd de “rock” que eu tive. De entender o que aquele cd representava na carreira do Nirvana, que foi a despedida do Kurt. Que naquele cd quase não havia hits, justo no momento em que eu mais queria ouvir os hits. “Porra, esse cd não tem Lithium, Smells like teen spirit e etc”. Mas é um disco absolutamente foda, que termina de forma visceral com “Where did you sleep last night”.

Ou o “Angels Cry”, do Angra, que eu ganhei de um grande amigo. O cd que tinha “Carry on”! Não havia alegria maior no mundo do que poder ouvir Carry on a hora que eu quisesse. E ainda poder conhecer todas as outras músicas fantásticas desse disco maravilhoso (falando sério, baixem e vão ouvir. Meu filho vai ouvir esse disco desde a gestação).

Hoje, eu tenho ao meu alcance qualquer música, de qualquer lugar do mundo, em qualquer lugar que eu esteja. O ritual se perdeu, mas a emoção não (estou em dúvida se há vírgula ou não aqui). A satisfação e o prazer de escutar uma música que se gosta permanecem. Apenas o meio que se perdeu, ou mudou.

A única exceção para essa regra de que é possível encontrar qualquer música do mundo na internet é para o F. Cabocante, não tem em lugar nenhum! Eu tinha mas apaguei. Peguei com um ex-colega de trabalho que foi à serviço para o delicioso município de Benjamin Constant. Quem tiver aí, por favor avise, vou buscar em qualquer lugar.

Passagens da minha vida – Mortal Kombat III

Eu sempre lembro de umas coisas sem pé nem cabeça que eu ja fiz, e às vezes calha de ser alguma coisa engraçadinha.

Era 1995 (eu tava na quarta série) e o jogo Mortal Kombat III tinha acabado de ser lançado. Por acabado de ser lançado, leia-se tinha acabado chegar em manaus. Não lembro em que mês foi isso.
Mortal Kombat foi um marco daquela época. As versões I e II já eram aclamadíssimas, muito violentas e muito mais legais que Street Fighter, a despeito da grande popularidade e facilidade ao acesso deste (toda e qualquer bugega tinha uma arcade de Street Fighter).  Mas, segundo eu lembro, Street Fighter já era um jogo meio antigo e há tempos não tinha uma versão nova.
Aí, quando o Mortal Kombat III (aliás, eu pronuncio como se as palavras fossem em português mesmo) chegou foi aquela coisa. Naquela época a internet não existia na prática, então tudo era mais dificil. Mas alguém me falou que um lugar (o único lugar!) já tinha uma máquina de Mortal Kombat,  o Mangueirão, que ficava na esquina da Epaminondas com a Leonardo Malcher. Salvo engano, o Mangueirão também funcionava como oficina (de kart ou de moto, não lembro) e tinha uma sala só com arcades. A maioria dos jogos que o Mangueirão tinha, só tinham lá mesmo.

Aí reuni uns 2 ou 3 amigos que estudavam comigo e fomos lá.

Em 1995, com 10 anos de idade, ir ao centro da cidade sozinho e escondido (embora eu não estivesse gazetando aula, nenhuma mãe gostaria de saber que o filho ficava andando por essas casas de vídeo game do centro. Se o negócio é bem marginalizado hoje, calcule naquela época.) era uma grande aventura.

Então fomos. Chegando lá, era proibida a permanência de pessoas com fardamento escolar, e como não tínhamos levado nenhuma camisa extra, tivemos que tirar a blusa pra poder ficar lá dentro. Lá dentro, fiquei vislumbrado com o que tava vendo. E mais ainda quando eu vi o Mortal Kombat III. Personagens diferentes e gráficos muito superiores a versão anterior.

Então vamos jogar. Lembro que a ficha era muito cara pros meus padrões e mais cara que em qualquer outro lugar. Custava, sei lá, uns 2 reais. E em 1995 isso era uma quantia que fazia até quem não tinha 10 anos de idade pensar bem antes de dar em uma ficha de video game.

Mas eu tinho ido até lá exclusivamente pra isso.

(Pensando agora, não tenho a mais puta ideia de onde eu tirei 2 reais pra comprar essa ficha pois  nunca tive mesada e a mamãe não era de me dar dinheiro a toa. Talvez tenha sido meu pai, mas não estou bem certo)

Com muita dor no coração, comprei a ficha e fui jogar.

(estou maravilhado com a nitidez com que eu me lembro disso!)

Já tinha um maluco jogando e que não tava dando a menor pinta de que iria sair logo então a única  coisa a fazer era desafiá-lo (pois o meu tempo lá era contado, mamãe não podia desconfiar desse meu passeio). O que é sempre ruim, a não ser que vc seja um viciado e vá tirar o desafiado.

Lembro da tela da escolha de personagens. Muitos personagens novos, mas fui de Scorpions mesmo porque eu sabia a “magia” (dois pra trás + soco) e o cara jogou com o Cyrax.

Desnecessário dizer que o cara ganhou de mim enquanto conversava com o amigo que tava do lado dele, mal olhava pra tela, o filho da puta. Só mandava aquela teia maldita do Cyrax. Mas ele não ganhou de perfect, isso eu lembro.

Como eu não tinha mais dinheiro e a ficha era cara demais, saímos, vestimos nossas fardas e voltei pra casa impressionado com tudo aquilo.

Tava com vontade de escrever.

De repente, me deu uma vontade de escrever, mas não tenho assunto. mas vamos lá.

To ouvindo aqui, #41 do Dave Matthews Band. Dave Matthews é uma banda espetacular. Muito foda. Vá lá e escute. Ouça o disco Crash primeiro. É só sucesso. Não tem uma música ruim.

Dave Matthews Band é world music. É uma mistura de vários ritmos, com letras bonitas e melodias poderosas. Tem muita virtuose também. Algumas músicas tem uma levada bem jazz, outras, blues. Músicos sensacionais. Enfim, ouça lá.

***

Já tem um tempo que eu descobri que eu sou obcecado por fone de ouvido. Tenho uns 6 ou 7, dentre os quais, dois headsets, um usb e outro normal. E se tem uma coisa que eu recomendo muito é um fone de ouvido usb com abafador. Pra quem gosta de notar detalhes das músicas, é essencial. Eu tenho um Microsoft Lifechat LX-3000 que custou 35€. Não exatamente barato, mas pra esse tipo de fone, foi um ótimo preço. Um sonho de consumo é ter um headset usb Sennheiser. Não precisa ser aqueles de 300 e tantos euros, um modelo de entrada já me serve, não sou nenhum audiófilo.

E, olha, um fone Sennheiser faz toda a diferença. Tenho 2 mas daqueles mais simples, earphone mesmo. Foram baratinhos, um foi 7€, o outro foi 9€. Mas são muito bons. É de se impressionar como um negócio tão pequeno faz uma diferença tão notável.

Tava usando um Sennheiser no trabalho e levei um outro fone logitech. Não consegui ficar nem meia música com o Logitech. Um som ruim, sem potência, sem vida, sem vibe. Voltei com o Sennheiser e que diferença…

Alias, ouvir heavy metal (ou qualquer música com um pedal duplo vigoroso) com um fone de ouvido bom, é outra história.

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