Disk MTV 1997

Bleed, do Soulfly, foi a primeira música (ou o primeiro single) que o Max apresentou depois de ter saído do Sepultura. O clipe é cheio de frases afirmativas (“I got my pride”, por exemplo) que eu acho que eram recados pro Sepultura (principalmente pro Iggor).

E o título do post é porque em 1997, assistir à MTV era a única maneira de ouvir músicas que não eram mainstream. O mp3 ainda era um embrião e não era a coisa mais fácil de achar. Outra opção pra ouvir essas músicas era emprestar os cds de quem tinha, comprá-los (o que não era uma opção) ou ir no site da Som Livre e ouvir um preview de alguns segundos.

A decisão racional de não participar de amigo oculto

Sou novo no trabalho – menos de 1 mês – e resolvi participar do amigo oculto. Que erro.

Não tinha obrigação nenhuma, mas quando vieram me perguntar, achei que seria uma boa idéia pra me integrar com o pessoal, sei lá. Aceitei.

A primeira “dificuldade” foi escolher um presente entre 20 e 30 reais. As opções nessa faixa de preço são, basicamente, CDs. Não tenho nada contra CDs, mas já estamos em 2011 e comprar CD é uma coisa muito bocó. DVD cai na mesma categoria do CD, com o agravante de que achar um dvd entre 20 e 30 reais é mais difícil. Por uma providência divina da indústria, existem várias opções de blu-rays por 30 reais e até por menos (por acaso, esse foi meu presente, o blu-ray de Tropa de Elite 2. Mas ainda não tenho o player de blu-ray. Risos).

Encontrar livros até 30 reais é possível, mas não tão simples.

Como eu conheço pouquíssimas pessoas, o amigo oculto foi muito desagradável pra mim. Intermináveis momentos de vergonha alheia, piadocas e etc. Talvez isso tenha ocorrido por pura antipatia da minha parte pois, repito, não conheço ninguém.

E enquanto estava lá torcendo praquele momento passar logo, fiquei pensando nesse post.

Teve um ano em que devo ter participado de 2 ou 3 amigos ocultos, se cada um deles tinha presentes na faixa de 30-40 reais, devo ter gastado uns 100, 120 reais pra comprar os presentes.

Como cada um escolhe o presente que quer ganhar – o que não tem lógica nenhuma mas é uma forma de evitar surpresas desagradáveis – eu tinha que escolher três presentinhos que coubessem dentro da cota. Isso é uma idiotice sem tamanho porque eu poderia pegar o dinheiro que eu gastei comprando presente pros outros e comprar alguma coisa que eu realmente quisesse e com o valor que eu pudesse pagar e não escolher apenas uma lembrancinha só pra fazer o social.

Dessa vez, minha amiga oculta pediu um cd da Adele. Fiquei surpreso ao descobrir que esse cd estava esgotado nas lojas e não havia tempo hábil pra pedir pela internet. Mas acabei achando na Saraiva. Em seguida, veio a vergonha imensa de um heterossexual (no caso, eu) ir comprar um cd da Adele. Depois, a estranha sensação de enfrentar uma fila pra comprar um cd. Foi como se eu tivesse tivesse sido transportado de volta para 1999.

E pra encerrar. Uma vez teve um amigo oculto com o pessoal da faculdade e eu comprei pra dar de presente o cd acústico do Charlie Brown Jr (se você viveu em 2003/2004, você entende). Como eu tinha que sair pra um compromisso, não pude ficar pra receber meu presente. No dia seguinte, entregaram a caneca de 10 reais que meu amigo oculto me deu.

Sem esquecer de mencionar o amigo oculto entre familiares, onde os presentes variam entre tolhas de banho, jogo de vasilhas, meias, chinelos e etc.

É isso aí, não participo mais de amigo oculto nenhum.

Passagens da minha vida – Mortal Kombat III

Eu sempre lembro de umas coisas sem pé nem cabeça que eu ja fiz, e às vezes calha de ser alguma coisa engraçadinha.

Era 1995 (eu tava na quarta série) e o jogo Mortal Kombat III tinha acabado de ser lançado. Por acabado de ser lançado, leia-se tinha acabado chegar em manaus. Não lembro em que mês foi isso.
Mortal Kombat foi um marco daquela época. As versões I e II já eram aclamadíssimas, muito violentas e muito mais legais que Street Fighter, a despeito da grande popularidade e facilidade ao acesso deste (toda e qualquer bugega tinha uma arcade de Street Fighter).  Mas, segundo eu lembro, Street Fighter já era um jogo meio antigo e há tempos não tinha uma versão nova.
Aí, quando o Mortal Kombat III (aliás, eu pronuncio como se as palavras fossem em português mesmo) chegou foi aquela coisa. Naquela época a internet não existia na prática, então tudo era mais dificil. Mas alguém me falou que um lugar (o único lugar!) já tinha uma máquina de Mortal Kombat,  o Mangueirão, que ficava na esquina da Epaminondas com a Leonardo Malcher. Salvo engano, o Mangueirão também funcionava como oficina (de kart ou de moto, não lembro) e tinha uma sala só com arcades. A maioria dos jogos que o Mangueirão tinha, só tinham lá mesmo.

Aí reuni uns 2 ou 3 amigos que estudavam comigo e fomos lá.

Em 1995, com 10 anos de idade, ir ao centro da cidade sozinho e escondido (embora eu não estivesse gazetando aula, nenhuma mãe gostaria de saber que o filho ficava andando por essas casas de vídeo game do centro. Se o negócio é bem marginalizado hoje, calcule naquela época.) era uma grande aventura.

Então fomos. Chegando lá, era proibida a permanência de pessoas com fardamento escolar, e como não tínhamos levado nenhuma camisa extra, tivemos que tirar a blusa pra poder ficar lá dentro. Lá dentro, fiquei vislumbrado com o que tava vendo. E mais ainda quando eu vi o Mortal Kombat III. Personagens diferentes e gráficos muito superiores a versão anterior.

Então vamos jogar. Lembro que a ficha era muito cara pros meus padrões e mais cara que em qualquer outro lugar. Custava, sei lá, uns 2 reais. E em 1995 isso era uma quantia que fazia até quem não tinha 10 anos de idade pensar bem antes de dar em uma ficha de video game.

Mas eu tinho ido até lá exclusivamente pra isso.

(Pensando agora, não tenho a mais puta ideia de onde eu tirei 2 reais pra comprar essa ficha pois  nunca tive mesada e a mamãe não era de me dar dinheiro a toa. Talvez tenha sido meu pai, mas não estou bem certo)

Com muita dor no coração, comprei a ficha e fui jogar.

(estou maravilhado com a nitidez com que eu me lembro disso!)

Já tinha um maluco jogando e que não tava dando a menor pinta de que iria sair logo então a única  coisa a fazer era desafiá-lo (pois o meu tempo lá era contado, mamãe não podia desconfiar desse meu passeio). O que é sempre ruim, a não ser que vc seja um viciado e vá tirar o desafiado.

Lembro da tela da escolha de personagens. Muitos personagens novos, mas fui de Scorpions mesmo porque eu sabia a “magia” (dois pra trás + soco) e o cara jogou com o Cyrax.

Desnecessário dizer que o cara ganhou de mim enquanto conversava com o amigo que tava do lado dele, mal olhava pra tela, o filho da puta. Só mandava aquela teia maldita do Cyrax. Mas ele não ganhou de perfect, isso eu lembro.

Como eu não tinha mais dinheiro e a ficha era cara demais, saímos, vestimos nossas fardas e voltei pra casa impressionado com tudo aquilo.

%d blogueiros gostam disto: