Disk MTV 1997

Bleed, do Soulfly, foi a primeira música (ou o primeiro single) que o Max apresentou depois de ter saído do Sepultura. O clipe é cheio de frases afirmativas (“I got my pride”, por exemplo) que eu acho que eram recados pro Sepultura (principalmente pro Iggor).

E o título do post é porque em 1997, assistir à MTV era a única maneira de ouvir músicas que não eram mainstream. O mp3 ainda era um embrião e não era a coisa mais fácil de achar. Outra opção pra ouvir essas músicas era emprestar os cds de quem tinha, comprá-los (o que não era uma opção) ou ir no site da Som Livre e ouvir um preview de alguns segundos.

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Michel Teló e a autêntica cultura brasileira.

Disclaimer: esse post estava escrito desde segunda-feira, mas fiquei enrolando pra publicar. Considerei não publicar depois desse post do Ismael e desse post do Gravz que meio que falaram muito do que eu gostaria de ter escrito. Mas como opinião irrelevante é comigo mesmo, resolvi publicar mesmo assim. Lá vai.

A música que o Michel Teló faz não é, nem de longe, da minha preferência. No entanto, só sendo muito  pedante pra ignorar que ele é o maior sucesso do Brasil hoje.

Com uma música autenticamente brasileira (letra ~safadinha~ e ritmo sertanejo), ele conseguiu romper  barreiras internacionais, sendo o primeiro lugar em vendas na iTunes Store de vários países como Portugal, Espanha e etc. E ontem, caiu na internet um vídeo em que soldados de exército de Israel fazem a coreografia da música! E pra completar, uma amiga disse que dois russos no chatroulette perguntaram se ela conhecia o Michael Tello e começaram a cantar a música! Se você não acha isso incrível, deve ter algum problema com você.

Eu acho isso sensacional. Não sei se ele tinha a pretenção de fazer sucesso internacional com essa música, ACHO que não, e isso torna tudo mais sensacional ainda. Dezenas de artistas já  gastaram fortunas pra entrar no mercado internacional e não conseguiram. Talvez pela falta de
espontaneidade e frescor, um dos diversos ingredientes da música ‘Ai se eu te pego’.

Além disso, ainda há a barreira da língua. Imagine pessoas das mais diversas nacionalidades cantando uma música numa língua intrincada como o português por terem, simplesmente, gostado da música.

No entanto, no mundo paralelo da internet brasileira, Michel Teló é admoestado, chamado de praga e  dizem que está envergonhando o Brasil mundo afora. Olha, não acho nada disso. Goste você ou  não, a música sertaneja, o pagode, o funk e o samba são as mais legítimas manifestações culturais brasileiras, dentre vários motivos, porque vem da massa.

O Brasil também exporta divesaos outros ritmos, como várias vertentes do metal. No entanto, nesse caso, acho que as bandas se destacam porque tem talento e fazem música de qualidade e não por serem do Brasil, já que thrash metal é thrash metal em qualquer lugar.

Apesar de o Brasil ser pródigo em exportar muita coisa que não presta, acho que esse não é o caso para se envergonhar. Michel Teló é talentoso, canta muito bem e é músico (ele toca sanfona, um instrumento que, na minha cabeça, é muito difícil e requer uns 3, 4 movimentos diferentes). Entre ele fazer sucesso e outras coisas como o rebolation ou ‘beber, cair e levantar’, eu fico com ‘Ai se eu te pego’, sem dúvida.

E pra ficar melhor, a letra de ‘Ai se eu te pego’ é da mesma autora de ‘A dança do quadrado’. Essa história só fica melhor!

Idolatria por CDs

(texto sem revisão, estou com sono)

Quando eu fui descobrir o que era um cd, acho que era 1992 ou 1993, não lembro bem.

Lembro que fomos eu, meu pai e minha madrasta comprar um aparelhinho de som no Amazonas Shopping nessa época aí. Era um som simples, daqueles que tinham cd, fita e rádio. Aí meu pai comprou o som e dois cds, “As quatro estações” do Legião Urbana e algum cd do Tom Petty. Não conhecia nenhum dos dois artistas.

Aquilo era tudo novidade pra mim. Nem sabia da existência daquele disquinho que tinha música dentro. Era uma loucura.

Lembro do cuidado extremo pra pegar no cd, tinha que lavar as mãos antes. Eu nem mexia no som. E cd era um negócio caro e nem se vendia em qualquer lugar.

O primeiro cd que eu ganhei foi dos Mamonas Assassinas. Aí eu só podia escutar na casa do meu pai, pois na casa de mamãe não tinha tocador de cd. O som que tinha lá era Aiko, todo de metal com toca fita, rádio e amplificador e duas caixinhas de som.

Com o passar do tempo, fui ganhando mais cds e fazendo uma pequena coleção.

Naquela época pré-internet o único jeito de consumir música era pelo rádio ou pelos cds. A melhor rádio que havia naquela época era a Transamérica, que depois fora substituída pela Jovem Pan. Substituída, mesmo. Saiu a Transamérica e entrou a JP na frequência 104,1.

Por uma questão de mercado, as lojas não vendiam as músicas que a gente queria escutar e a única forma de ouvir essas músicas era através de cds. E como eu não era rico (e não sou até hoje, aliás), não podia comprar os cds das bandas que eu queria ouvir.

Ter algum cd incomum lhe conferia status. Exemplo: cds do nirvana, sepultura, metallica. Quem tinha esses cds era visto com certa reverência. “Caceta, o cara tem todos os cds do nirvana!”. Se fosse uma pessoa próxima, você poderia emprestar por uns dias, ouvir o máximo possível e devolver. Se você tivesse o maquinário, você poderia gravar uma fita cassete, mas isso era um privilégio para poucos.

E era assim que se consumia as músicas que não tocavam nas rádios. Convencendo os donos dos cds a lhe emprestar algum, ouvir e devolver.

O empréstimo de cd era coisa muito séria. Só se emprestava pra pessoas de absoluta confiança, casos de extravio (o horror! o horror!) eram tratados com penas que eu nem sei quais, pois nunca passei por isso, mas as sançõesn eram horríveis.

É daí que vem a idolatria, a paixão pelos cds. Quando a gente descobria que o fulaninho tinha algum cd que você estava desejando há tempos, a gente tratava de arrumar alguma amizade com ele, só por causa do cd, claro.

Mas hoje em dia, a maneira de como se consome música é outra. Em questão de minutos, você baixa a música, vê o clipe, vê o show, aprende a letra, vê os covers, trocentas versões ao vivo, bootlegs, aprende a tocar todos os solos e pode até bater um papo com o artista pelo twitter.

Hoje, a idolatria pelos cds é uma coisa muito bocó. Os cds se tornaram obsoletos e, pior,  desnecessários. Cd, hoje, é só um negócio que além de ocupar espaço e poeira, vai ser destruído pelos fungos em algum tempo.

Eu não consigo descrever o que eu sinto quando eu vejo alguém na tv mostrando sua coleção de cds, mostrando que tem ciúmes dos cds, mostrando os cds raros, os cds preferidos. Botando o cd pra tocar na vitrola. É um ritual que perdeu o sentido. Quem ainda põe um cd pra tocar, senta e vai ouvir? É um negócio que não faz mais sentido hoje em dia. Passou. Move on.

Pior que tudo isso é comprar cd. Gastar dinheiro com um negócio que eu vou utilizar por apenas 10, 20 minutos (o tempo que leva pra ripar o cd) e vai ficar lá ocupando meu espaço e pegando sujeira. É claro que sou a favor de que o artista seja recompensado pelo seu trabalho e já há algumas soluções pra isso. E comprar cds é a menos eficaz de todas.

Lembro do dia em que peguei todos os meus cds (não são muitos, menos de 50) – que já estavam me atrapalhando, pois só pegavam sujeira e eu tinha que limpá-los sempre – e os guardei numa caixa. E desde lá, nunca mais precisei deles. Senti uma pontinha de tristeza pois o que tem ali é dinheiro. Claro que não é só dinheiro, são lembranças também. Lembranças dos momentos que eu vivi e que foram acompanhados por aqueles cds que, de alguma maneira, fizeram parte daquilo.

Como o acústico do Nirvana, o primeiro cd de “rock” que eu tive. De entender o que aquele cd representava na carreira do Nirvana, que foi a despedida do Kurt. Que naquele cd quase não havia hits, justo no momento em que eu mais queria ouvir os hits. “Porra, esse cd não tem Lithium, Smells like teen spirit e etc”. Mas é um disco absolutamente foda, que termina de forma visceral com “Where did you sleep last night”.

Ou o “Angels Cry”, do Angra, que eu ganhei de um grande amigo. O cd que tinha “Carry on”! Não havia alegria maior no mundo do que poder ouvir Carry on a hora que eu quisesse. E ainda poder conhecer todas as outras músicas fantásticas desse disco maravilhoso (falando sério, baixem e vão ouvir. Meu filho vai ouvir esse disco desde a gestação).

Hoje, eu tenho ao meu alcance qualquer música, de qualquer lugar do mundo, em qualquer lugar que eu esteja. O ritual se perdeu, mas a emoção não (estou em dúvida se há vírgula ou não aqui). A satisfação e o prazer de escutar uma música que se gosta permanecem. Apenas o meio que se perdeu, ou mudou.

A única exceção para essa regra de que é possível encontrar qualquer música do mundo na internet é para o F. Cabocante, não tem em lugar nenhum! Eu tinha mas apaguei. Peguei com um ex-colega de trabalho que foi à serviço para o delicioso município de Benjamin Constant. Quem tiver aí, por favor avise, vou buscar em qualquer lugar.

O melhor cover de Sepultura de todos os tempos

Apenas assista

The final frontier – o novo cd do Iron Maiden

Tô ouvindo o novo cd do iron maiden.

Tô na primeira música e por enquanto parece que a influência principal pra essa música foi o Restart. E eu falo sério… Mas, aguardemos.

In a non related subject (sempre quis dizer isso!), take a look at this: http://twitpic.com/2i3jh1

Voltando. A segunda faixa tem cara de Iron Maiden, heavy metal bom de ouvir, porém um pouco cansativo, um negócio meio suingado… (ou swingado, sei lá). Mas mesmo assim, bem fraco. O solinho do final dessa música parece muito com a introdução de Wasted Years.

Aliás, enquanto tô escrevendo isso aqui, me veio um pensamento recorrente: por que diabos jornalista escreve tão mal? Como pessoas que vivem da escrita (em alguma instância) podem escrever de forma tão precária? Mas continuemos com a programação normal.

Terceira faixa: zzZzZZzzzzzZZzzZZzZzZ…

Quarta faixa: iguais a segunda e a terceira, mas um pouquinho pior. Mas se salva por ter uns momentos apoteóticos. Esses momentos só acontecem no refrão, e infelizmente não salvam a música.

A quinta faixa é rapidinha, aquele estilo patenteado pelo Iron. Por enquanto, tá boa.

Sexta faixa: parece uma música do Legião Urbana, mas com guitarras mais intensas.

Sétima faixa: boa. Mas podia ser mais curta. Acabou tendo o seu impacto muito diluído.

Oitava faixa: boa. É o Iron Maiden moleque, o Iron Maiden de raiz que a gente gosta.

A nona faixa já começou mal. Só digo isso. A segunda parte da introdução dá uma melhorada, mas é meio cansativa.

A décima faixa começa bem. Muito boa. Tem um clima épico.

Ufa, terminou! Ainda bem…

Muddy Waters

Já conhece Muddy Waters? Até ontem, eu não conhcia… mas não me julgue, estou corrigindo essa falha de caráter agora.

Vá lá conhecer. Agradeça-me depois.

Umas palavras sobre Radiohead

Coloquei Oasis pra tocar. Começou a tocar wonderwall. E resolvi procurar por performances ao vivo dessa música. Achei umas muito boas, procura lá.

Aí nos vídeos relacionados apareceram dezenas de vídeos do Radiohead. O thumbnail de um vídeo me chamou atenção, High and Dry da época em que o Thom Yorke tinha o cabelo laranja. Cliquei no vídeo e asssiti.
É muita diferença. Muita mesmo. Naquela época, o Radiohead era apenas estranho. Hoje em dia, eles são super estranhos. Mas apesar de a estranheza ter aumentado, até que o Thom Yorke ficou mais apresentável. Hoje ele tem menos cara de retardado. O Jonny Greenwood, no entanto, continua freak.

Na época do The Bends, eles até que pareciam mais normais Creep, Black Star, Street spirit (fade out). São tantas emoções, bicho…

E enquanto eu ia navegando por vídeos e mais vídeos, eu vi o Johnny Depp num thumbnail com o título de Creep e fui ver do que se tratava. Não sei se gosto do Johnny Depp. Acho que não. Se duvidar, ele nem sabe mais quem é. Acho ele muito caricato, muito personagem, mas divago.

Deve ser algum filme cuja triha sonora é essa. É uma versão acústica de Creep, muito bonita. http://www.youtube.com/watch?v=oFtw8G5nSI4

Não sei bem quando o Radiohead passou de estranho pra muito estranho. Acho que foi depois de Ok Computer. O Kid A ainda é aceitável, do ponto de vista de uma pessoa não tão normal, mas menos esquisita que eles (bom, é o que eu acho…), mas há de se ter paciência. É no Kid A que as músicas esquisitas começam a aparecer.

Já no Amnesiac, eles tocaram o foda-se. Fizeram um disco (taí um dos meus grandes conflitos. Não sei como chamar uma obra fonográfica. “Album” soa pedante, muito pseudo-intelectual. “Disco” soa datado, assim como “cd” e ainda me passa a idéia da coisa física mesmo (o vinil e o cd, respectivamente) e hoje em dia é muito estranho pensar em música e associar com coisas como vinil e cd). Mas isso foi apenas uma digressão.

Pois bem, fizeram um disco/cd/album que ninguém entendeu porra nenhuma. E eu acho de verdade que quem diz que entendeu tá fazendo média. Músicas estranhíssimas (estranhas até pro nível Radiohead de esquisitice).

No entanto, Hail to the thief é foda. 2 + 2 = 5 é absurdamente foda! Aquela parte depois do refrão é muito divertida, não sei explicar. O ritmo, a levada. Ficar deslizando no braço da guitarra com aqueles acordes esquisitos e ainda sair um som legal é, na falta de uma palavra melhor, recompensador.
O mais legal é que dá pra descer o braço na guitarra e fica parecido com o original. Bom, só vai entender essa maluquice quem sabe tocar algum instrumento.

E assistindo à esse vídeo, eu vi como aquele barulhinho do início é feito: batendo no captador. Que coisa…

Pois é, no hail to the thief ainda tem Go to sleep. Eu acho o refrão dessa música muito foda. Passa uma leveza, uma paz (I’m gonna go to sleep; let this wash all over me). Aquela levada da bateria é muito gostosa. A introdução com aqueles acordes que vão crescendo, crescendo e depois vão diminuindo, diminuindo é muito interessante. Ih, alá eu chamando música de ´interessante´… pqp… Assista ao clipe, que pode até não ter sentido nenhum, mas é plasticamente bonito.

E ainda tem There There. Uma música sombria, com um clipe bizarro, mas que não é menos legal por isso. Aliás, fui escrever a palavra bizarro e notei algo recorrente, sempre escrevo bizzaro e em seguida corrijo. Mas bizzaro sempre sai primeiro.

Aí depois de 4 anos veio In rainbows. Certamente é o disco mais normal em tempos. Já começa 15 step que dá uma vontade absurda de dançar, ou no meu caso, se mexer descompassadamente. Apesar de essa música parecer absurdamente eletrônica, as versões dela ao vivo ficam muito boas. Algumas bandas tem esse sério problema, fazem excelentes músicas em estúdio mas não conseguem executá-las com dignidade ao vivo, o que é triste.

E nem vou me alongar muito descrevendo as músicas senão ia ter que falar sobre todas.

No entanto, não poderia deixar de falar sobre Jigsaw falling into place (versão de estúdio e ao vivo). Que música é essa, meu amigo? Tem um clima sombrio, mas no final se abre de um jeito que eu não consigo expressar em palavras. Aquele som que fica “subindo e descendo” durante música dão sensação de inquietação que misturado com o ritmo acelerado me faz ouvir essa música não menos que cinco vezes todas as vezes que eu a ponho pra tocar.

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