A internet não é de graça

A internet não é de graça

Nós brasileiros temos uma mania de querer tudo de graça. Pouco importa se determinado serviço ou produto custa dinheiro pra alguém, mas a gente quer de graça, porque (a gente :P) somos contra a censura! (?)

Apesar do espírito libertador (e liberatário) que a internet nos permite experimentar, a internet não é de graça.

Armazenamento vem se tornando cada vez mais barato com o passar do tempo (um hd externo de 1TB custa menos de 100 euros). No entanto, quando se fala de largura de banda e tráfego, o buraco é bem mais embaixo. (O exemplo do HD externo é meio bizonho porque não reflete exatamente o caso de um servidor de dados que utiliza artifícios e técnicas bem mais complexas, e, portanto caras, pra armazenamento. Mas você pegou o ponto.

O verdadeiro problema surge quando você precisa disponibilizar os dados online. Um exemplo prático: um nerdcast típico tem (com duração de 1 hora e 15 minutos), tem um tamanho de, aproximadamente, 50MB. Segundo os próprios donos do site, cada edição tem 10000 downloads. Fazendo as contas, temos 50MB * 10000 = 500GB. Isso pra cada edição! Lembre-se que são 4 por mês. Você tem noção do que são 2TB de tráfego? É MUITA coisa! Creio que se não fosse pela hospedagem do Ig, o nerdcast já teria ido pro saco há tempos.

Hospedagens com armazenamento e tráfego – ditos – ilimitados (http://www.top10webhosting.com/) não são caras. Mas pra quem tem só um pouquinho de conhecimento técnico sabe que esse negócio de tráfego ilimitado é lenda (http://www.findmyhosting.com/the-truth-about-unlimited-bandwidth/). A frase mais importante desse texto é “Your web host is not going to run at a loss for long – they could shut down your website or even charge you extra (read the terms of service).”.  Leia isso também, mas descarte as informações comerciais.

Tudo isso falado aí em cima é referente somente a aspectos técnicos. Nem mencionei o custo da produção do conteúdo. E nem vou mencionar porque não faço ideia disso.

E aí eu pergunto, que mal há em pagar por um serviço/produto que lhe apeteça? Isso se aplica a sites de download ou pra jornais online. Qual o lógica de os produtores de conteúdo da internet terem que procurar outro tipo de financiamento (sustento) que não o consumidor desse conteúdo? Deixa que eu mesmo repondo: nenhuma!

Você por acaso chega na banca do Manuel e simplesmente pega o jornal do dia e vai embora? Não, você paga! E porque na internet tem que ser diferente? A dinâmica da internet não deixa de valer porque você pagou pra ler o conteúdo de determinado site, esse não é o mérito.

Há diversos exemplos de sites que fecharam o seu conteúdo só para assinantes e que nem por isso deixaram de fazer sucesso. O maior exemplo brasileiro disso é o UOL. E por várias vezes já me senti tentado em assinar o UOL só pra ler as notícias que eram fechadas pra assinantes, só não o fiz porque não tinha internet em casa à época.

O forum Something Awful (http://forums.somethingawful.com/) é gratuito para leitores, mas pago pra quem quiser postar. Essa fórmula é interessantíssima porque dá uma mostra do conteúdo do site mas só lhe permite interagir mediante pagamento (https://secure.somethingawful.com/products/register.php). O valor chega a ser ridículo, uma taxa única de 10 dólares!

O argumento de que pagar é contra os princípios da internet é falso. A iTunes Store é o maior case da indústria fonográfica (quiçá de toda a sua história). O business da iTunes Store é exatamente vender música… na internet! E pior, música com DRM!

Já tem uns dois anos que eu pago o rapidshare premium, e sinceramente, vale cada centavo. Não ter que esperar pra fazer downloads e ter a velocidade do download limitada apenas pela sua conexão é sensacional. Já cheguei a baixar 6GB em 2 horas Da primeira vez assinei por 3 meses só pra experimentar. Foi amor verdadeiro. Depois, assinei 6 meses junto com uns colegas e da última vez assinei por um ano também em conjunto. A cota ficou em cerca de 50 ou 100 reais pra cada um, não lembro bem. E quando acabar, vou assinar de novo.

E se, vamos dizer, um jornal arrumar outras fontes de financiamento? Vai acontecer o que acontece com a Veja: nego vai dizer que não vai mais comprar a revista porque tem muita propaganda… Ou então vai chamar de vendido…

Aí fica difícil, né?

Mas alguém sempre vai ter que pagar a conta.

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Quem não tem cão, caça com gato

Mac OS X no VMWare

 

Depois de tentar por várias vezes instalar o Mac OS X no VMWare, consegui encontrar uma imagem pronta e que funciona.

Tenho vontade de ter um mac, mas me falta o glamour ($), então esse foi o jeito que eu encontrei 😀

Epic connection is EPIC!

7353,77 kBps = 58,83 Mbps

Venci na vida.

Sem mais.

Arlen Nascimento

Coisas irritantes no firefox

O firefox é o melhor browser do mercado. O Opera faz bonito em algumas coisas, mas eu não consigo me acostumar, eu tento usar, mas não dá. O Chrome e o Internet Explorer tem a mesma (e única) utilidade: baixar o firefox.

No entanto, a versão do firefox pro windows tem algumas coisinhas irritantes.

– Janelinha avisando que o download terminou:

Oi, seu download terminou

Essa janelinha me irrita de verdade. Não consigo explicar, mas é um saco ver esse negócio pulando no cantinho.

Pra desabilitar é simples. Na barra de endereços, basta digitar about:config e buscar por browser.download.manager.showAlertOnComplete ou por qualquer pedaço dessa string e alterar o seu valor para false.

– Abrir arquivos direto no browser.

Eu odeio que arquivos pdf sejam abertos direto no browser. E eu não sei porque cargas d´água o firefox vem com essa chatice. Isso se torna chato porque o firefox não espera que o arquivo seja baixado completamente para abrí-lo, assim que qualquer pedaço do arquivo está disponível, o browser já vai mostrando, o que sempre resulta em travamento e lentidão na resposta do browser. Prefiro mil vezes que o arquivo seja baixado integralmente (demore o quanto demorar) e aí sim visualizá-lo no programa adequado.

Pra desabilitar, basta ir em Tools -> Options -> Applications, buscar por pdf e escolher a opção Always Ask. Mas isso não é suficiente. É necessário desinstalar o plugin que possibilita que o firefox leia os arquivos pdf, isso pode ser feito em Tools -> Add-ons.

Eu também me irrito com músicas e vídeos sendo abertos direto pelo browser.

– Salvar os downloads na pasta Downloads.

Mano, EU decido onde eu salvo os meus arquivos, certo? Eu tenho toda uma organização pros meus arquivos. As músicas ficam na pasta musicas (aliás, pra qualquer pasta, todas as letras em caixa baixa, sem espaços e acentos. Grato), os programas ficam em downloads, os vídeos ficam em videos e assim por diante. Não quero que tudo seja colocado numa pasta chamada Downloads e depois organizar. Quero organizar no momento em que eu salvo no computador.

Pra desabilitar, basta ir em Tools -> Options -> General, seção Downloads.

É isso.

Aliás, você já reparou que o firefox tem os botões de recarregar e parar e que essas operações são mutuamente exclusivas?

Simplesmente espetacular

Se você vive em outro mundo e nunca viu o discurso do Steve Jobs em uma formatura em Stanford. Assista. Agora.

Link para o vídeo

Ma engrish is to bed? Clique no link e aperte no CC para legendas em inglês (algumas palavras trocadas mas quebra um galhão)

Já havia visto há muito tempo. Assistindo novamente, lágrimas vieram aos meus olhos em vários momentos. A história da vida dele é espetacular. Já imaginou ser demitido da empresa que você criou? E depois criar outra empresa e ser comprado pela empresa (a sua!) da qual você foi demitido? E ainda criar o maior estúdio de animação do mundo, responsável pelo primeiro filme totalmente feito em computador da história? E não satisfeito, ainda ser o maior acionista individual da Disney (com mais ações que o herdeiro de Walt Disney!)?

Pois é, esse aí e o Steve Jobs.

Não deixa de ser inusitado que uma pessoa que não tem curso superior seja convidado pra fazer um discurso em uma formatura de um curso superior… Mas adivinhe o país onde isso jamais aconteceria? No Brasil, claro. Lá, chamariam um catedrático chato, com experiência prática zero e cheio de coisas desinteressantes pra falar.

Pra continuar, leia esse texto: Sem doutorado? Então fora!

Investir em Ciência & Tecnologia não é só dar bolsa

É muito comum ver as propagandas dos governos anunciando que um determinado ano foram oferecidas centenas de bolsas de estudo de mestrado e doutorado e que também no mesmo ano centenas de doutores foram formados, tudo com o incentivo de determinada agência de fomento.

Tudo isso é anunciado, com muito alarde, no pacote de investimentos de Ciência & Tecnologia. E é – seria – uma prova de que tal governo está preocupado com o desenvolvimento tecnológico e que por isso está investindo 1 kilometro de asfalto em C&T.

É verdade que se não fosse esse investimento, esses mestres e doutores não se formariam porque é muito difícil conciliar uma ativadade profissional com um mestrado, com um doutorado, então, beira o impossível. Só que dar bolsa é apenas o começo de um investimento sério em C&T.

De que adianta o Amazonas formar 100 doutores por ano (é um chute), se esse povo não tem onde trabalhar? E pior, se eles não vão ganhar um salário compatível com a formação? Não adianta de quase nada.

Mas o problema não está só no Amazonas, está no Brasil inteiro, que não tem como absorver todo esse contigente de doutores. Aí o que vai acontecer é que esses doutores, formados a peso de ouro, vão acabar prestando um concurso público qualquer que só exija graduação pra serem analistas de sistemas (caso real). Absolutamente nada contra, cada um sabe onde o seu calo aperta, mas é foda!

Dar bolsas e formar doutores é apenas o primeiro passo pra investir verdadeiramente em C&T. Primeiro de tudo, tem que tornar a academia atraente. Não conheço nenhuma pessoa que se sinta atraída a ganhar uma bolsa de 1800 reais pra tomar na cabeça durante quatro anos fazendo doutorado. Depois, deve haver oferta de emprego com salários compatíveis. Ninguém quer ganhar R$ 3000 depois de passar quatro anos ganhando R$ 1800.

E o principal, e também o mais difícil: que esse pessoal faça alguma coisa de útil pra pelo menos tentar pagar de volta o que foi investido neles. Esse é um problema grave. Essas bolsas pagas pelo governo, são dinheiro público, proveniente de impostos. Não é justo que depois de obter uma formação de excelência, doutores voltem pras suas universidades e iniciem viagens lisérgicas que não vão dar em lugar nenhum, que nunca vão mostrar nenhum resultado.

No entanto, aí já entramos em outra questão. Não tenho dados concretos, mas tenho certeza de que muitas descobertas já aconteceram pelo mais puro acaso, em coisas em que não necessariamente relacionadas. Ou seja, por pura ciência, estava se pesquisando uma coisa sem pé nem cabeça e acabou se descobrindo outra de fundamental importância. E é esse tipo de coisa que me mostra que essas duas vertentes (a ciência ‘de resultados’ e a ciência ‘lisérgica’) devem ser ponderadas.

A monetização estragou a internet

Comecei a usar a internet dos vera em 2003, que foi quando eu entrei na faculdade. Antes disso, meu contato com a internet era esporádico, se dava quando eu ia na casa de um amigo ou nas lan houses. Lan house era um negócio caro nessa época, que aliás nem se chamava lan house, era cyber café. Tinha um perto de casa que a hora custava R$ 6! Seis reais pra mim naquela época era o orçamento semanal ou quinzenal! O curioso é que nesse cyber café, a cada x dias, você tinha direito a 15 minutos gratuitos. Claro que eu nunca cheguei a pagar 6 reais pela hora, só usava os 15 minutos, sempre. Via meu zipmail e alguns outros sites que eu tinha visto na televisão.

A partir de 2003, eu passei a ter acesso diário e infinito a internet. Entrava na laboratório e não saia sequer pra comer, ficava horas enfurnado lá dentro. E aí começou a descoberta da internet. Foi por essa época, que a internet começou a deixar de ter o caráter de internet (no sentido de redes de redes de computadores) e tomar a forma de web (rede de pessoas).

Também foi por essa época que os blogs nasceram. Eu lembro muito bem de ouvir o termo blog e não fazer ideia do que era. Lembro também de procurar no google o que diabos era um blog. Lia a definição, mas não entendia muito bem o propósito daquilo. A explicação definitiva veio com a etimologia da palavra: blog vem de web log, registro na web, um ‘espaço’ onde você ‘podia’ escrever qualquer coisa. Ok, entendi o termo mas continuava sem entender o propósito.

Um dia eu tava lá na casa do meu tio e vi um Zine por lá. Era a coisa mais tosca que eu já vi, xerocado, parte manuscrito e parte datilografado, repleto de erros de português, coisa típica da galera descolada da ala das humanas. No zine tinha um texto sobre a igreja universal (não consegui achar, infelizmente) que era sensacional. E logo embaixo tinha a fonte: um site chamado cocadaboa.com. O logo do site me chamou a atenção, um capetinha andando de mãos dadas com uma criança. Uns dias depois acessei o site e me entrei em contato com a internet moleca, a internet de raiz, uma internet que nunca mais se faria igual.

O cocadaboa era (e, a despeito de não ser mais atualizado, continua sendo) uma das coisas mais geniais da internet. A forma disruptiva (disruptive) que Mr Manson (o webmaster (!) do site) e outros malucos desocupados fazerem humor era algo inovador naquela época. O cocadaboa foi pioneiro não apenas na desconstrução daquilo que ainda nem estava construído mas também na postura que as grandes empresas viriam a adotar em relação a internet. Se hoje ainda se discute qual deve ser a postura das corporoções frente a internet, naquela época não se tinha ideia de como proceder. O cocadaboa recebeu diversas notificações desde a Coca-cola (http://www.cocadaboa.com/arquivos/008176.php) até Marcos Mion (http://www.cocadaboa.com/arquivos/007877.php). O slogan do site era ´Quer nos processar? Boa sorte, estamos hospedados na Eslovênia. Orgulho de ser esloveno´.
Lembro nitidamente de passar tardes inteiras lendo dezenas de páginas do cocadaboa, SACaneie, Calúnia & Difamação, Os textos insanos do Mr Manson, o Bolão Pé na cova e muitos outros, consulte o vasto arquivo e divirta-se. Ainda tem o livro Transpiaui, uma peregrinação proctológica, aventura de Mr. Manson pra checar a existência do Piaui (o Piauí é o Acre dele).

Não tenho certeza se cheguei a ler tudo, mas li quase tudo! O que fazia o cocadaboa legal era que o objetivo do site inteiro era divertir. E só! Ainda não havia monetização. Provavelmente, o termo problogger ainda nem existia. O objetivo do site era tirar sarro da única maneira possível: ofedendo E denegrindo.

É claro que havia outros sites engraçados. Eu hein, Kibeloco (que ainda era no blogspot!) e o cudojudas.com (hoje, só na way back macinhe http://web.archive.org/web/*/http://cudojudas.com), o mais fodão e sem br! (o que mais tarde se tornou o lamentável – e corporativo – Judão de hoje…). A falta de noção que se via nesses sites era uma coisa que fazia a gente se identificar e querer virar amigo dos caras. O Cu do Judas tinha um sessão em que as leitoras mandavam fotos dos peitos com ‘cu do judas’ escrito neles!

Outro blog que merece destaque e até hoje mantém a linha ´tradicional´ é o Hoje é um bom dia. Já passei dias lendo o blog de cabo a rabo enquanto eu deveria estar estudando. E por causa da idade do Kid, rola toda uma identificação.

Essa internet divertida e sem compromisso começou a ruir quando alguém pensou que era possível ganhar dinheiro com os blogs. Se eu tenho gente que me lê, por quê não colocar um outdoor aqui no meu espaço? Aliado com o surgimento (ou a popularização) de ferramentas como o Google Adsense e os programas de afiliados de sites de venda, os blogs acabaram se tornando esse amontoado de links patrocinados entremeados por técnicas de SEO.

A despeito de ainda existirem blogs excelentes, infelizmente a grande maioria de hoje se preocupa apenas em atrair público com os chamados cata-corno do google, em subir no pagerank, com monetização, em fazer páginas inteiras com sugestões de compra no submarino e etc. O que se tem hoje são blogs com opinião pasteurizada e puramente corporativas, blogueiros opiniosos mas que não tem coragem de reclamar do calote que tomou pra não ficar mal com os futuros patrocinadores. Quando não é isso, são blogs dando verdadeiras lições de moral sobre o uso correto da ‘ferramenta internet’ ou das ‘mídias sociais’. Apesar de alguns excelentes posts, o Contraditorium é um exemplo triste disso.

Uma iniciativa que tentou trazer de volta a época áurea da internet (mas que fracassou miseravelmente) é o interbarney.com. O objetivo era chamar blogueiros que fizeram sucesso nesse primeiro hype da internet. Apesar da empreitada não tão bem sucedida, tem muita coisa boa lá. Vale a olhada.

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