Sketches da vida real – petit gateau

Pra encher linguiça e colocar uns posts a mais, decidi criar a categoria sketches da vida real, que são coisas imbecis que eu faço por ai. Eu acho super engraçado. Mas vai ver é sem graça.

Tava andando a esmo e passei na frente de uma loja da Ben & Jerrys e resolvi entrar pra tomar um sorvete caro.

Dei uma olhada e vi que tinha petit gateau e como nunca tinha comido um petit gateau na minha vida, resolvi pedir pra ver porque falavam tanto disso.

Ao fazer o pedido, a mulher do caixa perguntou se eu só queria o petit gateau mesmo. Eu disse que sim, óbvio, minha senhora, quero o petit gateau, faz favor. Ela fez uma cara de incredulidade e registrou o pedido.

E fiquei esperando no balcão. Ela foi na geladeira, pegou um bolinho, botou num prato e colocou no microondas. Uns 2 minutos depois, ela pegou e me entregou.

Ai que eu fui entender. Petit gateau é só o bolinho. O sorvete é comprado a parte. Ou seja, me fudi. Ia ter que comer um bolinho de chocalate caríssimo (2, 3 euros, sei lá) no cuspe!

A essa altura eu já tava morrendo de vergonha e a mulher lá já devia ter percebido a minha caboquice.

Eu poderia, óbvio, assumir o engano, comprar o sorvete e pedir pra ela colocar no prato, afinal eu estava pagando.

Mas o orgulho me impediu. Aí tive que fazer aquela cara de ‘hmmm que vontade de comer apenas esse bolinho. Quem disse que eu queria sorvete, moça?’.

E fui pra mesa, resignado, comer o meu bolinho de chocolate mas mantendo a pose de que aquilo era tudo que eu queria mesmo.

E ainda queimei a boca.

Fim.

Há exatamente um ano

Há exatamente um ano eu saia de Coimbra e ia pra Lisboa.
Fui sem conhecer quase nada (antes, tinha ido lá apenas a passeio) e ninguém.
Lembrei disso hoje, do nada. Às vezes bate essa melancolia gostosa.

Há 1 ano

Há exatamente um ano, eu estava em Coimbra, forever alone, morando meio que de favor (na verdade, na brodagem). Tava na transição de um emprego pro outro, então tava sem computador, pois o que eu usava era do trabalho. E também tava meio sem dinheiro. Eu tinha dinheiro, mas não podia ficar gastando, tinha que racionalizar, então ficava em casa mesmo.  Minhas saídas eram pra almoçar ou jantar fora de vez em quando.
O meu computador era o meu celular e, claro, era super limitado. Então assistia muita televisão e lia a auto-biografia do Eric Clapton (que aliás, nem terminei de ler). Agosto, no hemisfério norte, é o auge do verão e, na Europa, férias quase gerais. O calor era infernal, coisa de cerca de 40 graus Celsius.

Mas acho que no dia 15 de agosto do ano passado, eu ja tinha comprado um computador, acho que comprei no dia 14. Mas mesmo assim foram 14 dias sem computador. Ruim demais.

Eu tinha apenas a tv aberta com 4 canais (e era uma tv de 14″).

Acordava por volta de meio dia, tomava café e deixava pra almoçar lá pelas 16hrs. Ligava a tv e ficava “assistindo” a Volta a Portugal em Bicicleta. Que coisa idiota. Nada contra, mas porra, transmitir isso todo santo dia é de fuder. Mas os caras são foda, diga-se. Correr de bicicleta com 40 graus na cabeça não é facil.

O curioso das corridas de bicicleta é que, invariavelmente, quem lidera a prova inteira não ganha. Quando falta 1km pra linha de chegada, sai um cara la de trás (muitas vezes, um que nem estava no pelotão) rasgando tudo e fica em primeiro. Imagina que merda deve ser pra quem liderou o resto da prova inteiro!

Mas o post não é pra isso. Como acordava muito tarde, dormia muito tarde também, lá pelas 3, 4 da manhã. E deixava a tv ligada, claro.

Certa vez, tava lá fazendo sudoku ou lendo, quando começa a passar na tv, nada menos, que CARGA PESADA!

Quem diria que as aventuras de Pedro e Bino passavam na tv aberta portuguesa em plena madrugada. E digo mais: curti carga pesada. Nunca tinha assistido aqui, mas até que tinha umas histórias bem loucas. E não é aquele negócio de valorizar o brasil quando se está longe, não. Nada a ver. Era falta de coisa melhor mesmo.

Outra coisa curiosíssima eram os programas que antecediam Carga Pesada.

Primeiro passava “Alerta Cobra”, um seriado policial Alemão muito bom! Mas muito bom mesmo! Recomendo demais. O mais louco é que passava legendado, então conseguia captar uma ou duas palavras em alemão e me achar o fodão. Uma cena inesquecível desse seriado é quando um dos policiais atirou em um carro com a intenção de fazê-lo explodir e dar aquele sobrevoo. E tudo isso pra que? Pra atingir um helicoptero! Impossível não me apaixonar por uma cena dessas.

Alias, enquanto escrevia o paragrafo acima, lembrei que não era exatamente um seriado de policiais comuns. Os protagonistas eram policiais da autobahn que se metiam em resolução de crimes de todo o tipo. Em um dos episódios, eles pararam um motorista bebado e acabaram descobrindo um esquema de vendas de armas. Ou alguma coisa assim. Mas era bem louco.

Na sequência vinha The Unit. Já tinha ouvido falar mas nunca tinha visto. O seriado é legal apesar de parecer muito fake.

E para manter o nível de excelência, nada menos que Carga Pesada na sequência.

Alias, olha que spinoff foda acabei de imaginar: Carga Pesada e Alerta Cobra!
Se realizam isso, nem cobro pela ideia.

Sobre morar sozinho

Esse ano eu me exilei.

Pela primeira vez, saí de casa pra morar sozinho.

Vou fazer isso com o meu filho (que vai se chamar Thor. true story).

Morar sozinho por um tempo é importante. Importantíssimo.

Mas veja, na minha casa, a gente sempre se virou desde cedo. Eu sempre limpei meu quarto, mesmo quando tinhamos secretária empregada. Eu não gostava do jeito que ela arrumava meu quarto, então, eu mesmo limpava porque as coisas ficavam do jeito que eu queria.

Já sabia, mas aqui pude perceber bem melhor, que minha mãe me deu a melhor criação que ela poderia ter me dado. E, sendo redundante, mesmo, não poderia ter sido melhor.

Trabalho desde os 18 anos. Por um conjuntura de fatores inusitados, tive a melhor formação acadêmica que eu poderia ter tido (do ensino fundamental ao superior). Estudei inglês (e mais importante, falo inglês) e fiz mestrado. Passei vontades, mas nunca necessidade.

Comprei – eu mesmo! – meu primeiro carro (e isso lá pelos 25 anos). Besteira pra você, mas pra mim foi foda!  E desculpe lá, mas eu me acho mesmo.

Morando sozinho, querendo ou não, a gente cresce. E muito. No início, acabei me fudendo bonito aqui. Por outra conjuntura de fatores pra lá de inusitados, tive um amigo que me ajudou muito aqui. Demais mesmo. E se não fosse por ele, teria ido morar embaixo do viaduto da Areosa (tem lá a sua dose dramática, claro…).

Eu, um egoísta de marca maior, dando valor a essas coisas bobas como amizade… não que eu não desse antes, mas você pegou o ponto.

Passei mais vontades de novo. Parece que é uma sina… Imagina você morar na Europa e depois de tantos meses, ter ido apenas a Bordeaux… Paris, Londres, Roma, Ibiza (!!!!!), o Leste inteiro logo ali e você aí… sem sair de casa o fim de semana inteiro… apenas por uma questão de responsabilidade.

Responsabilidade. Aprendi desde cedo a ser responsável. Não tinha outra opção. Outra coisa que eu entendi logo é que se não fosse eu mesmo por mim, ninguém mais seria. E esse talvez seja o meu grande lema da vida: ninguém vai te ajudar. No entanto, os fatos me mostram o contrário. Ainda bem.
Morando sozinho, passei a valorizar ainda mais – cliché alert – a minha própria companhia. A condição do ser humano é estar sozinho. Perdi as contas das vezes em que eu cheguei em casa na sexta e só sai de novo na segunda… Nunca achei ruim. Eu gosto. Na média, nunca fui muito de sair, apesar de ter havido uma ou outra exceção em períodos específicos.

Nesse ínterim, aprendi a cozinhar. E muito bem, obrigado. Descobri a paixão por cozinhar. Além de ser o melhor passatempo (com ou sem hífen, foda-se), é a melhor terapia. Descobrir sabores, experimentar e, claro, ser vítima das suas próprias experiências. Faz parte. Agora sei fazer arroz bem soltinho (sem grudar nenhum na panela!), strogonoff, yakisoba, costela de porco com molho barbecue, esparguete a carbonara. Sei também fazer feijão! De lata, mas tá valendo. Tenho medo de panela de pressão. Apesar disso tudo, ainda choro cortando alho e cebola…

Sempre soube o verdadeiro valor das coisas. Mas nunca tinha pagado aluguel. Pagar alugel pesa… E como pesa. E lá se vão 30, 40% do seu rendimento mensal só pra você ter direito a um quarto, um colchão e uma mesa pra usar o computador… Some a isso as contas de água, luz, internet e suas despesas mensais com supermercado… O que sobra é pro seu lazer e outras despesas imprevisíveis (roupas, por exemplo). E não se esqueça de poupar um pouquinho, já que você está em um país estranho e não pode contar com a ajuda de (quase) ninguém… É o ônus de ser adulto.

Os shows… Consegui ir ao show do BB King! Caralho, fui no show do BB King!! BB fucking King! Mas perdi muitos shows que eu realmente gostaria de ter ido… Metallica, Pearl Jam, Megadeth, Apocalyptica… Jamais estive tão perto deles, e, no entanto, não pude ir… Vai ter que ficar pra próxima.

Uma experiência

Semana passada, comprei dois cabos pra ligar o computador na TV. Se a tv fosse moderna, um cabo vga bastaria. Mas a tv aqui de casa é de tubo, tem entradas svideo, scart e rca. E aí que eu me confundi e os cabos que eu comprei, não serviram pra nada.

Fui à loja para efetuar a troca. Mas como já havia comprado o cabo adequado no eBay – e que acabou nem servindo -, eu não queria trocar por outro cabo. Mas como eu precisava comprar outras coisas na mesma loja, eu só ia trocar um produto por outro.

Cheguei na Worten e disse que queria devolver. O cara perguntou se havia algum problema, e então conferiu a nota, os cabos e a embalagem. Eu estava esperando um vale no mesmo valor da compra, tal como aconteceu na Fnac outra vez. mas qual não foi minha surpresa quando o cara simplesmente me devolveu o dinheiro. Sem perguntas, sem questionários, sem assinaturas. Nada. Deu o dinheiro na minha mão e fim.

 

 

Post post

Já percebi há algum tempo que apesar de pensar em vários assuntos o tempo todo – e que poderiam virar posts aqui -, tenho tido uma certa dificuldade de organizar meus pensamentos. Ou seja, penso em várias coisas, mas não sei por onde começar e quando tento escrever alguma dessas coisas, inevitavelmente me perco e o texto fica uma merda.

Sem dúvida isso é reflexo das 12, 14 horas diárias que eu passo na internet, fazendo coisa úteis e tantas outras inúteis. Já tem um bom tempo que eu não leio livro nenhum. Faltam apenas 30 páginas pra terminar de ler a biografia do Eric Clapton, mas abandonei desde agosto…

Chego em casa por volta das 19 horas. Tomo banho, como qualquer coisa e sento na frente do computador. E fico assim até meia noite, uma da manhã. Só mongoleando na internet.

Já decidi que deveria usar esse tempo livre pra fazer alguma coisa de útil (desenvolver algum software, participar de algum projeto open source de olho no google summer of code…), mas não, fico aqui nesse loop infinito de youtube, blogs…

Enfim.

Pequena constatação sobre vinhos

Não entendo nada sobre vinho. No entanto, sei meia dúzia de termos relacionados a vinho e que dá pra impressionar os mais incautos, que afinal é o objetivo de tudo isso.

Enfim.

Uma coisa que eu percebi é que os vinhos chilenos ou argentinos são muito agressivos, i.e., o contraste entre os sabores é muito grande ao passo que os vinhos portugueses são muito mais suaves, os sabores são mais equilibrados, e acaba sendo mais agradável tomar um vinho português do que um argentino ou chileno.

Uma observação importante é que falo de vinhos baratos, que são aqueles que o meu bolso permite comprar. No brasil, o máximo que eu paguei em um vinho foi 25 reais. Mas geralmente comprava os que tinham preço entre R$ 15 e R$ 20.

Aqui, o vinho mais caro que eu comprei, custou 4 euros e qualquer coisa, o que já é um preço um pouco acima do razoável pra vinhos. É claro que há vinhos de 8, 10, 20 euros, os quais nunca comprarei.

Porca de Murça (2 e pouco) e Periquita (3,99€) foram os dois melhores vinhos que eu tomei aqui. Simplesmente espetaculares.

Fim.

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