Vontade de escrever

Com as redes sociais e esse super compartilhamento do dia-a-dia, é preciso tomar cuidado pra não ser contaminado pelo mau humor dos outros. É que a moda é só reclamar o tempo inteiro, ostentar disturbios piscológicos, se vangloriar de tomar remédio tarja preta, etc. Vai ver é puro conservadorismo da minha parte, mas tomar remédio tarja preta é coisa séria.

Talvez pra se sentir parte de um determinado grupo, a pessoa acabe se anulando e fazendo coisas que não faria na vida real, como puxar o saco de alguem ou diminuir alguém. E como as coisas tomam na internet tomam proporções totalmente exageradas, o que se tem são pessoas que mal se conhecem brigando por uma coisa que nem sabem o que é (na verdade, essas brigas são como rituais de iniciação nos grupos) e pessoas denegrindo outras a troco de duas ou três piadocas. Não vale a pena.

Como disse o Izzy Nobre, a internet bota uma lente de aumento no pior lado das pessoas.

Outra coisa que alguém falou também é que se você é daquelas pessoas que fala tudo o que pensa, você não é franco, é só mal educado mesmo. Tenho exercitado isso todos os dias. Há pessoas que eu morro de vontade de dizer um monte de coisas, de humilhar mesmo, mas não digo porque não fui perguntado e porque não tem o direito de deixar ninguém mal. É uma coisa tão básica, mas um pouco difícil de cumprir.

Só que quando a gente olha bem pra pessoa, a gente vê que tá tão acima em tantos níveis, que só isso já basta. Importante: o regozijo é interno. Não pode ser posto pra fora porque ai você perde o jogo. Eventualmente, tudo isso acaba se transformando numa espécie de pena. É bom e é ruim. É bom porque é bom. Mas é ruim por causa da soberba que isso causa. Não gosto desse papo de humildade, mas não dá pra ser arrogante o tempo inteiro. É um exercício diário.

Mano, quê que eu to escrevendo!?

Não precisa falar nada

Liguei o computador, acessei o UOL e vi as seguintes manchetes.

Há 1 ano

Há exatamente um ano, eu estava em Coimbra, forever alone, morando meio que de favor (na verdade, na brodagem). Tava na transição de um emprego pro outro, então tava sem computador, pois o que eu usava era do trabalho. E também tava meio sem dinheiro. Eu tinha dinheiro, mas não podia ficar gastando, tinha que racionalizar, então ficava em casa mesmo.  Minhas saídas eram pra almoçar ou jantar fora de vez em quando.
O meu computador era o meu celular e, claro, era super limitado. Então assistia muita televisão e lia a auto-biografia do Eric Clapton (que aliás, nem terminei de ler). Agosto, no hemisfério norte, é o auge do verão e, na Europa, férias quase gerais. O calor era infernal, coisa de cerca de 40 graus Celsius.

Mas acho que no dia 15 de agosto do ano passado, eu ja tinha comprado um computador, acho que comprei no dia 14. Mas mesmo assim foram 14 dias sem computador. Ruim demais.

Eu tinha apenas a tv aberta com 4 canais (e era uma tv de 14″).

Acordava por volta de meio dia, tomava café e deixava pra almoçar lá pelas 16hrs. Ligava a tv e ficava “assistindo” a Volta a Portugal em Bicicleta. Que coisa idiota. Nada contra, mas porra, transmitir isso todo santo dia é de fuder. Mas os caras são foda, diga-se. Correr de bicicleta com 40 graus na cabeça não é facil.

O curioso das corridas de bicicleta é que, invariavelmente, quem lidera a prova inteira não ganha. Quando falta 1km pra linha de chegada, sai um cara la de trás (muitas vezes, um que nem estava no pelotão) rasgando tudo e fica em primeiro. Imagina que merda deve ser pra quem liderou o resto da prova inteiro!

Mas o post não é pra isso. Como acordava muito tarde, dormia muito tarde também, lá pelas 3, 4 da manhã. E deixava a tv ligada, claro.

Certa vez, tava lá fazendo sudoku ou lendo, quando começa a passar na tv, nada menos, que CARGA PESADA!

Quem diria que as aventuras de Pedro e Bino passavam na tv aberta portuguesa em plena madrugada. E digo mais: curti carga pesada. Nunca tinha assistido aqui, mas até que tinha umas histórias bem loucas. E não é aquele negócio de valorizar o brasil quando se está longe, não. Nada a ver. Era falta de coisa melhor mesmo.

Outra coisa curiosíssima eram os programas que antecediam Carga Pesada.

Primeiro passava “Alerta Cobra”, um seriado policial Alemão muito bom! Mas muito bom mesmo! Recomendo demais. O mais louco é que passava legendado, então conseguia captar uma ou duas palavras em alemão e me achar o fodão. Uma cena inesquecível desse seriado é quando um dos policiais atirou em um carro com a intenção de fazê-lo explodir e dar aquele sobrevoo. E tudo isso pra que? Pra atingir um helicoptero! Impossível não me apaixonar por uma cena dessas.

Alias, enquanto escrevia o paragrafo acima, lembrei que não era exatamente um seriado de policiais comuns. Os protagonistas eram policiais da autobahn que se metiam em resolução de crimes de todo o tipo. Em um dos episódios, eles pararam um motorista bebado e acabaram descobrindo um esquema de vendas de armas. Ou alguma coisa assim. Mas era bem louco.

Na sequência vinha The Unit. Já tinha ouvido falar mas nunca tinha visto. O seriado é legal apesar de parecer muito fake.

E para manter o nível de excelência, nada menos que Carga Pesada na sequência.

Alias, olha que spinoff foda acabei de imaginar: Carga Pesada e Alerta Cobra!
Se realizam isso, nem cobro pela ideia.

Roupa falsificada

spoiler alert: um texto bem besta.

Uma parada que eu não entendo é essa moda de usar roupa falsificada. Na verdade, eu entendo: as pessoas querem demonstrar um status que não podem ter. Então, o que eu não entendo é essa vontade de mostrar um status que não tem.

Não faz sentido. Não há vergonha nenhuma em não poder comprar uma camisa de 200 reais. Quem pode compra, que não pode não compra. É simples. Eu, particularmente, acho um exagero dar 200 reais numa camiseta, talvez eu ache absurdo porque eu simplesmente não tenho o costume de pagar isso por uma camiseta. Em uma calça jeans ou em um tênis, vá lá. Mas numa camiseta acho demais. Mas nada contra, cada um faz o que quiser com o seu dinheiro. Tem gente que compra cocaína, crack. E tem gente que compra camiseta de 200 reais.

Esse mercado de luxo é uma coisa que me fascina. Às vezes passo horas lendo esses sites que falam sobre o mercado de luxo. Acho muito curioso. Imagina pagar 10 mil reais em um terno ou R$ 20 mil em uma bolsa! Ou então pagar quase R$ 20 mil em uma passagem de 1a classe pra Paris. Apesar de achar um absurdo, ainda quero muito viajar de 1a classe. Mas vai demorar. Até eu poder dispor de R$ 20 mil apenas pra pagar a passagem, ainda vai levar um tempo.

Aliás, eu tenho uma dúvida meio bocó: como é que se faz o pagamento dessas coisas. Exemplo: ir na loja comprar umas roupinhas que tá precisando (o básica: camisa, calça, cueca. essas coisas) aí a conta dá, sei lá, 30 mil reais. Como é que faz pra pagar isso? No cartão de crédito? (caceta, imagina receber uma fatura em que uma compra é de 30 mil reais!!). O banco autoriza passar um valor desses no débito? Eu tendo a achar que é no cheque, mas cheque é um negócio tão inseguro.

Mas voltando. Eu acho que a partir de um certo preço, não há mais diferença na qualidade do produto, é só etiqueta mesmo. É claro que uma camisa de, sei lá, 50 reais é (ou deveria ser) melhor que uma camisa de 15 reais. Mas não vejo como uma camisa de 500 reais pode ser melhor que uma R$ 100.

O que me deixa mais curioso ainda é que as falsificações são grosseiras. Não precisa ser nenhum especialista pra perceber a diferença entre uma camisa da Lacoste original e uma falsificada. Basta bater o olho. Ok, os piratas estão conseguindo ser cada vez mais fiéis nas cópias. Mas mesmo assim, eu sempre vou saber que aquela camisa que eu comprei, literalmente, no meio da rua é falsificada. Tem que ser um bocado ingênuo pra não perceber. É simples: se você não comprou na loja, as chances do produto ser falsificado são muito altas.

Tava com vontade de escrever.

De repente, me deu uma vontade de escrever, mas não tenho assunto. mas vamos lá.

To ouvindo aqui, #41 do Dave Matthews Band. Dave Matthews é uma banda espetacular. Muito foda. Vá lá e escute. Ouça o disco Crash primeiro. É só sucesso. Não tem uma música ruim.

Dave Matthews Band é world music. É uma mistura de vários ritmos, com letras bonitas e melodias poderosas. Tem muita virtuose também. Algumas músicas tem uma levada bem jazz, outras, blues. Músicos sensacionais. Enfim, ouça lá.

***

Já tem um tempo que eu descobri que eu sou obcecado por fone de ouvido. Tenho uns 6 ou 7, dentre os quais, dois headsets, um usb e outro normal. E se tem uma coisa que eu recomendo muito é um fone de ouvido usb com abafador. Pra quem gosta de notar detalhes das músicas, é essencial. Eu tenho um Microsoft Lifechat LX-3000 que custou 35€. Não exatamente barato, mas pra esse tipo de fone, foi um ótimo preço. Um sonho de consumo é ter um headset usb Sennheiser. Não precisa ser aqueles de 300 e tantos euros, um modelo de entrada já me serve, não sou nenhum audiófilo.

E, olha, um fone Sennheiser faz toda a diferença. Tenho 2 mas daqueles mais simples, earphone mesmo. Foram baratinhos, um foi 7€, o outro foi 9€. Mas são muito bons. É de se impressionar como um negócio tão pequeno faz uma diferença tão notável.

Tava usando um Sennheiser no trabalho e levei um outro fone logitech. Não consegui ficar nem meia música com o Logitech. Um som ruim, sem potência, sem vida, sem vibe. Voltei com o Sennheiser e que diferença…

Alias, ouvir heavy metal (ou qualquer música com um pedal duplo vigoroso) com um fone de ouvido bom, é outra história.

Condescendência

Esses dias aí, a Amy Winehouse tá no brasil pra fazer uns shows. Muitos duvidaram que ela sequer viria mesmo pro brasil. Depois, se ela iria dar as caras nos shows. Até onde eu sei, ela compareceu aos shows marcados e, vá lá, fez os shows. Meio capengas, mas fez.

Li em algum lugar, que em um dos shows, ela cantou apenas 7 músicas no total. Cantou umas 2, saiu do palco, voltou, cantou mais 3, saiu do palco… e assim por diante. As reações do público são as mais diversas. Gente indignada com a falta de compromisso da cantora e gente condescendente justificando que esses artistas são assim mesmo…

Eu me alinho aos indignados. Desculpe, mas um artista contratado a peso de ouro que não mostra profissionalismo, não merece crédito, por mais talentoso que seja. Sempre achei que shows com menos de 1,5h de duração são, nada menos, que falta de respeito com o público, que muitas vezes passa anos esperando e é brindado com uma apresentação sem vergonha de 50 minutos.

Veja, não estou pedindo pro artista ser simpático e dizer que sempre é um prazer imenso tocar na cidade X (até acho isso cafona), só quero que o artista faça o serviço dele direito. Se puder curtir o show e fazer dele um espetáculo, tanto melhor, mas o mínimo que eu espero é que as músicas sejam executadas da maneira mais regular possível. Uma coisa que me irrita é o cantor pegar o microfone, apontar pra galera e dizer: VOCÊS! Amigo, eu paguei o ingresso pra ver você cantar, então, deixe de graça.

O grupo dos condescendentes é curioso. Muitos deles acham normal que as apresentações da Amy sejam um desastre. A justificativa é que ela passou muitas dificuldades com o comportamento kamikaze que ela adotou e é assim mesmo. Como se houvesse algum charme nisso. Atenção: não há.

Se o Amy não estava apta a fazer shows, por quê se meteu a fazê-los? O público, que pagou ingressos caríssimos, não tem nada a ver com os problemas dela. Nesse texto do Zeca Camargo, um insider do show biz justifica o comportamento dela nos shows dizendo que é isso mesmo que o público quer ver, um show de horrores. Porra, Zeca, mas que cara de pau, hein? Só não conseguiu ser mais cara de pau que o Paulo Henrique Amorim.

Aposto o dedo mindinho do pé (que até hoje nunca me teve muita serventia) que muito desse pessoal que acha que a Amy tem, na verdade, atitude por fazer isso e mostrar who’s the boss, não perdoa a menor falha dos seus subordinados.

Gostaria muito de ver a atitude dessa galera se um dia a empregada doméstica (aliás, vamos parar com isso de chamar de secretária ou de “pessoa que trabalha comigo”) de algum deles chegar e disser que não fez a faxina em todos os comodos da casa. Duvido muito que eles diriam que é assim mesmo ou se aplaudiriam.

Notas

E essas são as novas notas da minha vida.

Ando com uma falta de paciência pra certas. Sair e socializar, por exemplo. Ando sem vontade mesmo. Prefiro ficar em casa assistindo à qualquer coisa a ir pras baladas. É grave porque existe toda uma cidade desconhecida pra ser explorada, mas daqui a pouco eu tento consertar isso.

***

Outro dia, tomei um Haagen Dazs de strawberry cheesecake (meu novo sabor preferido) e olha… continuo mantendo minha posição de que Haagen Dazs é 10% sorvete e 100% hype. O sorvete não era ruim, mas achei muito doce, quase enjoativo.
Prefiro mil vezes o genérico que são vendidos em qualquer supermercado. E como o negócio é hypado, o preço vai pros caralhos. Uma bola de Haagens Dazs custa ~2,7€. Por 2,5€ eu compro um pote de 500mL dessa linha “momentos de luxo” (que é uma linha de sorvetes mais refinada, na verdade, com sabores mais afrescalhados). O pote de Haagen Dazs do mesmo tamanho custa 6,5€! Vá roubar os presos, hein!?

O Haagen Dazs não é meu, é do outro brother que mora aqui

E se for dos sabores comuns, eu compro um pote de 1L da Kibon (aqui se chama Olá) por 1,99€.

***

Como já falei anteriormente, cozinhar tem sido uma grande prazer pra mim, uma terapia, além de ajudar a passar o tempo.
Hoje, fiz um yakisoba que, desculpem lá, mas ficou muito bom! Não tinha camarão e usei macarrão espaguete mesmo, mas ainda assim. Da próxima vez, vou colocar camarão e pimentão vermelho pra dar um contraste.

Diliça (clica que aumenta)

Por pura coincidência, o vinho combinou muito bem. Palmas pra mim.

Combinação muito boa. (clica que aumenta)

Ainda vou fazer um post mais detalhado sobre meus dotes culinários. Wait and see.

***

Enquanto em Munich acontece a Oktoberfest, em Lisboa, acontece a quarta edição do Munique em Lisboa, que seria uma espécie de franquia da Oktoberfest.

Como parece que as companhias aéreas estão numa franca perseguição para com a minha pessoa, já que todo mundo diz que “esse é o mês das passagens baratas” (algo que nunca acontece), esse seria o mais perto que eu chegaria da Oktoberfest.

Apesar de ser um evento pequeno, só tinha cerveja alemã (!) nas variedades pilsen (Bitburger) e weissbier (Erdinger). É, amigos, chopp Erdinger! No entanto, não era barato. A caneca de 0,5L custava 4,2€, o que é um forte impeditivo.

Chopp Erdinger

Também havia comida alemã. E qual não foi minha decepção em descobrir que chucrute é apenas repolho refogado… Pqp vcs, viu…

E como o as outras comidas era bem caras (pratos a partir de 8,5€), comi só um pão com salsicha bem sem vergonha. Mas a mostarda que tinha lá era muito boa. Até pra mim que não gosto de mostarda.

E também tinha uma banda alemã de verdade (com aquelas roupas típicas), tocando aquelas musiquinhas alemãs bem desanimadas.

Mas, acredite, foi legal.

***

Outro dia, no supermercado, vi uma caixa com 5 garrafas de Erdinger mais um copo por 17€.

Enjoy pagar 18 reais em uma garrafa na Cachaçaria do Dedé.

***

Então o verão acabou (amém) e o outono começou. Com isso, as temperaturas começam a cair.  Neste momento faz 18ºC, que é uma temperatura excelente pra dormir e andar na rua.

Mas eu to ansioso mesmo pra que chegue logo o inverno. Quero ver a neve, mano!
Em Lisboa não é comum a ocorrência de neve, mas assim que cair neve em qualquer canto desse país, eu estarei lá.
Compromisso cabledog público!

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