Para Fernando e Zeca

ou: Sobre meus cachorros.

Nunca tinha tido um cachorro. Dois cachorros já haviam passado pela minha casa, mas nunca foram meus, de minha responsabilidade.

Ai um belo dia resolvemos procurar um. Sempre quis um pincher porque acho bonito. E também acho engraçado um cachorro daquele tamanho ser bravo do jeito que normalmente é.

Mas não importava a raça. O cachorro só tinha que ser pequeno porque a casa não é tão grande assim. Não me animava muito em pagar por um cachorro, mas dependendo, poderia até considerar pagar os custos que a pessoa teve, tais como vacinas, remédios, etc. Se pudesse ser de graça, tanto melhor.

A Renata perguntou no facebook e logo indicaram um rapaz, amigo de amigos, cuja cadela acabara de parir uns 4, 5 cachorros. Marcamos e fomos lá.

Nos dias anteriores, ficou decidido que o nome seria Fernando. Sempre achei engraçado esse negócio de nome de gente em cachorro.

Quando chegamos pra pegar o Fernando ficamos encantados. Era lindo. Pequeno do jeito que a gente queria. Era exatamente o cachorro que a gente queria.

Como a gente passa a maior parte do dia fora, várias pessoas falaram que ele poderia se sentir muito sozinho e que seria ótimo se ele tivesse companhia. E começamos a pensar em ter outro cachorro. Entramos em contato com o rapaz e ele ainda tinha um cachorro sobrando, da mesma ninhada do Fernando. Vimos umas fotos e decidimos que íamos meter a cara e pegar mais outro cachorro.

A Renata deu a idéia do nome: Zeca. E duas semanas depois do Fernando, o Zeca chegava em casa. Tínhamos então dois vira-latas.

Na primeira noite, o Fernando estranhou muito. Pois de uma hora pra outra, ele não era mais o reizinho da casa. Passou a ter que dividir a atenção com o Zeca.

Lembro que o Zeca roubou quase toda a caminha do Fernando, que ficou só com uma pontinha.

Houve estranhamento da parte do Fernando, mas tudo em paz.

Nos dias seguintes, bateu um certo arrependimento, ou uma sensação de “deveríamos ter pensado um pouco mais” e conversamos sobre devolver o Zeca.

O Zeca é bem maior que o Fernando, uma diferença de uns 10kg. O nosso medo era que o Zeca ficasse grande demais e não houvesse espaço para os dois.

Zeca e Fernando

Zeca e Fernando

No fim das contas, acabamos ficando com os dois mesmo e não foi problema nenhum. O Zeca cresceu bem mais que o Fernando, e apesar de uma outra dificuldade, era possível manter os dois em casa sem maiores problemas.

Eles sempre se deram muito bem. Brincavam de se morder, dormiam se apoiando um no outro (uma cena tão linda que transborda ternura). Nunca houve briga por comida nem nada do tipo. Eles eram capazes de dividir a mesma vasilha de comida sem problema nenhum.

O Fernando é muito ciumento, toda vez que a gente ia fazer carinho no Zeca, ele vinha pra cima e o empurrava pra roubar o carinho dele. Mas nunca de forma agressiva. O Zeca sempre foi, digamos, compreensivo com isso.

Os dois sempre foram muito dóceis conosco e com os outros também. Talvez pelo tamanho e pelo latido mais grosso, o Zeca assustasse mais.

Tudo corria muito bem até que um dia tudo começou a desandar.

Tínhamos que aplicar uma injeção em cada um e caímos na besteira de fazer isso com os dois cachorros lado a lado. Assim que espetamos o Fernando, ele achou que fosse o Zeca e avançou nele. Daí começou uma briga horrível entre os dois. Nunca tinha visto uma briga de cachorro e não sabia o que fazer. A impressão que se tem é que aquilo ali só vai acabar quando um matar o outro, de tão violento que é.

Nos metemos no meio dos dois e conseguimos separá-los. Nisso, o Fernando acabou dando uma beliscada com o boca no meu braço e sangrou um pouco.

Fui me lavar e num vacilo com a porta, eles acabaram se pegando de novo, coisa de 5 minutos depois. A briga parecia ainda pior e fomos de novo pra cima deles para separá-los. Nisso, o Zeca acabou mordendo a minha mão esquerda com muita força, gritei de dor. Com o barulho, algumas pessoas que estavam no andar de baixo acabaram subindo pra ver o que estava acontecendo.

Daí fui pro hospital, onde fizeram um curativo, passaram uns remédios e preencheram todo o protocolo do Ministério da Saúde referente a mordida de animais. Como o cachorro era meu, doméstico e com todas as vacinas em dia, não havia tanto assim pra se preocupar, mas ainda era necessário observar o comportamento do Zeca por 10 dias pra ver se ele iria manifestar os sintomas da raiva. E depois desses 10 dias, eu teria que voltar lá pra reportar o que havia acontecido pra eles fecharem aquele protocolo.

Apesar de saber que não aconteceria nada, fiquei com medo porque Raiva não tem cura (há controvérsias pois há duas pessoas que conseguiram sobreviver). Curiosamente, poucas semanas antes eu havia escutado o Nerdcast 339 sobre distúrbios mentais e vi que Raiva é uma doença bizarríssima.

Assim que voltei do hospital, o Zeca me recebeu muito agitado, veio pra perto, me lambeu, balançou o rabo. Deu pra perceber que ele ficou aliviado em me ver. Nesse interim em que eu estava no hospital, a Renata até os levou pra passear e não houve desentendimento, eles se cheiraram e andaram um do lado do outro sem problema nenhum.

Horas mais tarde foi que o clima começou a ficar pesado entre os dois. A partir daí nada mais seria igual antes.

Desde o acontecido, eles ficaram separados. À noite, tentamos aproximá-los, mas não deu certo. O Fernando tava muito cabreiro com o Zeca e vice-versa. Eles até chegavam perto um do outro, mas sempre se olhando de canto de olho. Numa dessas, eles rosnaram feio um pro outro, mas felizmente eles estavam amarrados.

Ao fim e ao cabo, eu e a Renata acabamos ficando com muito medo do Zeca, pois sempre que chegávamos perto, ele olhava de canto de olho pra gente, desconfiado, parecia que ia atacar a qualquer momento. Mas o veterinário disse que isso era uma espécie de arrependimento porque ele sabia exatamente a besteira que tinha feito e tava com vergonha.

No dia seguinte, várias pessoas disseram que, dali em diante, para que os dois pudessem voltar a conviver deveríamos castrá-los, que isso acalma muito os animais. E foi o que fizemos. Mas fomos alertados de que os hormônios do Zeca só seriam completamente metabolizados em torno de 30 dias, até lá, ele poderia continuar do mesmo jeito que estava, ainda que houvesse uma diminuição gradual.

Uma coisa interessante que lemos na internet e que vimos acontecer é que quando esse tipo de coisa acontece, há uma troca no “comando”. O Zeca que sempre tinha sido mais compreensivo com tudo, passou a se impor diante do Fernando, que por sua vez, passou a obedecer. Mesmo estando separados por uma grade ou pela porta, o Zeca fazia questão de chegar perto do Fernando só pra mostrar quem que estava mandando.

Depois da castração, o Zeca foi ficando mais calmo. Mas algumas vezes os dois chegaram a se estranhar. Às vezes por descuido nosso e outras por tentar fazer as pazes entre eles. Várias vezes eles ficaram perto, se cheiraram, se lamberam, mas bastava que um olhasse feio pro outro que começava a putaria de novo.

Nesses dias, ficou tudo muito dificil porque os cachorros tinham sempre que ficar separados, a porta da sala sempre fechada, entrar e sair de casa exigia muita atenção para que um não escapasse pra fora ou pra dentro. De vez em quando tínhamos que colocar o que tava dentro pro lado de fora e vice-versa e era toda uma operação.

Era uma sensação horrível de ter que fazer tudo aquilo quando alguns dias antes eles dormiam abraçados.

Zeca e Fernando

Zeca e Fernando – essa foto é a lock screen do meu celular

A solução que foi se apontando foi a de dar o Zeca. Só pensar nisso já era doloroso. Apesar da situação, isso não nos passava pela cabeça. Até conseguimos um amigo que ficou interessado no Zeca, mas ele ficava cada vez mais dócil e meigo. Era difícil pensar em se desfazer dele.

Como última tentativa, decidimos cobrir um pedaço do pátio, onde seria possível o Fernando e o Zeca ficarem fora de casa e separados por uma grade. Essa grade, além de proteger um do outro, serviria para reaproximá-los de forma segura.

Dessa forma, quando o Fernando não estava no campo de visão do Zeca (ou vice-versa), eles latiam muito, como se um pedisse pro outro aparecer.

Assim foi até que no sábado, por um descuido no portão, eles acabaram brigando de novo. O Zeca mordeu a Renata e me beliscou com a boca, porque pra separar a briga, eu peguei o Fernando no braço.

Mesmo com isso tudo, era muito dificil ter que deixá-lo ir embora, apesar de, dessa vez, ser inevitável. Ia ser muito dificil, ou impossível, que os dois se entendessem novamente como antes. E aquela situação já estava insustentável há muito tempo, a gente que continuava insistindo.

E então que a minha mãe arranjou uma pessoa que ficou interessada no Zeca. Quando ela me ligou pra avisar que ele iria buscá-lo no dia seguinte, foi um baque. De repente, caiu a ficha que o Zeca ia embora mesmo. Nesse dia, quando cheguei em casa, sentei no sofá com ele e ficamos conversando. Falei tudo isso que eu escrevi ai em cima e que tínhamos tentado de tudo pra que ele ficasse conosco, mas que não tinha jeito. Aquela situação já não era mais segura nem pra eles e nem pra gente. E muito menos pras pessoas com quem eles não estão acostumados. A única saída era que a gente deixasse que ele fosse embora, ser criado por outra pessoa, em outra casa. Dessa forma, todos estaríamos bem.

A chance de ele ter entendido tudo o que eu quis dizer pra ele é quase nula, mas pelos gestos e pelo olhar dele, tenho certeza que ele entendeu e tava sentindo a mesma coisa que eu. Ele tava com o semblante triste e muito carinhoso, parecia que queria aproveitar os ultimos momentos que passaríamos juntos…

Eis que chegou a hora da despedida. Levamos o Zeca pra perto do amigo da minha mãe e, por incrível que pareça, ele não estranhou nada. Simpatizou imediatamente com ele. Ao ver isso, fiquei muito mais tranquilo. Curiosamente, o Zeca tava muito calmo, não estranhou nada em nenhum momento. Colocamos ele no carro e ele continuou tranquilo.

Jamais pensei que fosse me apegar tanto a cachorros como me apeguei ao Zeca e ao Fernando. Chegar em casa e vê-los pulando de alegria, com o rabinho balançado, lambendo, cheirando é um negócio que não tem preço. Cachorro faz muita besteira, roer o que não devia, fazer sujeira etc. Mas o que é um chinelo, uma peça de roupa na frente daquela carinha de danado, a linguinha pra fora e o rabinho balanaçando?

2012-12-27 08.35.09

***

Esse texto foi escrito há cerca de 6 meses. No dia anterior ou no mesmo dia em que o Zeca foi embora, não lembro bem.

Ainda hoje sentimos muita saudade do Zeca. Os dias seguintes à ida dele foram muito dolorosos, a Renata chorava muito, queria traze-lo de volta… Mas, infelizmente, não era possível mesmo. O amigo da minha mãe que o levou disse que no dia seguinte, de manhã cedo, o Zeca estava do lado do carro, como se dissesse “tá bom, já pode me levar pra casa” :~~~~

As notícias que tivemos do Zeca é que ele está bem, se adaptou à nova família. Dizem que ele é muito dócil e carinhoso com as pessoas da casa, muito ativo e alegre e muito atento com qualquer barulho.

Talvez fosse possível nós fazermos uma visita pra ele, pra matar as saudades, mas acho que não seria bom pra ele e nem pra nós.

E assim vamos indo, lembrando dele todos os dias.

 

 

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Vontade de escrever

Com as redes sociais e esse super compartilhamento do dia-a-dia, é preciso tomar cuidado pra não ser contaminado pelo mau humor dos outros. É que a moda é só reclamar o tempo inteiro, ostentar disturbios piscológicos, se vangloriar de tomar remédio tarja preta, etc. Vai ver é puro conservadorismo da minha parte, mas tomar remédio tarja preta é coisa séria.

Talvez pra se sentir parte de um determinado grupo, a pessoa acabe se anulando e fazendo coisas que não faria na vida real, como puxar o saco de alguem ou diminuir alguém. E como as coisas tomam na internet tomam proporções totalmente exageradas, o que se tem são pessoas que mal se conhecem brigando por uma coisa que nem sabem o que é (na verdade, essas brigas são como rituais de iniciação nos grupos) e pessoas denegrindo outras a troco de duas ou três piadocas. Não vale a pena.

Como disse o Izzy Nobre, a internet bota uma lente de aumento no pior lado das pessoas.

Outra coisa que alguém falou também é que se você é daquelas pessoas que fala tudo o que pensa, você não é franco, é só mal educado mesmo. Tenho exercitado isso todos os dias. Há pessoas que eu morro de vontade de dizer um monte de coisas, de humilhar mesmo, mas não digo porque não fui perguntado e porque não tem o direito de deixar ninguém mal. É uma coisa tão básica, mas um pouco difícil de cumprir.

Só que quando a gente olha bem pra pessoa, a gente vê que tá tão acima em tantos níveis, que só isso já basta. Importante: o regozijo é interno. Não pode ser posto pra fora porque ai você perde o jogo. Eventualmente, tudo isso acaba se transformando numa espécie de pena. É bom e é ruim. É bom porque é bom. Mas é ruim por causa da soberba que isso causa. Não gosto desse papo de humildade, mas não dá pra ser arrogante o tempo inteiro. É um exercício diário.

Mano, quê que eu to escrevendo!?

O vazamento do Coubiz continua…

Já tá batido e etc, mas volto ao assunto só porque é importante.

Fiz dois posts onde mostrei que o site de compras coletivas Coubiz utiliza os dados de clientes para fazer spam de terceiros (Entenda como o Coubiz fornece seus dados pessoais para terceiros sem sua autorização e O silêncio do Coubiz).

Depois dos posts, os spams do Japamix pararam de chegar. Mas outro dia recebi um email do Amazonas Shopping. Nunca me cadastrei em nada de lá, acho que nunca acessei o site de lá, então não era possível que eles tivessem meus dados.

Dessa vez, o spam até que veio bem disfarçado, usaram um email com o domínio do Amazonas Shopping e tudo. Só pecaram no link pra se descadastrar (daquilo onde você nunca se cadastrou), que é da imanaus.com.br.

Meu interesse pela coleção outono inverno 2012 da Anne: -55

No final tem o link pra descadastrar o email do mailing e a revelação de como eles chegaram até você.

Aqui em cima, o endereço pra onde o link aponta

E pra fechar com chave de cocô, olha o que tem no final do email.

"Somos contra o spam" sei...

 

Megaupload, Anonymous, Censura e Liberdade de Expressão

E aí que o Megaupload foi fechado pelo FBI. É inacreditável à primeira ouvida, mas é isso mesmo. Todo mundo sempre soube que o tipo de arquivo que fez o Megaupload conhecido infrigia várias leis. Existem dezenas de outros sites iguais a ele. E imagina o cagaço que os donos desses sites devem estar sentindo.

Eu lamento que o Megaupload tenha sido fechado. Sem dúvida, era um dos melhores sites de “compartilhamento” de arquivos, e mesmo não tenho conta lá, as taxas de downloads eram sempre bem altas. Curioso que nos últimos dias eu tava pensando em comprar uma conta no Megaupload. Desse prejuízo eu escapei.

Com o fechamento do Megaupload, vi muito gente na internet dizendo que isso era censura, um ataque a cultura de compartilhar arquivos e a liberdade do conhecimento e toda uma sorte de baboseiras.

Por mais que se insista em falar de compartilhamento, compartilhar arquivos protegidos por direitos autorais é crime. Ponto. O megaupload talvez não estivesse cometendo crime por disponibilizar esses arquivos, mas de alguma forma facilitou.

É claro que é através do compartilhamento (ilegal) que obtemos todo tipo de conhecimento, conhecemos bandas e artistas que dificilmente teríamos notícia se não fosse pela internet. Pois é, mas é crime.

E isso não tem nada a ver com censura ou duro ataque a liberdade da internet. Além de ter como atuação principal uma atividade ilegal, segundo as acusações, o Megaupload estava envolvido em diversas outras atividades criminosas. E por isso foi fechado.

Também não sou tonto de acreditar que foi só por causa disso. Há todo um jogo político envolvido. O timing da operação que fechou o megaupload calhou com a patente derrocada do SOPA e do PIPA.

Às vezes eu penso muito nessa questão de baixar música. Mesmo sem querer, estamos prejudicando o artista por não recompensá-lo pelo trabalho dele. De outro lado, a forma de recompensar o artista é comprar cd, uma mídia em fim de vida, com prazo de validade, sem portabilidade nenhuma e que, inevitavelmente, vai apodrecer dentro de uma sacola em uma caixa de papelão. Exatamente como no meu caso.

Acho que a indústria de entretenimento tem que se modernizar e pensar numa maneira em que ambos os lados da relação se beneficiem. Já há modelos bem sucedidos, vide iTunes Store e Netflix.

De vez em quando eu tenho vontade de recompensar os artistas, mas não há maneiras eficientes pra isso. Uma coisa que eu acho que daria certo e que é muito fácil de fazer seria utilizar o paypal. Você entra no site do artista e manda 10, 20 reais pra ele. Meio rídiculo, mas bem melhor que o que ele recebe atualmente (nada).

Com o fechamento do Megaupload, a internet se revoltou e o Anonymous comprou a briga e prometeu guerra. Nas horas seguintes derrubaram dezenas de sites, incluindo o do FBI.

Vi algumas pessoas comemorando isso. Quem é leigo tudo bem achar o máximo, mas quem é da área tem que honrar a profissão e achar apenas bobo.

Eu sinceramente não acho nada demais o Anonymous derrubar sites desses órgãos. O único significado disso é: temos várias pessoas ao redor do mundo dispostas a rodar um script em suas máquinas que vai travar o servidor de algum site.

Os ataques que tiram esses sites do ar são chamados de DDoS (Distributed Denial of Service) ou ataques de negação de serviço. Simplificando, o objetivo é afogar o alvo com uma quantidade de mensagens maior do que ele seja capaz de processar, até que o alvo não aguente e comece a não atender mais as requisições.

Ataque de negação de serviço é a cartilha do ABC do hackerismo. O que o Anonymous consegue provar com um ataque desse tipo é o que todo mundo já sabia: por mais potente que um computador seja, ele tem um limite prático. Estão de parabéns.

Qualquer site está sujeito a um ataque de DoS, mas uns estão muito preparados e outros nem tanto. Claro que existem medidas para detectar e parar um ataque, mas o ataque vai acontecer, mesmo que por um tempo pequeno.

Muitas vezes, quando um site está sob ataque pesado, ele cai não porque não aguentou o tranco, mas porque foi desconectado da rede para ter sua integridade preservada.

E outra coisa, é claro que o site do FBI vai cair, pois como não é um site acessado em massa, não tem estrutura pra aguentar tráfego pesado.

Quando o Anonymous invadir um servidor do FBI ou correlatos, aí sim eu abaixo as calças.

Ps: parem com esse negócio de máscara de V de Vingança.

Excesso de Deus

Já faz algum tempo que noto um certo padrão no comportamento dos cristãos de denominação evangélica. Não são todos, óbvio. Mas é corriqueiro encontrar crentes mesquinhos, egoístas e filhos da puta. Gente mesquinha e filha da puta tem em todo lugar, mas parece que os irmãos tem se superado nessas práticas.

Conheço pouco de religião. Mas o pouco que eu conheço me faz não gostar de todas, sem distinção.

Não sei se a minha idéia está errada, mas pra mim a religião deveria elevar as pessoas de alguma forma e não o contrário.

Recentemente, tenho estado no meio de umas brigas dessas que envolvem pessoas da igreja e o nível de baixaria me impressiona. Como pode uma pessoa que se dá ao trabalho de ir pra igreja agir de uma forma tão mesquinha e egoísta? Era melhor dormir até tarde no sábado…

Tava pensando sobre isso e acho que esse negócio de religião faz a pessoa achar que tem uma relação tão próxima com deus, que o cara fica se achando. Parece que Deus passou uma procuração pra pessoa ser escrota e filha da puta porque como eles são bróder, então tá tudo ok.

Aí me dizem: isso é falta de Deus. Engraçado porque eu acho o contrário. Isso é excesso de Deus.

Muita gente enfia Deus nas coisas mais triviais da vida, como tirar nota boa numa prova e esquece do principal, respeitar as pesoas. Apesar de o respeito não ter nada a ver com crença. Mas você entendeu o ponto.

É claro que é possível que essa pessoa tá indo pra igreja so por ir mesmo, porque não tem nada melhor pra fazer, ou só pra se sentir mais confortável… sei lá.

(Texto muito ruim. Por favor, desleiam.)

O silêncio do Coubiz

Fiz esse post aqui mostrando que o Coubiz fornece seus dados pessoais para terceiros sem sua autorização.

Pra minha surpresa, o post foi muito bem acessado. O blog bateu o recorde de visitas no dia 3 de outubro. E mesmo depois de alguns dias de sua publicação, o post ainda continua sendo muito acessado.

Apesar do grande número de visualizações, o post, curiosamente, não viralizou, ou seja, pouquíssimas pessoas passavam pra frente (davam um RT, por exemplo). Eu tenho um palpite do porquê, mas prefiro guardar pra mim, por enquanto. Houve poucos comentários e, dentre eles, uma defesa meio suspeita.

A estratégia foi fingir que não viu. Como meu blog é pequeno e, portanto, não é capaz de repercutir sozinho, se ninguém desse confiança, o assunto ia morrer. E foi o que aconteceu. Mesmo contando com a ajuda de alguns hubs nas redes sociais, o post não vingou.

Mas pelo relatório de acessos, eu sei que o post chegou dentro do Coubiz e de outras empresas pareceiras. Soube que o Coubiz estava apurando o fato. Mas não houve nenhuma manifestação pra um assunto que eu considero bem sério. Nenhuma.

Logo após a publicação do post, foram aparecendo informações que deixavam claro que o fornecimento de dados dos cliente é feito com total anuência do Coubiz.

Como falei no post passado, a empresa responsável pelos spams mailing é a imanaus.com.br.

A internet disponibiliza vários serviços gratuitos que permitem visualizar informações públicas associadas ao registro de domínios. Usando o whois, verifiquei que o domínio imanaus.com.br está registrado no nome da entidade Intronet – Soluções Interativas em Internet cujo responsável é Rafael da Costa Rola.

E o domínio intronet.com.br está registrado em nome de Mauro Batista Rola.

Na página principal do site da Intronet é possível encontrar o portfólio da empresa, que mostra como últimos trabalhos o site do Coubiz.

Uma grande coinicidência, mas que não acaba por ai.

Fazendo uma consulta pelo dominio imanaus.com.br usando o site ip-address.com, temos o seguinte resultado.

imanaus no ip-address.com (clica que aumenta)

E fazendo uma consulta pelo dominio coubiz.com no mesmo site, temos o resultado

Coubiz no ip-address.com (clica que aumenta)

Ou seja, o Coubiz e a imanaus (relembrando: a empresa que faz spam) estão hospedados no mesmo condominio, o SNH Serviços de Internet.

Não há absolutamente nada de errado nisso. Uma pesquisa mais a fundo revelaria dezenas de sites que compartilham o mesmo provedor, e até o mesmo servidor.

Mas pelo menos pra mim (e é o que importa) fica provado que o Coubiz além de consentir, participa ativamente do fornecimento de dados dos clientes para terceiros. Na verdade, não há terceiros, a empresa que cuida do Coubiz é a mesma empresa que dispara propagandas indesejadas para o seu email sem a sua autorização.

Ainda há outra possibilidade que deve ser levantada. Supondo que o Coubiz seja inocente, então a única responsável passa a ser a imanaus, que consegue os dados do Coubiz de alguma forma misteriosa (backdoor?). Mas sabendo que eles estão hospedados no mesmo ISP,  e talvez até no mesmo servidor físico, é muita conspiração.

Entenda como o Coubiz fornece seus dados pessoais para terceiros sem sua autorização

 

Há um tempo, escrevi um post sobre a minha desconfiança de que sites de compra coletiva de Manaus estavam vendendo suas bases de dados para empresas de mala direta. A dúvida surgiu quando, do nada, eu passei a receber mailings de lojas e restaurantes nos quais eu nunca me cadastrei. Na mesma época vi um outdoor ofertando esse tipo de serviço. A certeza de que algum desses sites estava fornecendo, ou vendendo mesmo, os dados dos clientes, eu já tinha. Mas não tinha como saber qual.

Venda de dados privados?

Foi aí que eu resolvi fazer um experimento.

No dia 30 de junho de 2011, criei o email arlen.comercial no Gmail e me cadastrei nos principais sites de compra coletiva de Manaus (Coubiz, Tambaqui Urbano, Top Cupom, Show do Cupom).

O Gmail tem várias funções interessantes. Uma delas é que você pode criar tags para “rastrear” o remetente dos emails. Explico Melhor.

Você pode alterar o seu endereço de email adicionando ao final dele o símbolo “+” seguido de uma palavra. Exemplo: se em algum cadastro eu colocar o endereço de email arlen.comercial+x@gmail.com, quando eu receber um email cujo destino tenha sido arlen.comercial+x@gmail.com, eu sei que aquele email veio do site x. E se não veio daquele site mas de um outro onde eu nunca me cadastrei, então a única possibilidade existente é que o site x tenha repassado meus dados a terceiros.

Então fiz isso. Para cada um dos sites em que cadastrei, adicionei uma tag única ao email de cadastro (exemplos: “+t”, “+sc”). O problema é que o campo de email do cadastro do Coubiz não aceitava caracteres especiais, o que me impossibilitava de usar uma tag. Então, somente para o Coubiz, deixei meu email original, sem nenhuma tag.

Meu email de cadastro no Coubiz

Aí foi só esperar.

E demorou. Mas hoje, 30 de setembro de 2011, chega ao meu email a seguinte propaganda no meu email de uso pessoal. E algumas horas depois, chega o mesmo email endereço a arlen.comercial@gmail.com. Ou seja, finalmente, repassaram a última atualização da base para a empresa de mala direta.

Propaganda não autorizada para o email cadastrado

O remetente foi o email japamix@imanaus.com.br. Entrando no site imanaus.com.br temos a seguinte (e única) página.

Site da imanaus.com.br

Winning.

Recapitulando: criei um email exclusivamente para fazer cadastros em sites de compra coletiva, tomando o cuidado de criar uma identificação única para cada um dos sites. Meses depois, recebo uma propaganda não solicitada endereçada ao mesmo email que cadastrei exclusivamente no Coubiz.

***

Todo site, os de cunho comercial principalmente, definem seus Termos de Uso, que é um contrato com o qual você concorda para poder utilizar os serviços do site. Com o Coubiz não é diferente, no momento do cadastro, você é obrigado a concordar com esses termos para poder se tornar um usuário.

Mas quem lê os Termos de Uso, não é mesmo? Pela primeira vez, eu li. E aqui estão os Termos de Uso do Coubiz. Em todo caso, aqui está um print tirado no dia 30.09, caso resolvam mudar de última hora (o que está previsto nos Termos, diga-se).

Termos de Uso do Coubiz. Clique para aumentar.

Não há, nos Termos de Uso do Coubiz, nenhuma cláusula em que o usuário dê permissão para o site divulgar seus dados a empresas terceiras.

***

Não sei se isso que o Coubiz fez é contra lei. Sinceramente, não ligo se é ilegal ou não. Só acho que é anti-ético (ou anti ético), a empresa fornecer dados confiados ao seu site para empresas de mala direta fazerem spam e o cliente sequer ser informado disso. O facebook já teve sérios problemas com essas questões relacionadas a privacidade dos usuários.

Esse foi apenas um caso que eu consegui pegar. Ainda recebo diversas outras propagandas cuja origem não consegui rastrear, mas parece que vai ser apenas questão de tempo.

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