Megaupload, Anonymous, Censura e Liberdade de Expressão

E aí que o Megaupload foi fechado pelo FBI. É inacreditável à primeira ouvida, mas é isso mesmo. Todo mundo sempre soube que o tipo de arquivo que fez o Megaupload conhecido infrigia várias leis. Existem dezenas de outros sites iguais a ele. E imagina o cagaço que os donos desses sites devem estar sentindo.

Eu lamento que o Megaupload tenha sido fechado. Sem dúvida, era um dos melhores sites de “compartilhamento” de arquivos, e mesmo não tenho conta lá, as taxas de downloads eram sempre bem altas. Curioso que nos últimos dias eu tava pensando em comprar uma conta no Megaupload. Desse prejuízo eu escapei.

Com o fechamento do Megaupload, vi muito gente na internet dizendo que isso era censura, um ataque a cultura de compartilhar arquivos e a liberdade do conhecimento e toda uma sorte de baboseiras.

Por mais que se insista em falar de compartilhamento, compartilhar arquivos protegidos por direitos autorais é crime. Ponto. O megaupload talvez não estivesse cometendo crime por disponibilizar esses arquivos, mas de alguma forma facilitou.

É claro que é através do compartilhamento (ilegal) que obtemos todo tipo de conhecimento, conhecemos bandas e artistas que dificilmente teríamos notícia se não fosse pela internet. Pois é, mas é crime.

E isso não tem nada a ver com censura ou duro ataque a liberdade da internet. Além de ter como atuação principal uma atividade ilegal, segundo as acusações, o Megaupload estava envolvido em diversas outras atividades criminosas. E por isso foi fechado.

Também não sou tonto de acreditar que foi só por causa disso. Há todo um jogo político envolvido. O timing da operação que fechou o megaupload calhou com a patente derrocada do SOPA e do PIPA.

Às vezes eu penso muito nessa questão de baixar música. Mesmo sem querer, estamos prejudicando o artista por não recompensá-lo pelo trabalho dele. De outro lado, a forma de recompensar o artista é comprar cd, uma mídia em fim de vida, com prazo de validade, sem portabilidade nenhuma e que, inevitavelmente, vai apodrecer dentro de uma sacola em uma caixa de papelão. Exatamente como no meu caso.

Acho que a indústria de entretenimento tem que se modernizar e pensar numa maneira em que ambos os lados da relação se beneficiem. Já há modelos bem sucedidos, vide iTunes Store e Netflix.

De vez em quando eu tenho vontade de recompensar os artistas, mas não há maneiras eficientes pra isso. Uma coisa que eu acho que daria certo e que é muito fácil de fazer seria utilizar o paypal. Você entra no site do artista e manda 10, 20 reais pra ele. Meio rídiculo, mas bem melhor que o que ele recebe atualmente (nada).

Com o fechamento do Megaupload, a internet se revoltou e o Anonymous comprou a briga e prometeu guerra. Nas horas seguintes derrubaram dezenas de sites, incluindo o do FBI.

Vi algumas pessoas comemorando isso. Quem é leigo tudo bem achar o máximo, mas quem é da área tem que honrar a profissão e achar apenas bobo.

Eu sinceramente não acho nada demais o Anonymous derrubar sites desses órgãos. O único significado disso é: temos várias pessoas ao redor do mundo dispostas a rodar um script em suas máquinas que vai travar o servidor de algum site.

Os ataques que tiram esses sites do ar são chamados de DDoS (Distributed Denial of Service) ou ataques de negação de serviço. Simplificando, o objetivo é afogar o alvo com uma quantidade de mensagens maior do que ele seja capaz de processar, até que o alvo não aguente e comece a não atender mais as requisições.

Ataque de negação de serviço é a cartilha do ABC do hackerismo. O que o Anonymous consegue provar com um ataque desse tipo é o que todo mundo já sabia: por mais potente que um computador seja, ele tem um limite prático. Estão de parabéns.

Qualquer site está sujeito a um ataque de DoS, mas uns estão muito preparados e outros nem tanto. Claro que existem medidas para detectar e parar um ataque, mas o ataque vai acontecer, mesmo que por um tempo pequeno.

Muitas vezes, quando um site está sob ataque pesado, ele cai não porque não aguentou o tranco, mas porque foi desconectado da rede para ter sua integridade preservada.

E outra coisa, é claro que o site do FBI vai cair, pois como não é um site acessado em massa, não tem estrutura pra aguentar tráfego pesado.

Quando o Anonymous invadir um servidor do FBI ou correlatos, aí sim eu abaixo as calças.

Ps: parem com esse negócio de máscara de V de Vingança.

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Não reinvente a roda

Uma coisa que as grandes corporações da internet (UOL, iG, Globo.com, etc) ainda não perceberam (na verdade, perceberam, mas insistem no erro) é que não é necessário que elas reinventem a roda.

A “regra” é muito clara: use os bons serviços da internet a seu favor. Não é feio, é inteligente e barato.

Um erro comum dessas empresas é insistir em usar seus próprios players de vídeo em vez de usar o youtube ou o vimeo. E como essas empresas não são empresas exclusivamente de vídeos, o player acaba não sendo uma prioridade e, não raro, é um lixo.

O que acontece é que muitas vezes, eu deixo de assistir um vídeo porque simplesmente não consigo. O player não deixa. Aperto no play e nada, aperto nos outros botões e nada. Fecho a página.

Olhando de forma simplista, eu só deixei de assistir um vídeo qualquer, e isso não vai fazer diferença nenhuma pro UOL.

Olhando de forma mais profunda, foram propagandas que deixaram de ser exibidas, foi um espectador que deixou de ser conquistado. E por aí vai.

O player da globo sofreu um recente update e ficou bem bom. Já o player do UOL continua ruim e não me deixa avançar a exibição para o ponto que eu quiser!

Apesar de eu ter acesso a todo o conteúdo da globo.com (sou assinante por causa do velox), quando quero assistir algum programa da globo, vou procurar no youtube, que tem quase tudo e em HD, enquanto no próprio site da globo está tudo numa resolução porca. E o upload no youtube é feito por terceiros.

 

 

 

 

O silêncio do Coubiz

Fiz esse post aqui mostrando que o Coubiz fornece seus dados pessoais para terceiros sem sua autorização.

Pra minha surpresa, o post foi muito bem acessado. O blog bateu o recorde de visitas no dia 3 de outubro. E mesmo depois de alguns dias de sua publicação, o post ainda continua sendo muito acessado.

Apesar do grande número de visualizações, o post, curiosamente, não viralizou, ou seja, pouquíssimas pessoas passavam pra frente (davam um RT, por exemplo). Eu tenho um palpite do porquê, mas prefiro guardar pra mim, por enquanto. Houve poucos comentários e, dentre eles, uma defesa meio suspeita.

A estratégia foi fingir que não viu. Como meu blog é pequeno e, portanto, não é capaz de repercutir sozinho, se ninguém desse confiança, o assunto ia morrer. E foi o que aconteceu. Mesmo contando com a ajuda de alguns hubs nas redes sociais, o post não vingou.

Mas pelo relatório de acessos, eu sei que o post chegou dentro do Coubiz e de outras empresas pareceiras. Soube que o Coubiz estava apurando o fato. Mas não houve nenhuma manifestação pra um assunto que eu considero bem sério. Nenhuma.

Logo após a publicação do post, foram aparecendo informações que deixavam claro que o fornecimento de dados dos cliente é feito com total anuência do Coubiz.

Como falei no post passado, a empresa responsável pelos spams mailing é a imanaus.com.br.

A internet disponibiliza vários serviços gratuitos que permitem visualizar informações públicas associadas ao registro de domínios. Usando o whois, verifiquei que o domínio imanaus.com.br está registrado no nome da entidade Intronet – Soluções Interativas em Internet cujo responsável é Rafael da Costa Rola.

E o domínio intronet.com.br está registrado em nome de Mauro Batista Rola.

Na página principal do site da Intronet é possível encontrar o portfólio da empresa, que mostra como últimos trabalhos o site do Coubiz.

Uma grande coinicidência, mas que não acaba por ai.

Fazendo uma consulta pelo dominio imanaus.com.br usando o site ip-address.com, temos o seguinte resultado.

imanaus no ip-address.com (clica que aumenta)

E fazendo uma consulta pelo dominio coubiz.com no mesmo site, temos o resultado

Coubiz no ip-address.com (clica que aumenta)

Ou seja, o Coubiz e a imanaus (relembrando: a empresa que faz spam) estão hospedados no mesmo condominio, o SNH Serviços de Internet.

Não há absolutamente nada de errado nisso. Uma pesquisa mais a fundo revelaria dezenas de sites que compartilham o mesmo provedor, e até o mesmo servidor.

Mas pelo menos pra mim (e é o que importa) fica provado que o Coubiz além de consentir, participa ativamente do fornecimento de dados dos clientes para terceiros. Na verdade, não há terceiros, a empresa que cuida do Coubiz é a mesma empresa que dispara propagandas indesejadas para o seu email sem a sua autorização.

Ainda há outra possibilidade que deve ser levantada. Supondo que o Coubiz seja inocente, então a única responsável passa a ser a imanaus, que consegue os dados do Coubiz de alguma forma misteriosa (backdoor?). Mas sabendo que eles estão hospedados no mesmo ISP,  e talvez até no mesmo servidor físico, é muita conspiração.

Entenda como o Coubiz fornece seus dados pessoais para terceiros sem sua autorização

 

Há um tempo, escrevi um post sobre a minha desconfiança de que sites de compra coletiva de Manaus estavam vendendo suas bases de dados para empresas de mala direta. A dúvida surgiu quando, do nada, eu passei a receber mailings de lojas e restaurantes nos quais eu nunca me cadastrei. Na mesma época vi um outdoor ofertando esse tipo de serviço. A certeza de que algum desses sites estava fornecendo, ou vendendo mesmo, os dados dos clientes, eu já tinha. Mas não tinha como saber qual.

Venda de dados privados?

Foi aí que eu resolvi fazer um experimento.

No dia 30 de junho de 2011, criei o email arlen.comercial no Gmail e me cadastrei nos principais sites de compra coletiva de Manaus (Coubiz, Tambaqui Urbano, Top Cupom, Show do Cupom).

O Gmail tem várias funções interessantes. Uma delas é que você pode criar tags para “rastrear” o remetente dos emails. Explico Melhor.

Você pode alterar o seu endereço de email adicionando ao final dele o símbolo “+” seguido de uma palavra. Exemplo: se em algum cadastro eu colocar o endereço de email arlen.comercial+x@gmail.com, quando eu receber um email cujo destino tenha sido arlen.comercial+x@gmail.com, eu sei que aquele email veio do site x. E se não veio daquele site mas de um outro onde eu nunca me cadastrei, então a única possibilidade existente é que o site x tenha repassado meus dados a terceiros.

Então fiz isso. Para cada um dos sites em que cadastrei, adicionei uma tag única ao email de cadastro (exemplos: “+t”, “+sc”). O problema é que o campo de email do cadastro do Coubiz não aceitava caracteres especiais, o que me impossibilitava de usar uma tag. Então, somente para o Coubiz, deixei meu email original, sem nenhuma tag.

Meu email de cadastro no Coubiz

Aí foi só esperar.

E demorou. Mas hoje, 30 de setembro de 2011, chega ao meu email a seguinte propaganda no meu email de uso pessoal. E algumas horas depois, chega o mesmo email endereço a arlen.comercial@gmail.com. Ou seja, finalmente, repassaram a última atualização da base para a empresa de mala direta.

Propaganda não autorizada para o email cadastrado

O remetente foi o email japamix@imanaus.com.br. Entrando no site imanaus.com.br temos a seguinte (e única) página.

Site da imanaus.com.br

Winning.

Recapitulando: criei um email exclusivamente para fazer cadastros em sites de compra coletiva, tomando o cuidado de criar uma identificação única para cada um dos sites. Meses depois, recebo uma propaganda não solicitada endereçada ao mesmo email que cadastrei exclusivamente no Coubiz.

***

Todo site, os de cunho comercial principalmente, definem seus Termos de Uso, que é um contrato com o qual você concorda para poder utilizar os serviços do site. Com o Coubiz não é diferente, no momento do cadastro, você é obrigado a concordar com esses termos para poder se tornar um usuário.

Mas quem lê os Termos de Uso, não é mesmo? Pela primeira vez, eu li. E aqui estão os Termos de Uso do Coubiz. Em todo caso, aqui está um print tirado no dia 30.09, caso resolvam mudar de última hora (o que está previsto nos Termos, diga-se).

Termos de Uso do Coubiz. Clique para aumentar.

Não há, nos Termos de Uso do Coubiz, nenhuma cláusula em que o usuário dê permissão para o site divulgar seus dados a empresas terceiras.

***

Não sei se isso que o Coubiz fez é contra lei. Sinceramente, não ligo se é ilegal ou não. Só acho que é anti-ético (ou anti ético), a empresa fornecer dados confiados ao seu site para empresas de mala direta fazerem spam e o cliente sequer ser informado disso. O facebook já teve sérios problemas com essas questões relacionadas a privacidade dos usuários.

Esse foi apenas um caso que eu consegui pegar. Ainda recebo diversas outras propagandas cuja origem não consegui rastrear, mas parece que vai ser apenas questão de tempo.

Porque o iPhone vai continuar mandando no mercado apesar do Android

O iPhone ainda vai mandar uns bons anos no mercado.

No texto 10 Reasons Why iPhone 5 Doesn’t Stand a Chance Against Motorola Droid Bionic o que fica bem explícito é exatamente o contrário: por que o iPhone 5 vai ser um sucesso mesmo com o Droid Bionic existindo.

O mercado de celular hoje não é apenas sobre mais processamento, saída HDMI, gravar vídeos em 1080p, cameras de 8 megapixels: é sobre usabilidade. Você pode ter um hardware mediano e uma camera normal, mas deve, necessariamente, oferecer a melhor experiência pro usuário.

Outro ponto que o texto dá como vantagem é rodar flash. Isso não merece nem essa linha que eu acabei de escrever.

Ser open source é uma faca de dois gumes. É bom porque vai ter um monte de gente melhorando um monte de coisa que precisa ser melhorada. É ruim porque possibilita que qualquer fabricante altere o que achar que deve alterar, mesmo que não seja necessário, criando-se infinitos branches de android, todos incompatíveis entre si em algum nível. O efeito colateral disso é a pior coisa que pode acontecer hoje a uma plataforma mobile: a falta de interesse dos desenvolvedores. O android já tem o problema terrível de portabilidade do mesmo aplicativo para diversos aparelhos que utilizam as mais diversas versões. Ao passo que no mundo iOS, o desenvolvedor deve se preocupar com apenas duas versões e dois aparelhos.

Outro problema sério do android é a estabilidade. Não raro, meu telefone (LG P500) trava, congela nas mais diversas situações (fazendo ligações ou usando normalmente). Outras vezes, o 3G não liga quando eu preciso, sendo necessário um reboot para que funcione.

O gerenciamento do cartão SD é muito falho. Várias vezes, o sistema alertava que o cartão tinha sido removido quando não havia sido. Esse bug deixava meus aplicativos instalados no cartão SD inacessíveis, sendo necessário um reboot para tudo voltar ao normal (esse bug foi resolvido com o update pra versão 2.3).

Uma coisa que eu acho inadmissível é não ser possível configurar um proxy sem precisar rootear o aparelho. Ou seja, você não conseguirá acessar uma rede corporativa a não ser que faça o root do aparelho e, provavelmente, perca a garantia por isso.

Talvez existam truques pra resolver esses probleminhas aí, o problema é que a minha época de ficar fuçando pra resolver esse tipo de problema já passou. O celular deve trabalhar pra mim e não contrário.

Os sites de compra coletiva e a venda de dados dos clientes

Quando houve o boom dos sites de compras coletivas no Brasil, eu estava em Portugal. Lá também houve o boom mas de apenas um site, o Groupon. Só voltei pra Manaus no dia 31 de dezembro e só me cadastrei em algum site de compra coletiva bem depois disso, sei lá, coisa de um ou dois meses.

Antes de eu me cadastrar nesses sites, eu NUNCA recebia email/newsletter de nenhuma loja de Manaus. Mas nenhuma mesmo. A atuação das lojas de Manaus na internet sempre foi muito ruim. Poucas lojas tem site decente, outras nem se dão ao trabalho.

Pois bem, coisa de um mês depois que eu me cadastrei em dois ou três sites de compras coletivas, comecei a receber “emails não solicitados” de várias lojas de Manaus. Não apenas de lojas mas também de shoppings e teatros. Relembrando, nunca cadastrei meu email pra receber nada de nenhuma dessas lojas. A única vez que cadastrei meu email em alguma dessas coisas foi no eCenter, no meu email do zipmail. E lá se vão uns 10, 11 anos!

A conclusão a que eu cheguei é que os sites de compras coletivas de Manaus estão vendendo os dados dos seus clientes. Li os Termos de Uso de um dos sites e não havia nada a respeito disso, então é uma puta falta de sacanagem que estejam fazendo isso.

As informações que esses sites tem em mãos valem muito porque representam uma base de dados atualizadíssima, montada toda em 2011!

E pra mostrar que eu não tô falando tanta besteira assim, olhe uma foto que tirei de um outdoor, outro dia.

Venda de dados privados?

Como evitar?

Se você já se cadastrou nesses sites não há nada que se possa fazer, pois mesmo que você apague a sua conta, os dados já foram repassados para terceiros.

É claro que quando os sites forem indagados a respeito disso, irão negar. A não ser que estejam amparados pelos termos de uso que o cliente aceitou. O negócio é ter paciência e ir se descadastrar de um negócio em que você nunca se cadastrou (que nem você teve que fazer com o Badoo).

Se você ainda não cadastrou seu email em nenhum desses sites mas pretende fazê-lo, faça da seguinte forma. Coloque algum identificador único e discreto e que somente você saiba no cadastro desses sites. O identificador deve estar no nome, pois o endereço de email não vai poder ser alterado, já que o email tem que chegar até voce, né?

Exemplo: quando for se cadastrar no Tambacu Urbano, coloque o seu nome como sendo Fulano T da Silva, o “T” siginifica Tambacu. Assim, se por ventura o Tambacu vender os seus dados, algum dia você vai receber um “email não-solicitado” endereçado para o Fulano “T” da Silva. Essa idéia não é minha, vi em algum site por aí que eu não consigo lembrar.

Mas percebi que os “emails não-solicitados” não são personalizados, então mudar só o nome não serve. E ainda: alterar o nome poderia implicar na utilização do cupom, já que é exigido que você apresente o RG na utilização.

Como criar um email para cada site não é prático. você pode criar alias, um apelido pro seu email. No momento do cadastro, você coloca esse alias no lugar do email real. O Gmail permite que você crie alias adicionando um +<identificador> após o seu user name, como em meuemail+compras@gmail.com. Assim você é capaz de “rastrear” o remetente do email. Alguns sites não permitem a utilização do caractere “+” no campo de email na seção de cadastro. Mas na seção de alteração, você pode adicionar um endereço de e-mail com o “+”.

To be continued.

Apple

Em 2009, entrei em contato, pela primeira vez, com um iMac. Na verdade, já tinha usado um macbook antes, por alguns minutos, mas não deu pra ter nenhuma impressão.

O iMac não era pra eu usar exclusivamente, mas usava sempre que podia e me encantei. O primeiro de  tudo é que é um computador muito bonito fisicamente. É monitor, teclado, mouse e um cabo de força. Já tem placa wireless embutida. A carcaça é de alumínio, assim como o teclado. A única coisa ruim é o mouse da Apple que é um lixo (ainda não era o magic mouse; esse é fantástico). O Mac OS é lindo. E como software e hardware são vendidos juntos, tudo funciona perfeitamente. Não há incompatibilidades,  nem compilação de kernel pra fazer a caixa de som parar de funcionar quando o fone de ouvido é plugado.

É claro que isso tem um preço. Um pc com hardware idêntico a um mac custa praticamente metade do  preço. E mesmo assim as pessoas pagam. Por quê?

Esse excelente texto explica mais ou menos o porquê.  O “truque” da Apple é usar a tecnologia para tornar as coisas práticas, pra resolver os seus problemas (desde que você compre o produto deles, óbvio), parece besteira, mas é isso mesmo. Enquanto, usando o exemplo do texto, a Motorola faz um show off  tecnológico e futurístico voltado totalmente para homens, a Apple usa um apelo emocional, um vídeo de uma criança sorrindo. E com um simples toque de dedo, você pode dar um zoom pra admirar o lindo sorriso do seu filho.

Estou usando um iMac no trabalho já tem 6 meses e afirmo categoricamente que pra mim, desenvolvedor de software, não há diferença alguma entre um mac e um pc. Pelo contrário, no mac é muito mais chato instalar alguns softwares necessários pro desenvolvimento. Tanto que tenho que ter duas máquinas virtuais instaladas, uma pro ubuntu e outra pro windows. Por outro lado, algumas  coisas que não tem versão pra linux, provavelmente tem versão pra mac, por uma simples questão de mercado.

O negócio legal da Apple, e que o pessoal do Linux não consegue entender, é que as coisas devem apenas funcionar. Nada mais que isso. O usuário comum não quer saber se o kernel do Linux é de O(1) (claro que isso é fantástico, mas não vem ao caso) ou se o programa que ele tá usando tem o código aberto. Isso tudo não importa. Tudo que o usuário quer é executar suas tarefas sem complicações.

Vejo o exemplo do iTunes. Apesar de ser péssimo no windows, o iTunes é um programa fantástico no mac. O gerenciamento de podcasts é foda. Você assina um podcast, ele baixa automaticamente e já sincroniza com  o iPhone/iPod, inclusive do ponto em que você parou de escutar! Isso é usabilidade, o resto é conversa fiada.

Como contra exemplo, cito o amarok, um player do KDE. Comecei a usar o amarok no versão 1.2. O que me conquistou no amarok foi o recurso de atalho global. Pressionando win+c, por exemplo, a música era pausada. Isso é muito prático, pois independente da aplicação que estiver em foco naquele momento, você podia controlar o player. A partir da versão 2, o amarok degringolou. Ficou impossível de usar. Falhas graves, como áudio picotando, alto consumo de memória e remoção dos atalhos globais arruinaram a experiência pra mim. Basta procurar no google por ‘downgrade to amarok 1.4’ e ver o que o pessoal fala do amarok 2+.

Já tive minha época de linux freak. De tentar convencer as pessoas a migrarem pro linux. Mas isso é simplesmente inviável. Já vi várias pessoas, err…, humildes que compraram aqueles computadores populares e que me pediram pra instalar o windows porque ‘com esse negócio que veio nele não dá pra fazer nada!’. O negócio era o kurumin e o nada que dava pra fazer era conectar na internet com um winmodem.

Hoje eu só quero um computador pra trabalhar. Quanto menos eu perder tempo configurando programa, melhor. A minha lógica é que o computador tem que trabalhar pra mim e não o contrário. Não quero ficar quebrando a cabeça pra configurar corretamente a placa de vídeo ou tentar descobrir porque a placa de som para de funcionar quando eu aumento demais o volume (já aconteceu comigo).

Eu prefiro linux pra trabalhar. Pra mim, programar no windows é simplesmente impossível. Windows já está associado ao lazer pra mim. Gosto demais da linha de comando. Mas ultimamente tenho notado que passo horas usando o computador e não chego a abrir nenhum terminal.

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